
Açougues tentam minimizar repasse para o consumidor final
A ausência de chuvas e as altas temperaturas não têm provocado apenas a falta d’água, mas elevado os preços dos alimentos. A carne bovina, item comum no cardápio do brasileiro, está entre aqueles que já sofrem com a seca e pressionam o orçamento familiar. Nas casas especializadas em Juiz de Fora, o produto registra aumento de quase 20%. Em março, quando o problema começou a se destacar, a arroba era comercializada na cidade a R$ 108, e agora, segundo o Sindicato Rural de Juiz de Fora, os valores chegam a até R$ 125, um aumento de 15,7%. De acordo com a prévia divulgada pelo IBGE no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), as carnes ficaram até 2,3% mais caras em setembro. A tendência é que o preço continue a subir.
“Não percebo queda nos preços dentro dos próximos meses. Em dezembro, a arroba do boi deve fechar em até R$ 132”, comenta o presidente do Sindicato Rural, Domingos Netto, acrescentando que nos últimos quatro meses, o efeito da seca, somado às exportações, freou o consumo e aumentou os preços. “Estamos na iminência de importar carne para o consumo interno, para que possamos cumprir os contratos de exportação.”
Nos estabelecimentos, os comerciantes tentam não passar a diferença para o bolso do consumidor. “Tivemos que aumentar cerca de 10% no preço das carnes bovina, suína e de aves, já que uma acaba puxando a outra. Em outubro, pretendemos manter os valores para não repassar aos fregueses. Há quatro meses, o movimento no açougue caiu quase 40%”, ressalta o gerente do Açougue Jurema, Wilton de Lima.
O proprietário do Açougue Bom Preço, Edimilson Dias, conta que alterou o preço das carnes três vezes nos últimos 30 dias. “Está difícil encontrar boi gordo e de qualidade na região e, mesmo assim, os preços estão altos. A única garantia de redução nos valores é a chuva. Se não, só Deus sabe como vai ficar”, lamenta. No Açougue Bom Bife, o gerente Luciano Barboza conta que a carne de boi está mais magra, mas o preço, bem gordo. “Neste mês, aumentamos o preço duas vezes. Neste acumulado, mesmo sem encerrarmos setembro, os valores subiram cerca de 20%. Para outubro, ainda não temos nenhuma previsão. Tudo vai depender das chuvas.”

