Os consumidores juiz-foranos estão mais conscientes do que a média registrada no país e na capital, Belo Horizonte. Enquanto o índice de registros de inadimplência do município em julho avançou 4,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. No país a alta foi de 8,55% e, em Belo Horizonte, as ocorrências aumentaram 21,4% no mesmo período. Já em relação a junho, o crescimento em Juiz de Fora foi de 1,5% e, no acumulado do ano (janeiro a julho), o aumento foi de 4,3%, também menor que o índice nacional, que chegou a 4,91%. Os dados são do SPC Brasil e foram divulgados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL/JF).
Para o presidente do CDL, Vandir Domingos, um dos fatores que podem explicar o índice menor na cidade é que, diante dos aumentos consecutivos na taxa de juros, parte dos consumidores está mais criteriosa diante do consumo de bens duráveis. Ele também aponta que as medidas anti-inflacionárias tomadas pelo Governo este ano estão surtindo efeito no município, e que o consumidor está mais cauteloso aos assumir dívidas. Muitos estão nos procurando para renegociar as dívidas.
Domingos afirma que o grande vilão do endividamento continua sendo o cartão de crédito, o cheque especial e outras formas de crédito pessoal. Também estamos orientando os lojistas para que sejam bem criteriosos na concessão de crédito para que não seja criado um problema maior no futuro. Os juros do cheque especial atingiram este mês o maior patamar em cinco anos, chegando a 8,27% ao mês (159,48% ao ano), o que tem preocupado o comércio de forma geral. Um dos receios da CDL é que os consumidores não estejam aptos no momento das vendas de fim de ano.
Apesar do crescimento da inadimplência no país, o nível de endividamento das famílias brasileiras caiu pelo terceiro mês seguido. De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice ficou em 62,5%, ante 63,5% em julho.
União
A Serasa Experian e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) firmaram um acordo de troca de informações em relação ao do tomador de crédito que integra o cadastro de uma das empresas, ampliando o cerco aos inadimplentes.
O que estará disponível para as duas entidades é o perfil do consumidor, com a informação sobre se ele tem ou não por hábito pagar suas contas em dia. O que era uma ferramenta importante, principalmente para o pequeno lojista, ganha ainda mais relevância com o aumento das vendas e, consequentemente, da oferta de crédito.
