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Uma carona para o Ceará

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Mais de 200 crianças são atendidas por projeto
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Mais de 200 crianças são atendidas por projeto

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Um projeto de inclusão social, que começou com o objetivo de tirar as crianças do Bairro Granjas Betânia das ruas, cresceu e já alcança resultados competitivos: 20 jovens estão classificados para o Campeonato Brasileiro das Ligas de Judô. Agora, o adversário é mais difícil. A luta é para conseguir financiar a viagem para Fortaleza, capital do Ceará, onde, no próximo final de semana, será realizada a competição. "Para as pequenas viagens, nós conseguimos apoio nas escolas e com empresários. Seria uma pena não ir ao Brasileiro, pois trabalhamos durante o ano para tentar propiciar aos meninos este momento. Temos consciência das dificuldades. O custo é alto, a distância é longa, mas não vamos desistir", lamentou o monitor e faixa-preta Gioleanês de Paula Rodrigues, o Gil.

O projeto começou no fim da década de 1990, quando a família De Paula, proprietária da Pousada do Mendonça se mudou para Juiz de Fora. "No começo era muito complicado, tínhamos muitas crianças nas ruas. Oferecemos uma oportunidade para os jovens ocuparem o tempo ocioso e escolherem o melhor caminho", afirma a proprietária da pousada e mãe de Gil, Silka de Paula. Após um período de interrupção, o projeto voltou em 2005, quando Gil se formou em educação física. As aulas de judô são ministradas em um tatame na própria pousada.

A ideia cresceu e, hoje, alcança aproximadamente 220 crianças com mais de seis anos em duas instituições de ensino da cidade, além do atendimento continuar na pousada, contando ainda com reforço escolar e aulas de inglês. O primeiro colégio a receber o projeto foi a Escola Municipal União da Betânia. Em 2011, o local foi aprovado no programa do Governo federal, "Mais Educação" – que destina verbas para manter as crianças em tempo integral no instituto de ensino, com atividades extraclasse como laboratório de aprendizagem, dança, música, horticultura, além da prática esportiva.

"O judô ajudou demais os meninos. Eles passaram a ter mais autoestima, disciplina e respeito, além de terem a oportunidade de conhecer a beleza do esporte", garante a vice-diretora da escola, Fabiana de Paula Volpato, que coordena 570 crianças, sendo 80 delas integrantes do projeto.

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Em fevereiro desse ano, houve outra extensão do programa para a Escola Municipal George Rodenback, no Grama, também por meio do "Mais Educação". A diretora do colégio, Mônica Santiago Melo confirma que as relações interpessoais dos alunos melhoraram e, além disso, já comemora o resultado esportivo. "Os sete alunos nossos que foram ao Rio de Janeiro no último dia 27 voltaram com medalhas." Um deles é o pequeno Brian Daniel da Silva, 8 anos, que se apaixonou pelo esporte. "É muito bom lutar, me divirto muito, mas o que eu gosto mesmo é de derrubar os outros."

 

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Prefeitura alega mãos atadas

De acordo com o secretário de Esporte e Lazer (SEL) da Prefeitura de Juiz de Fora, Francisco Canalli, a pasta não possui verbas para arcar com qualquer tipo de investimento desse tipo no momento. "Infelizmente, no orçamento desse ano, produzido pela última gestão, não houve nenhuma verba para o Fundo Municipal de Desporto. Tivemos vários pedidos, mas não temos como ajudar", lamentou.

O Fundo Municipal de Desporto é o mecanismo da SEL responsável por disponibilizar ajudas de custo – para transporte e hospedagem – aos atletas de Juiz de Fora. Quando a SEL recebe um pedido oficial, ele é encaminhado ao Conselho Municipal de Desporto. Caso ele seja aprovado pela entidade, a verba requerida é liberada.

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Conforme Canalli, outra possibilidade de custeio das passagens seria por meio do "empréstimo" de um ônibus da Prefeitura. Mas esse caminho também está complicado. "A Prefeitura tem uma licitação grande com uma empresa para o aluguel de ônibus. Cada secretaria tem direito a uma quilometragem pré-determinada por ano para utilizar esses veículos. Infelizmente, nossa cota já foi utilizada."

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