A eleição do Tupi será realizada neste sábado (3), das 9h às 17h, na sede social do clube, na Rua José Calil Ahouagi, 332, no Centro de Juiz de Fora. O pleito ocorre em meio a questionamentos da oposição sobre as regras do processo e o acesso a informações. O clube não divulgou oficialmente as chapas inscritas e, segundo apuração da Tribuna, apenas uma candidatura foi registrada. A contagem dos votos começa após o encerramento do pleito.
A Tribuna tenta contato há mais de duas semanas com o atual presidente do clube, Eloísio Pereira, o “Tiquinho”, e com o presidente do Conselho Deliberativo, Léo Ribeiro. As mensagens foram visualizadas, mas não respondidas. Porém, conforme apurado pela reportagem, a única chapa registrada para o pleito é ligada à atual gestão e apresentada como de continuidade de Tiquinho. O grupo é encabeçado por Léo Ribeiro e pelo sócio “Samuka”, que também foi procurado, mas não se manifestou.
A eleição não escolherá diretamente o presidente executivo do Tupi. Os associados votam na chapa registrada, com 60 conselheiros efetivos e 20 suplentes. Os eleitos passam a compor o Conselho Deliberativo, que depois escolhe o presidente e o vice-presidente administrativo do Tupi.
Pelo edital, podem votar e ser votados associados maiores de 18 anos das categorias Benemérito, Grande Patrono, Proprietário e Família, desde que tenham pelo menos 12 meses completos de vínculo com o clube antes da Assembleia Geral e estejam em dia com as obrigações estatutárias. Sócios das categorias Contribuinte, Atleta e Universitário não participam do pleito. Eventuais pendências financeiras podem ser quitadas até a data da Assembleia, inclusive no próprio dia da votação.
Oposição questiona critérios e acesso a informações no Tupi
O grupo de oposição é liderado por Daniel de Oliveira Pires, indicado como candidato à presidência, e conta com o apoio de Cloves Santos, ex-diretor de futebol do clube. A chapa, chamada “Explosão dos Carijós”, afirma que dificuldades para obter a lista de associados e divergências sobre a interpretação do Estatuto prejudicaram a organização de uma candidatura concorrente.
A contestação envolve, entre outros pontos, a definição de 18 de agosto como data de corte para identificar os associados aptos a votar e serem votados. A oposição sustenta que o Estatuto não estabelece esse prazo e que os sócios poderiam regularizar suas obrigações até a Assembleia. O grupo também questiona a reunião de agosto que definiu a Comissão de Fiscalização Eleitoral (Cofel) e pede acesso a documentos e registros utilizados na composição do colégio eleitoral.
Em nota assinada por Cloves Santos, o grupo afirma que a discussão vai além da disputa entre candidaturas. “Não estamos falando apenas de uma chapa. Estamos falando do direito de participação dos associados e do respeito ao Estatuto que rege o Tupi FC”, diz o comunicado. A nota acrescenta: “Estatuto não é sugestão, não é instrumento que pode ser interpretado conforme a conveniência de cada momento. É a regra que deve valer para todos”.
O comunicado relata ainda que um integrante do grupo teria sido alvo de insultos e intimidação ao buscar informações sobre a lista de associados. Segundo a versão apresentada pela oposição, a secretaria do clube teria informado que o frequentador envolvido não constava como sócio. A alegação é atribuída ao grupo. A nota completa está ao final da matéria.
Ação judicial
O advogado Daniel Dore, que representa os interessados em formar a chapa de oposição, afirma que o processo eleitoral teve “sucessivos obstáculos à transparência, à igualdade de participação e à fiscalização” e que documentos necessários para identificar os associados aptos não foram disponibilizados “de forma adequada e tempestiva”. Segundo ele, isso “inviabilizou, na prática, a organização e o registro da chapa de oposição dentro do prazo estabelecido”.
A oposição levou a discussão à Justiça e pediu a suspensão ou revisão de regras do processo eleitoral. A liminar solicitada foi negada em primeira instância. A ação, contudo, continua em tramitação, e a defesa também recorreu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Até o momento, o calendário eleitoral permanece mantido.
Mesmo assim, Dore diz que o grupo adotará medidas para garantir a revisão do procedimento. “Não se trata de impedir a eleição, mas de garantir que ela seja limpa, transparente, justa e aberta à participação de todos os associados em condições de concorrer.”
Leia o comunicado da oposição na íntegra:
“Diante dos fatos ocorridos no processo eleitoral do Tupi FC, entendemos ser necessário deixar clara a nossa posição.
A ausência de acesso adequado à lista de sócios e a interpretação adotada pela Comissão Eleitoral acabaram impedindo a participação de sócios legítimos que, conforme o artigo 14 do Estatuto, possuem direitos e obrigações dentro da vida associativa do clube, inclusive quanto à regularização de suas mensalidades até a data da eleição.
Não estamos falando apenas de uma chapa. Estamos falando do direito de participação dos associados e do respeito ao Estatuto que rege o Tupi FC. Estatuto não é sugestão, não é instrumento que pode ser interpretado conforme a conveniência de cada momento. É a regra que deve valer para todos.
Também não podemos deixar de registrar que um dos integrantes da nossa chapa, ao buscar informações sobre a lista de associados, foi alvo de insultos e intimidação por parte de um frequentador que, segundo informação da própria Secretaria do clube, sequer constaria como sócio.
Não vamos transformar divergências internas em confronto pessoal. Mas também não vamos aceitar que intimidação, falta de transparência ou interpretações restritivas impeçam associados legítimos de exercer seus direitos.
Se o pleito for mantido pelo Presidente da Comissão Eleitoral, adotaremos, após o dia 03 de outubro, todas as medidas cabíveis para defender os direitos dos associados e o cumprimento do Estatuto.
Temos projeto. Temos experiência. Temos história dentro do Tupi e, principalmente, temos compromisso com o futuro do clube.
Não estamos aqui para brigar por cargo. Estamos aqui para disputar ideias, defender o associado e apresentar um novo caminho para o Tupi FC.
Vamos combater o bom combate.
Dentro da lei. Dentro do Estatuto. Dentro da democracia.
EXPLOSÃO DOS CARIJÓS”
