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Um ano para subir novos degraus

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Não há dúvidas de que o ano de 2011 vai deixar saudades no imaginário do torcedor juiz-forano. Mas é chegada a hora de virar a página, e qualquer ressaca que atordoe a cabeça neste momento é justificável. Afinal, foram grandes as alegrias no cenário esportivo e não faltaram razões para comemorações. A temporada passada foi a da consagração dos dois maiores investimentos no esporte profissional da cidade. Foi o ano do acesso, de subir degraus.

Com a conquista do título inédito da Série D do Campeonato Brasileiro, o Tupi deu mais que um pequeno passo: foi um salto gigantesco que garantiu um calendário cheio em 2012, ano que marca o centenário carijó, e uma vaga no grupo dos 60 melhores clubes do país ao chegar à Terceira Divisão Nacional. Com o mesmo brilhantismo, a equipe de vôlei sagrou-se vice-campeã da Liga Nacional Masculina e conseguiu passe livre em uma confraria ainda mais seleta: a badalada e concorrida Superliga, que reúne os 12 principais esquadrões da modalidade no país.

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Quanto melhores os resultados, maiores as responsabilidades. E o que se espera de um ano que começa com festa é que ele transcorra da mesma forma, com 365 dias de alegrias nos campos e nas quadras. Cada um à sua maneira, os responsáveis pela manutenção do sucesso recente de Tupi e UFJF trabalham para suprir estes anseios. Assim, o vice-presidente de futebol carijó, José Roberto Maranhas, e o técnico da Federal, Maurício Bara, não fugiram das perguntas e revelaram em entrevista à Tribuna seus planejamentos para a temporada que se anuncia.

 

Por um novo acesso

Em Santa Terezinha, o ano está definido: Campeonato Mineiro no primeiro semestre, Série C no segundo. Embora o discurso sereno da diretoria carijó seja de que as duas competições têm importâncias semelhantes, não é preciso muito esforço para fazer com que os cartolas admitam que o acesso à Segundona do Brasileiro é a meta a ser alcançada. "No Mineiro, vamos manter os pés no chão. O primeiro pensamento é não cair e, depois, almejar algo maior. Na Série C, planos mais audaciosos. Subir é o grande sonho. Temos que aproveitar o embalo. Por isso, vamos trabalhar a base do grupo no Estadual e depois buscar os reforços necessários para o Brasileirão", afirma Maranhas.

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E o pensamento de buscar o acesso à Série B está bem claro desde a formação do plantel 2012. Boa parte da base campeã carijó foi mantida, e a maioria dos jogadores renovou seus contratos até o final da temporada. Alguns reforços já pintaram em Santa Terezinha, entre os principais, o retorno de velhos conhecidos da torcida juiz-forana, como o zagueiro Fabrício Soares e os meias Léo Salino e Michel Cury. "Essa possibilidade de calendário cheio ajuda nessa relação com os jogadores e na formação do elenco. Os contratos mais longos também são um argumento a mais na negociação."

Maranhas admite ainda a possibilidade de o Tupi participar da Taça Minas em 2012. "Sabemos que o calendário depende de nosso desempenho. A primeira fase da Série C acaba em julho. Caso a equipe não avance, nosso ano pode acabar ali. Claro que o planejamento é para que isso não aconteça. Estamos também estudando a possibilidade de disputar a Taça Minas. Mas isso depende também do nosso orçamento."

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Falando em dinheiro, o vice-presidente de futebol do Tupi afirmou que o clube trabalha com um orçamento similar ao do ano passado, algo em torno de R$ 140 mil mensais. A diretoria acredita que o título de campeão da Série D e a comemoração do centenário carijó possam incentivar a chegada de novos parceiros financeiros. Alguns contatos já foram iniciados, e a expectativa é de que repostas positivas ocorram nos dez primeiros dias de janeiro.

Outra forma encontrada pela atual gestão para capitalizar o clube será o lançamento de duas campanhas voltadas ao torcedor. Em uma delas, sócios-contribuintes pagarão uma mensalidade que dá direito aos ingressos de todos os jogos do Carijó no ano e acesso à sede social do clube. No outro, 300 torcedores poderão estampar seus nomes na camisa que a equipe irá utilizar em seu primeiro jogo em casa pelo Campeonato Mineiro, no dia 4 de fevereiro, contra o Nacional de Nova Serrana.

 

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Pela permanência na elite

Enquanto o Tupi sonha em galgar mais um degrau em direção à elite do futebol nacional, os planos da UFJF são bem similares. O principal objetivo da Federal em 2012 é permanecer no topo e emendar uma sequência de várias temporadas na maior competição do país.

"O ano de 2011 foi especial, quando os trabalhos dos últimos três anos surtiram os primeiros resultados mais palpáveis. Jogamos muito, perdemos pouco e chegamos às finais de quase todos os torneio que disputamos. Cumprimos um objetivo que foi traçado no início do projeto. A partir do momento que você chega à Superliga, muda o discurso. Agora é perpetuar o trabalho e sobreviver ao primeiro ano na competição", analisa o técnico Maurício Bara.

Ainda sem traçar voos maiores, Bara reconhece que até mesmo a manutenção da UFJF na Superliga na temporada 2012/2013 será um desafio difícil. "O planejamento passa por dois objetivos. Primeiro, temos que evitar o descenso, que cabe ao último colocado. Mas o ideal seria chegar até a oitava posição, que é carimbo garantido na próxima edição do campeonato, sem a necessidade de cumprir nenhuma exigência. Acho isso perfeitamente possível. O grupo também tem essa consciência, mas será uma luta muito dura. Uma batalha atrás da outra."

