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Nada no balaio

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Há certas coisas que não se explicam. Elas simplesmente existem ou acontecem, restando-nos apenas a constatação magistral de Chicó, do Auto da Compadecida: Não sei, só sei que foi assim. É dessa forma que o personagem criado por Ariano Suassuna justificava o surrealismo de suas histórias.

É mais ou menos como fez o Governo de Minas com o América. Depois de reformarem o Estádio Independência, os mandatários mineiros repassaram-no ao Atlético. Ao indagarem sobre o que aconteceu, os americanos órfãos ouviram apenas: Não sei, só sei que foi assim.

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Em São Paulo, o Corinthians, que nem muito afeito a competições internacionais parece ser, apresentou sua principal contratação para temporada, o chinês Chen Zhi Zhao, apelidado de Zizão. Sem jogar futebol há um ano, seu nome foi recomendado pelo departamento de marketing. Para quê? Não sei, só sei que foi assim.

Ricardo Teixeira, que dispensa apresentações, bateu o pé e parece não querer sair da CBF. Pesam contra ele tantas denúncias de corrupção e tráfico de influência que, ao seu lado, o sumiço da Taça Jules Rimet torna-se, de fato, coisa de amador. Ainda assim, ele permanece à frente daquele que foi o melhor futebol de mundo. Como? Não sei, só sei que foi assim.

Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff nomeia para o importante Ministério da Pesca e Aquicultura o senador Marcelo Crivella. Engenheiro de formação, ele atesta que, quanto à nova função, não saber sequer colocar uma minhoca no anzol. Então, por que nomeá-lo? Ou antes, qual o sentido de se criar o tal ministério? Não sei, só sei que foi assim.

Aqui, depois de conseguir aumentar o repasse de dinheiro público para o Tupi, o presidente carijó, Áureo Fortuna, revelou-se desanimado. As contas do time, que tem outros patrocinadores, cujos valores de repasses não podem ser divulgados, não fecham. O campeão brasileiro da Série D, no ano de seu centenário, foi deixado à míngua. Mas como se chegou a essa situação? Não sei, só sei que foi assim.

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Por mais estranho que possa parecer, as coisas funcionam assim. Aos poucos as pessoas vão assimilando e encontram sentido onde antes não existia. Lembro-me das aulas de teologia. Depois de um mês de estudos, descobrimos boquiabertos que a Carta de São Paulo aos hebreus, na verdade, não é carta, não foi escrita por São Paulo e muito menos foi destinada aos hebreus. Como? Não sei, só sei que foi assim.

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