Cerca de 40% das empresas mineiras devem continuar a demitir nos próximos seis meses em função da necessidade de conter produção e minimizar dificuldades financeiras. Apesar das medidas paliativas já adotadas para reduzir o uso de mão de obra, como diminuição de turnos, banco de horas e férias coletivas, as indústrias não estão conseguindo manter o nível de emprego. A constatação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio de sondagem industrial especial sobre emprego, e vale também para a Zona da Mata.
Em Juiz de Fora, a indústria da construção civil e a de transformação demitiram mais do que contrataram, resultando no corte de 267 e 97 postos de trabalho formais, respectivamente, nos seis primeiros meses do ano. Considerando todos os setores econômicos, foram eliminados 1.481 empregos com carteira assinada no município no semestre. O cenário local encontra respaldo na situação mineira. Conforme a sondagem, a maioria das indústrias mineiras (59%) diminuiu o número de empregados no período avaliado.
O presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, reconhece as demissões, mas pondera que não são tão representativas quanto as do comércio. O setor responde pelo maior percentual de cortes de empregos formais em Juiz de Fora (-1.127). Campolina confirma, no entanto, que a produção realmente caiu, reflexo, na cidade, da situação macroeconômica. “É uma questão estrutural. O comércio está comprando menos, e a indústria está faturando um pouco menos também.” Conforme a Pesquisa Indicadores Industriais (Index), elaborada pela Fiemg em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria da Zona da Mata apresentou queda de 10,13%, assim como as horas trabalhadas (-8,70%) e a massa salarial real (-2,42%) na análise dos cinco primeiros meses do ano ante igual período de 2014.
Campolina destaca, ainda, o fato de a indústria local trabalhar com bens de consumo não duráveis, não afetados pela crise na mesma proporção que outros setores, como os de mineração (ferro e aço) e automotivo. “Tudo leva a crer que estamos melhores do que o resto do estado.” No relatório, a Fiemg atribui o cenário à situação econômica do país, caracterizada por aumento da inflação, taxa de juros elevada, recuo no consumo, baixa produção e expectativas negativas do empresariado.
Pessimismo
A Fiemg também identificou que o pessimismo dos empresários continua acentuado em relação às condições atuais e futuras da economia brasileira, refletindo diretamente na tomada de decisões. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (ICEI-MG) registrou 34,3 pontos em julho – números abaixo de 50 indicam falta de confiança. Segundo a economista da Fiemg, Erika Cristina Mendes Amaral, é um dos menores índices de toda a série histórica da pesquisa. Apesar de a falta de otimismo ser identificada em todos os perfis de negócio, as pequenas e médias empresas apresentaram números ainda mais baixos – 32,2 e 32,4 pontos, respectivamente. De acordo com a economista, o setor industrial acredita que a crise pode se estender pelo próximo ano.
