
JF Mamutes e Juiz de Fora Red Fox têm planos de crescimento para 2016 (Leonardo Costa)
Distantes dos milhões de dólares movimentados a cada ano no Super Bowl, decisão da liga de futebol americano nos Estados Unidos, é a paixão de um grupo de juiz-foranos pelo esporte que tem superado dificuldades e acelerado os passos da cidade no cenário nacional da modalidade. Rivais em campo, mas parceiros fora dele, as equipes JF Mamutes e Juiz de Fora Red Fox se preparam para um 2016 com planos ousados de crescimento. Pela primeira vez os times vão participar da Liga Fluminense de Futebol Americano (Liffa).
Com menos de um ano de existência, o JF Mamutes será o caçula na disputa. Nada que tire a confiança do presidente e “tight end” da equipe, Laércio Azalim Júnior. “Para manter o foco da equipe, precisávamos disputar um campeonato como a Liga Fluminense. É um campeonato de alto nível, no qual vamos enfrentar equipes de ponta. Nossa intenção é entrar para ganhar. Temos material humano para isso, só que precisamos trabalhar muito para conseguir alguma coisa. O Red Fox é bem mais experiente que a gente, mas nosso planejamento é de vitória.”
Por outro lado, o Juiz de Fora Red Fox possui mais tempo de estrada, oito anos de história, mas nem por isso está livre de dificuldades. “Linebacker” e um dos dirigentes da equipe, Matheus “Locke” Lawall participa do grupo desde 2009, e segue na busca por crescimento estrutural para o time. “A questão do apoio é o que mais pega. Nosso ideal seria jogar torneios full-pad (com uso de equipamento de segurança completo), só que um kit top de linha custa R$ 3 mil. Se comprar usado, já sai por R$ 1.300 cada. Com 50 pessoas no time é algo realmente difícil. Nossa ideia é conseguir concretizar isso em 2016.”
Na disputa da Liffa, as equipes de Juiz de Fora não terão vida fácil. A competição começará a ser disputada em março, e os juiz-foranos vão participar do torneio no-pad (sem a obrigatoriedade do uso de equipamentos de segurança) na divisão Norte, ao lado de Itaperuna Blackstones, Goytacá Indians e Rio das Ostras Warriors.
Já na divisão Sul estarão o Angra Destroyers, Gaditas F.A (Mangaratiba), Duques F.A (Duque de Caxias), Blaze F.A (Rio de Janeiro) e São Gonçalo Shadows.
Embora ainda tímida, a prática do futebol americano na cidade já atrai mais de cem atletas divididos entre as duas equipes. Enquanto o Red Fox possui cinco dezenas de jogadores, os Mamutes já contam com 62 integrantes na manada. Uma divisão que é encarada como benéfica para os dois times.
“Fiquei sabendo do Red Fox uma semana antes de criar o time”, afirma Laércio. “A intenção é ter uma rivalidade sadia, e que possamos promover ganhos para as duas equipes. A rivalidade dentro de campo é inevitável e boa, faz com que os dois cresçam. Quem sabe Juiz de Fora se tornará um pólo no futebol americano?”
Apesar de uma desconfiança inicial, os rivais do Red Fox se habituaram com a concorrência dos Mamutes e hoje tiram proveito da convivência amistosa entre os times. Segundo o dirigente Matheus Lawall, “inicialmente éramos contra a ideia. A gente pensava que quando tivesse um novato iríamos dividir forças. Mas com o tempo a gente percebeu que, tendo dois times, se um melhora o outro quer melhorar também. Sempre vai haver a rivalidade de provar quem é o time de Juiz de Fora. É uma rivalidade boa, que ajuda e tende a crescer. Por termos um relacionamento muito bom fora de campo é excelente. Se quisermos fazer um treinamento mais sério, temos com quem treinar. Você quer melhorar o seu nível quando está disputando com alguém. Não se acomoda.”
Falta de apoio dificulta
Mais do que enfrentar adversários com longo tempo na estrada, o principal desafio para as equipes juiz-foranas está na busca por apoio para se manterem em atividade. E cada um coloca em prática estratégias diferentes. No Juiz de Fora Red Fox os atletas são seus próprios investidores.
“Temos apoio do Crossfit 2585. Eles disponibilizam uma turma só para o nosso time com valor diferenciado. É o único apoio que temos hoje em dia. De resto, cada jogador veterano paga uma mensalidade de R$ 20. Já os novatos não precisam pagar. Tudo isso para custear gastos”, afirma Matheus Lawall.
Já o JF Mamutes aposta na venda de cotas de patrocínios. Atualmente, a Academia MZN e a Abstrato Design são apoiadores fixos. Além disso, a equipe busca parceiros pontuais para o custeio de eventos e do material esportivo. “Para o último evento que fizemos, conseguimos 19 patrocinadores que dividiram os custos. Ninguém recebe nada na equipe. Os patrocínios são só para sustentar o projeto. Fazemos por amor ao esporte. Acabamos nos tornando uma grande família. Todo mundo se ajuda sem que seja um sacrifício”, diz Laércio Azalim Júnior, que todos os domingos reúne os atletas para treinamentos no campo do ferroviário, no Poço Rico.
“Quando chegamos aqui a comunidade abraçou a equipe. Até pelo fato de o campo estar abandonado e ser usado para consumo de drogas. Quando chegamos o ambiente mudou. A vizinhança já sabe quando é o nosso treino. Temos até alguns fãs que todos os domingos vêm acompanhar, mesmo sem entender muita coisa. No primeiro evento que a gente fez deu mais ou menos 500 pessoas aqui em volta.”
Para comemorar o primeiro aniversário, o JF Mamutes vai promover um domingo dedicado ao futebol americano. No dia 17 de janeiro, no campo do ferroviário, serão diversas atrações. Em meio a apresentações musicais, os talentos de Juiz de Fora serão os destaques principais.
A partida preliminar terá o Juiz de Fora Red Fox encarando um adversário que ainda não foi definido. Já o jogo principal será entre JF Mamutes e UFLA Leões de Lavras. Nos intervalos dos duelos acontecerão duas exibições, primeiro com o JF Rugby, e depois com a equipe feminina UFLA Leoas de Lavras. “Nossa intenção é que a pessoa chegue às 9h e só saia no fim da tarde”, encerra Laércio Azalim Júnior.

