Enquanto o técnico Mano Menezes não consegue armar uma Seleção que apresente um futebol razoável com 23 jogadores brasileiros, e o Corinthians apresenta o chinês Zizao, o destaque do futebol nacional nos últimos dias foi novamente um argentino. Nada de D’Alessandro ou Montillo. O hermano do momento é o palmeirense Barcos. Ou São Barcos, como já se atrevem os palmeirenses, em alusão a Marcos, eterno goleiro palestrino. Apelido mais inteligente que os Pedro de Laras e Zé Ramalhos encampados por alguns noticiários esportivos que mais parecem programas de auditório.
O tal Barcos parece preparado para navegar os bravios mares do futebol brasileiro. Mostra saber bater um bolão e não ser boludo. Primeiro, despachou um daqueles jornalistas engraçadinhos e mostrou o que todo torcedor sabe: futebol é coisa séria. Depois, emplacou boas atuações e golaços contra São Paulo e Linense.
É motivo de preocupação o grande número de estrangeiros que vem se destacando no futebol brasileiro nos últimos anos. De Tevez, campeão e melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 2005, até Barcos, vimos brilhar por aqui hermanos como Conca, D’Alessandro e Montillo. Inegavelmente bons jogadores, mas que sequer têm espaço em suas seleções nacionais. Ainda teve outros, como Valdívia, Acosta, Loco Abreu… O fato é que, Neymar à parte, o produto nacional não convence e os clubes têm que recorrer ao mercado sul-americano para montar um time mediano.
A coisa está feia. Não somos mais o celeiro de craques de outrora. Com a atual safra de jogadores, temo pelo que pode acontecer com a Seleção Canarinho na Copa do Mundo de 2014. Do jeito que está, só não haverá um novo Maracanazzo pois não temos time para chegar à final. E é muito fácil crucificar o técnico e dizer que a culpa de tudo atende pelo nome Mano Menezes. Não é bem assim. É preciso rever nossa cultura esportiva. Enquanto os nossos garotos estiveram mais preocupados com penteados e pedaladas nas peladas das esquinas nosso futebol continuará estagnado. Não é preciso recorrer a Messi para mostrar que uma atuação objetiva pode ser plasticamente bonita. Temos estrangeiros no Brasil como Montillo e Barcos para provar que menos é mais.
