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Batismo de uma tribo inteira

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Acontece neste domingo (1º) a primeira competição oficial organizada pela Associação de Voo Livre de Juiz de Fora (AVLJF). Depois de dez anos de atividades, a entidade entra em nova fase, buscando a divulgação do esporte e procurando atender à crescente demanda de seus associados por torneios. Assim, o Campeonato de Parapente em Machados, que começa às 8h no distrito de Machados, em São João Nepomuceno, vai ter as categorias iniciante, feminino e master. As disputas serão na modalidade pouso na mosca.

Na divisão iniciantes, participam pilotos com até um ano de experiência na modalidade ou alunos acompanhados de um instrutor homologado pela Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL). Na master, somente participarão pessoas com mais de um ano de prática no parapente, e a feminino é aberta a todas as competidoras. "Para as categorias iniciante e feminino, o alvo será colocado em um pasto e terá cerca de 400m de diâmetro. Já para os masters, a mosca será no centro de um campo de futebol, no grande círculo, em um alvo de 50m de diâmetro", detalha o presidente da AVLJF, Anderson Carvalho.

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A expectativa dos organizadores é de que não só participantes de Juiz de Fora estejam na disputa, mas também de outras cidades mineiras da região, além de atletas do Rio de Janeiro. "Esperamos entre 50 e 80 competidores. Só em Juiz de Fora, hoje, são cerca de 60 pilotos formados, daí essa projeção, já contando com quem vem de fora. Vai ser uma festa bacana", prevê Caravalho.

 

Como chegar

A realização do torneio em Machados tem uma explicação simples: em Juiz de Fora é praticamente impossível voar de parapente, por conta das regras de tráfego aéreo. Assim, a decisão foi ir até uma área sem problemas e conhecida dos praticantes. "Por conta do Aeroporto da Serrinha, não podemos fazer voos em um perímetro muito grande de Juiz de Fora. Machados é uma montanha que chamamos de nível 1, onde se consegue voar em qualquer época do ano e com uma margem de segurança muito grande", explica Carvalho.

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Segundo o organizador, para o público, o mais interessante é ficar onde a ação vai acontecer, perto dos locais de aterrissagem. Já os pilotos terão um esquema especial de acesso à rampa de lançamento. "Chegar em Machados é simples. Basta ir até Bicas, pegar a estrada rumo a São João Nepomuceno, andar 2km e entrar no acesso ao distrito. A partir daí, são 6km até chegar lá. Vai estar tudo sinalizado. Quem vai para assistir, deve ficar por ali mesmo, perto do campo de futebol. Os competidores seguirão de caminhão até a entrada da trilha que leva à rampa. O local de onde eles iniciam o voo está a 400m de desnível em relação ao lugar de pouso, a uma altitude de 1000m com relação ao nível do mar", conta o organizador.

 

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Ajuda dos céus

Os pilotos, novatos ou experientes, sabem que a precisão na hora de tocar o solo depende, literalmente, de uma forcinha dos céus. Praticante de parapente há oito meses, o mecânico de automóveis Edwagner Fernandes, 30 anos, atesta que nem tudo está sob o controle do piloto na hora de buscar o pouso perfeito. "Depende de muita coisa, principalmente do momento que você escolher para fazer a aproximação. Tem que ter muita mão para controlar o parapente, mas também as condições do vento são essenciais", acredita o participante da categoria iniciante.

Há quatro anos, quase completando seu quinto, no esporte, o mecânico industrial Leonardo Morais, 40, quer fazer bonito na disputa, mas sabe que um pouso seguro vem em primeiro lugar. "A principal tática para ser preciso no pouso é conhecer bem seu potencial e de seu equipamento. Estar acostumado com a área também ajuda. Mas se você pega uma térmica ou uma rajada na hora de acertar a mosca, nada daquilo adianta. Aí é pensar na segurança. Uma atitude impensada pode transformar a disputa sadia em um acidente", aconselha o competidor da master.

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Acima de tudo, segurança

Carvalho voa há oito dos seus 38 anos. Há quatro, é instrutor nível IV da ABVL e, desde então, ministra cursos de formação na cidade, dividindo o tempo com sua rotina de policial militar. Segundo ele, a prática do parapente em Juiz de Fora vem crescendo, apesar das restrições para a realização de voos e da falta de apoio ao esporte. "A quantidade de interessados é grande. Os cursos sempre estão sendo ministrados, mesmo sem apoio. Os lugares para a prática na cidade não são homologados, por conta do aeroporto, então tentamos melhorar, buscar uma solução para a situação, mas não conseguimos. Mesmo assim, o número de pilotos formados aumenta a cada ano. É o jeito de voar mais fácil do mundo. Isso exerce um fascínio grande nas pessoas", acredita Anderson.

Mas para começar na modalidade, antes de tudo é preciso fazer um teste e, indo mais à frente, respeitar os fatores que podem transformar o esporte em tragédia. "O candidato a piloto passa por uma avaliação psicológica, faz um voo duplo de instrução para ver se fica confortável lá em cima e, só depois disso, começa o curso. É importante também procurar a associação, conversar com pilotos formados que podem indicar os instrutores", diz Carvalho. Um equipamento completo de parapente custa cerca de R$ 8 mil, e o curso de formação sai a R$ 1.500, com

 

 

duração mínima de três meses e sem prazo certo para acabar. "Vamos até o aluno pegar segurança", completa o instrutor.

Quando se está em um esporte radical que pode tirar a vida do praticante, os cuidados devem ser redobrados. E os pilotos de parapente têm no máximo zelo sua mais poderosa arma contra tragédias. "Você faz um curso com aulas teóricas, de como o parapente funciona, a física envolvida. Depois estuda termologia, correntes de ar e relevo, além das regras de voo e diretrizes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que devem ser respeitadas. Passa por provas escritas e práticas. É uma formação bem completa", explica Leonardo Morais. "Tenho um conselho recebido no curso que levo sempre que vou voar: se você está conectado, vai inflar o parapente; se não estiver confiante, aborta e checa todo o equipamento de novo", completa Edwagner.

 

Desrespeito

Recentemente, o vídeo no qual o instrutor Luiz Gonzaga Pereira, fazendo um voo duplo no Rio de Janeiro, se perde em uma nuvem e passa momentos de desespero ganhou repercussão nacional. Para os pilotos juiz-foranos, uma combinação de desrespeito às condições do tempo e falta de equipamento. "Nesse episódio, o piloto não respeitou a natureza. Já entrei em nuvens várias vezes. Aparelhos como o GPS e a bússola me ensinam onde vou. Como ele não os tinha, entrou em desespero. Foi muito arriscado", avalia Anderson Carvalho. "Ali, com aquela condição, a rampa deveria estar fechada para voo, seja o piloto experiente ou não", critica Morais.

Para Edwagner, o risco confere emoção ao parapente, mas até mesmo ele pode ser controlado e deixado em seu nível mínimo, fazendo com que o praticante tenha uma experiência única. "É um esporte radical e, como tal, envolve certo risco, mas dentro de uma margem. Fazendo tudo certo, tendo os equipamentos de segurança e emergência, como o paraquedas reserva, por exemplo, os acidentes graves são evitáveis. Claro que sempre há o imprevisto, mas isso também dá a graça ao esporte."

Contatos da AVLJF: www.avljf.com.br (32) 8875 5452

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