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‘A Série C é punitiva’

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A temporada 2014 terminou para o Tupi no último dia 25, quando o time foi eliminado com a derrota por 1 a 0 para o Paysandu, nas quartas de final da Série C do Campeonato Brasileiro, dando adeus ao sonho de chegar pela primeira vez à Segunda Divisão em 2015. Mas com o fim de um ano de disputas começa imediatamente o planejamento do próximo, e o trabalho da diretoria alvinegra se intensifica ainda mais nos bastidores. Depois da confirmação da saída do técnico Léo Condé, na última quarta-feira, o Carijó no momento tem apenas dois jogadores contratados e um caminhão de questões a resolver para ingressar na disputa do Campeonato Mineiro, previsto para começar no dia 1º de fevereiro.

Em entrevista à Tribuna, o homem forte do futebol carijó e vice-presidente do conselho gestor do clube, Cloves Santos, avaliou a última temporada e falou como o que foi feito em 2014 será aproveitado no formato de lição em 2015. O dirigente explicou como está o processo de escolha e deu dicas de quem pode ser o novo treinador do Tupi. Também relatou a situação atual do elenco, que deve sofrer profunda reformulação para o Estadual. Além disso, traçou objetivos e metas nesse novo ano, pedindo para isso mais torcida e mais apoio financeiro ao clube de Juiz de Fora.

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Tribuna – Quais as lições deixadas por essa temporada, especialmente a disputa da Série C?

Cloves Santos – A Terceira Divisão é um campeonato muito bom de se disputar, porque em sua primeira fase te dá a chance de turno e returno, diferente do Mineiro, que é um torneio. Mas a segunda fase acho punitiva – não é porque perdeu que estou dizendo isso -, porque essa situação de você definir quem sobe em um mata-mata não premia o melhor, não conduz os melhores times à Série B. Nesse campeonato o Tupi merecia o acesso pelo time que fez, pela campanha que fez. Mas toda uma campanha, todo um planejamento é julgado em um jogo só. Supondo que os melhores deveriam subir, é injusta. Mas vejo também a necessidade maior de qualificação do elenco. Temos que ter três ou quatro peças com condições de decidir ou suprir bem quem decide. Nesse ano, dois atletas nossos não renderam o que tinham condição na hora de decidir, e o Léo não tinha peças de reposição e como mudar a estratégia. Isso em função de um elenco reduzido, por conta de um orçamento reduzido. Mas não fico lamentando. Sabíamos que tínhamos que fincar o pé na Série C, disputar um campeonato decente para nos acostumarmos. Fica isso de bom, como também fica de positivo aqueles quase 16 mil torcedores contra o Paysandu. É assim que o Estádio Municipal tem que estar sempre, até para o próprio Tupi se acostumar a jogar com aquela responsabilidade sobre ele mesmo.

– Correu tudo como planejado na última temporada? O que não saiu como a diretoria esperava em 2014?

– No Mineiro, a gente entende que a troca de treinador foi prejudicial. Toda vez que você troca de técnico, corre um risco. É como montar uma obra toda planejada com um engenheiro e vir outro para executá-la. A gente gostaria de começar e terminar a competição com um só treinador. Logo após, naquela fase de transição para a Série C, a vinda do Léo Condé se deu muito dentro dessa filosofia. Mas é uma pena que não consigamos manter um treinador que tenha identificação com a gente e de lastro técnico para comandar o clube como o Léo. Queríamos fazer um contrato mais longo com um profissional do gabarito dele, seria importante para nosso crescimento como time. Mas hoje é impossível.

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– Usando essas lições, como se inicia o planejamento para 2015?

– Começa pelo que queremos para a próxima temporada. Primeiro temos que saber quanto temos de orçamento para o ano que vem. Se vai ser um time mesclado ou não. Passa pelas renovações de contrato que iremos buscar intensificar agora. Também pelo treinador. A intenção é trabalhar com alguém que já tenha uma relação conosco, que nos conheça. Porque o Tupi tem muita limitação estrutural, mas não precisamos de alguém que venha para cá apontá-las. Já conheço. Preciso de alguém que cuide do futebol e passe por cima das dificuldades. Tem que ser uma pessoa com uma liderança que consiga fazer com que os atletas façam isso também. Ninguém precisa me falar que o gramado de Santa Terezinha tem mais de 20 anos, precisamos de alguém que faça os jogadores treinarem nesse gramado de mais de 20 anos e produzirem resultado. Preciso de um líder.

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– Quem seria esse líder?

– A questão do treinador passa por dois nomes já conhecidos e um de fora. Não tem muito mistério. Passa por um nome da cidade que já treinou a gente, passa por um integrante da comissão técnica que a gente entende que pode assumir e está preparado para isso e por esse nome de fora, possibilidade que sempre deixo em aberto por ter que contar com a boa vontade de outros clubes na questão de empréstimo de jogadores, por exemplo. Mas dentro dos planos A e B estão quem trabalhou aqui já e um deles provavelmente será o nosso técnico no Mineiro. Assim como fizemos com o Felipe (Surian), com o Ludyo (Santos), sempre em parceria com o Walker (Campos, preparador de goleiros) e o Luís (Augusto Alvim, preparador físico), cujas permanências serão de grande valia nesse processo, teremos gente que entende de Tupi à frente do time.

