
Beatriz treina com o pai, o campeão brasileiro Sergipe
Meio juiz-forana, meio soteropolitana, Beatriz Soares dá seus passos no boxe desde os 4 anos de idade. A paixão veio cedo, por influência do pai, Raimundo Oliveira, 45, tricampeão baiano e campeão brasileiro amador. Mas ele não se contentou apenas em ser o exemplo. Sergipe, apelido que não condiz com sua cidade natal (Salvador), é o treinador (coruja) oficial da filha, que ganhou seu primeiro campeonato na última semana. Com apenas 21 anos, Beatriz venceu todos os rounds e todas as lutas da categoria 64kg dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, de onde trouxe a medalha de ouro para Juiz de Fora. A conquista motivou a jovem, que sonha agora em disputar as Olimpíadas de 2016, no Rio.
“Participei de dois campeonatos este ano. Em junho, fui ao Campeonato Brasileiro e estava muito preparada. Ganhei uma luta, mas fui desclassificada porque alegaram que eu já tinha lutado profissionalmente, o que não é verdade. Esta última competição (de São Paulo) foi, então, a primeira de minha carreira”, comenta Beatriz. O pai tem convicção da carreira promissora que há pela frente. “O que ela fez ficou na história, porque foram vitórias inesquecíveis, lutando com meninas veteranas.” Beatriz defendeu a cidade paulista de São Bernardo, de onde veio o apoio para participar da competição após a visibilidade alcançada no Brasileiro.
Agora a ideia é treinar “o triplo” para participar de outras competições e, depois, tentar uma vaga nas Olimpíadas. “Minha meta é conseguir boas colocações para sustentar a vaga para o Rio.” Ela cita que não possui auxílio de patrocinadores, mas que a experiência do pai é decisiva. “Estou confiante e disposta a tentar.
Tal pai, tal filha
A relação pai e filha, treinador e aluna, tem suas vantagens e desvantagens, segundo Beatriz. “Ele é bravo comigo, e às vezes a gente acaba misturando um pouco as coisas. Mas, como treino com ele desde criança, me acostumei. Tem uma cobrança muito maior, mas eu gosto que seja assim.”
Há nove anos em Juiz de Fora, a dupla deixou toda a família em Salvador para se dedicar ao boxe. “A paixão dela começou quando ela me viu dando aulas para alguns na Bahia. Ainda pequena, ensaiava golpes errados em frente ao espelho enquanto a gente treinava. Ela foi pegando o gosto e eu fui ajustando, acertando a técnica. Desde os dez anos ela já era uma promessa do boxe. Vim para Juiz de Fora para lutar e acabei ficando, virei professor. E ela veio junto comigo, para poder continuar treinando. Por tudo isso, sou muito exigente, vejo que ela tem futuro”, diz.
Pela profissão do pai, Beatriz treina apenas com homens e, para Sergipe, este é o seu principal diferencial. “Ela está acostumada a levar ‘porrada’ de homem. Aí, com mulher, fica fácil para ela”, brinca.