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Apesar do calendário apontar um novo ano, Bara entende que os destinos da temporada 2012 só serão definidos após o encerramento da participação juiz-forana na Superliga. "Nosso ano está muito condicionado a isso. Garantindo a permanência, teremos um planejamento. Caso contrário, será outro o cronograma. O Jardel (meio de rede da Federal) mesmo me ligou no Natal e falou que o presente ficaria para depois, quando terminar o campeonato e, consequentemente, nosso ano."

Bara também revela que, em 2012, a UFJF deve intensificar seus trabalhos nas categorias de base. "O outro ponto que queremos trabalhar nesta temporada é o crescimento do nosso projeto de base, que ainda está embrionário. Queremos buscar jogadores da região com idade entre 12 e 13 anos, que serão trabalhados por até seis anos, podendo ser aproveitados na equipe profissional no futuro."

 

Aceleração de obras do Ginásio em pauta

A manutenção do bom momento do esporte profissional observado em Juiz de Fora na última temporada pode ganhar um importante aliado até o fim de 2012. Apesar do cronograma atual prever a conclusão das obras do Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos Nazaré Campos para meados de 2013, o secretário de Esporte e Lazer, Renato Miranda, ventila a possibilidade de que parcerias com a iniciativa privada possam acelerar os andamentos dos trabalhos.

"A obra não para, e isso já foi uma conquista muito grande de nossa gestão. Agora estamos gastando todas as nossas energias para tentar acelerar isso. Temos a possibilidade de buscar parceiros que nos auxiliem nesse objetivo. Talvez a Confederação Brasileira de Vôlei, já que não existe outro ginásio desse porte próximo ao Rio de Janeiro. É uma obra importante, que pode nos ajudar bastante em nosso anseio de abrigar delegações estrangeira durante as Olimpíadas do Rio, em 2016, e a Copa do Mundo de 2014. Quanto antes ele estiver pronto, melhor."

O secretário também falou sobre os planos para tentar incrementar o calendário esportivo local em 2012 e revelou que já estão sendo feitas ações para trazer um campeonato de futebol com grandes equipes do país e do exterior, na categoria sub-17. "É o Brazil Football Festival, uma competição das categorias de base que reúne grandes times brasileiros e representantes de países europeus. É um torneio que já existe há cinco anos, já foi disputado em Brasília, Porto Seguro e Jundiaí, e é organizado por uma empresa privada. As conversas já foram iniciadas, e o martelo deve ser batido até fevereiro. Se tudo der certo, o campeonato deve acontecer em julho, aproveitando as férias estudantis."

Segundo Miranda, a SEL também trabalha para atrair outros dois grandes eventos esportivos: as finais dos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg), que foram realizadas em Juiz de Fora em 2011; e uma seletiva nacional da Gymnasiade, espécie de olimpíada estudantil que será disputada no Brasil em 2013.

Renato Miranda também aproveitou para fazer uma análise positiva do ano de 2011, quando, segundo ele, ocorreram grandes avanços nas políticas voltadas para o esporte na cidade. "Caracterizamos e evoluímos em muitas coisas. Não há nenhum setor que não tenhamos acompanhado, desde a formação de atletas até as competições. Isso faz com que o futuro esportivo de Juiz de Fora seja muito promissor."

 

Sonhos possíveis nas bikes e nas piscinas

Existem competições e competições. Inegavelmente, o grande marco esportivo da temporada 2012 será a Olimpíada de Londres, entre julho e agosto. Se todo o mundo já está com os olhos voltados para a capital inglesa, em Juiz de Fora, as coisas não poderiam ser diferentes.

Dois atletas locais alimentam o sonho de estar no torneio olímpico de mountain bike. Roberta Stopa (MOB/Ashima/X-Fusion/Da Matta) e Thiago Aroeira (Merida/Fox/TMP Embalagens) estão em situações semelhantes. Até maio, os bikers irão participar de diversas competições nacionais e internacionais para tentar ajudar o Brasil a conquistar os pontos necessários para garantir uma das 18 vagas da competição. Caso os brasileiros garantam o passaporte brasileiro no masculino e no feminino – ou mesmo em apenas um deles -, os juiz-foranos deverão participar de uma seletiva nacional para definir o competidor que irá representar o país nas Olimpíadas.

"Terminei a temporada 2011 antes do previsto para iniciar 2012 pensando apenas em chegar às Olimpíadas. Meu foco é esse. Se eu tirar pelo meu retrospecto recente, acredito que é um sonho possível. O ano passado foi muito bom. Fechei como a melhor atleta olímpica da modalidade no país e conquistei o bronze no Pan. Vou tentar repetir esse desempenho para conseguir chegar a Londres", conta Roberta.

Aroeira também confia na possibilidade de disputar o torneio olímpico e afirma que, agora, os bikers precisam pensar por etapas. "Estou confiante. Fechei 2011 em primeiro no ranking nacional. Estou na briga. Mas, primeiro temos que fazer um trabalho em conjunto com outros bikers e com a confederação nacional, que precisa ajudar os atletas a participarem do maior número de provas possíveis, aumentando as chances de pontuação. Só depois poderemos pensar nas seletivas e até mesmo nas Olimpíadas."

Das bikes para as piscinas, outra juiz-forana que também pode dar as caras em Londres é a nadadora Larissa Martins. A local está sendo preparada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, mas não descarta a possibilidade de fazer sua estreia nas próximas Olimpíadas, caso consiga o índice.

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