– Com relação ao elenco, como se inicia sua reformulação para a próxima temporada?

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– Inicio com dois atletas contratados, o Ademilson e o Maguinho, de aproximadamente 30 nomes. Essa é a parte que mais dá trabalho. Vamos tentar convencer os atletas pessoalmente. Quando você tem muito dinheiro, resolve tudo por telefone. Nós não, vamos ao Rio, Belo Horizonte, São Paulo. Minha casa vira um entra e sai de atletas que você não acredita. Desse atual elenco, acho que perderemos cerca de 80%. Todos com propostas melhores. Mas o bacana é que eles vêm documentados, nos mostram que vão ganhar quatro, cinco vezes mais. Daí não temos como cobrir. Como dirigente é ruim, porque perco caras em quem confio, mas como pessoa você fica feliz de ver aquele jogador que abriu mão de muita coisa para estar com você seis meses ali ser reconhecido e valorizado. Vim da Federação Mineira na última segunda-feira e só se fala em jogadores do Tupi, e aí fica difícil segurar. Mas temos uma filosofia que pretendemos seguir, que é a de trabalhar com atletas que já conhecemos e podemos confiar para fazer uma base, agregando novos valores a eles. Assim vamos prosseguir.

– Quais são os objetivos do clube na próxima temporada?

– Pés no chão. Fazer aquelas contas tradicionais que fazemos no Mineiro, que é alcançar os 11 pontos para não cair. Depois, buscar chegar às semifinais, embora essa fase do Estadual esteja perdendo um pouco do brilho. Seria interessante se avançassem oito times, com quartas de final, aí você prestigiaria mais os times do interior. Isso facilitaria até mesmo o processo de escolha de jogadores para ao segundo semestre, pois você acompanha mais facilmente quem se destacou no Mineiro. Além de recuperar um pouco do investimento, pois como são jogos eliminatórios, atraem público. Já na Série C, vamos em busca de repetir o sucesso que foi esse ano, mas sabendo que precisamos de algo mais. Não subimos por causa de A, B ou C, porque fomos mal nos dois últimos jogos, mas uma série de motivos. Temos que ser honestos. O time era bom, mas o elenco não tinha tantas peças de reposição quanto necessário para a hora de decidir. Se o Léo quisesse fazer algo para mudar ali, ficaria limitado pelo elenco. Então, para a Terceira Divisão, teríamos que ter um investimento um pouco maior.

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– Falando em investimento, como está a organização do orçamento para 2015?

– A princípio, vamos contar com os R$ 80 mil mensais tradicionais vindos dos atuais patrocinadores. Teve muita especulação (sobre patrocínio), mas não sentamos na mesa para conversar com ninguém. E era tudo em relação a “se subir”. A gente tem que mudar essa cultura. Precisamos de apoio para construir o acesso. Só se faz isso através de parcerias. Por isso a gente agradece a quem está aqui conosco. É gente da cidade que realmente valoriza. Mas ainda são poucos. Futebol é muito caro. A logística é cara, o custo de cada jogo é caro, moradia, alimentação, comissão técnica, jogadores, é tudo muito caro. O que fazemos hoje é vender um projeto na base do olho no olho do atleta, por exemplo. Nossas contratações são verdadeiros partos, principalmente nessa época de Estadual. No segundo semestre fica um pouco mais fácil, pois há mais atletas no mercado. Mas temo por essa situação do Mineiro. Desde 2008 estamos só no trabalho, sem investimento. Um dia ele fará falta, e não sei como nos manteremos na elite. O investimento dos outros clubes, muitos que só jogam essa competição, tem aumentado bastante, e uma hora isso vai pesar. Mas ao mesmo tempo confio em nosso trabalho, que vem dando certo há seis anos.

– Qual é o grande projeto do Tupi para 2015?

– Para mim há três desafios claros: aumentar a torcida, aumentar o orçamento e se manter na disputa do Módulo I do Mineiro e na Série C. Vamos começar um trabalho agora nas escolas buscando aumentar o número de torcedores. As crianças têm que aprender a gostar de ser Tupi, abraçar a camisa. A frustração que ficou do jogo contra o Paysandu tem que ser revertida em algo positivo. Temos que acabar com o discurso de que o clube chega mas não leva. Todos os times dão decepções. Não conheço um que não o fez. Agora, como já fizemos no Estadual, temos de fincar pé na Terceira Divisão, nos acostumarmos a disputá-la e ficar ali beliscando. Uma hora vai subir. Veja o exemplo do Macaé, que bateu na trave três anos antes do acesso em 2014. O próprio Fortaleza, que está há seis anos tentando. O Tupi precisa se acostumar também, que uma hora vai. Não sei se nessa gestão ou em outra, mas uma hora vai.

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