
Apesar de completar um ano de funcionamento neste mês de abril, o sistema do bilhete único ainda é desconhecido por boa parte dos juiz-foranos. Apenas 295 usuários de ônibus possuem o cartão eletrônico específico que garante a cobrança da tarifa unificada para o uso de dois coletivos – uma pequena evolução se comparado aos 141 verificados em abril de 2014. Com a proposta inicial de atender todos os bairros até o final do ano passado, o projeto está restrito a dez das 265 linhas existentes e aguarda a conclusão da licitação do transporte público, ainda sem data definida, para ser ampliado.
O bilhete único garante que o passageiro das linhas que integram o projeto pague o valor de R$ 3,37 para usar outro ônibus, desde que a viagem seja para uma região diferente e aconteça no intervalo de uma hora e 30 minutos. É necessário que pelo menos um dos veículos pertença ao sistema. O valor representa economia de 25% se comparado aos R$ 4,50 pagos por duas passagens. As linhas Filgueiras (103), Graminha (218), Caeté (304), Salvaterra (518), Universidade (555), Rodoviária (640), Dias Tavares (712), Paula Lima (729), Circular Benfica – Senai/Via BR 040 (754) e Distrito Industrial – Circular Benfica (756) são atendidas pelo sistema.
A Tribuna percorreu os pontos de ônibus do Centro e constatou que a iniciativa de integração tarifária ainda é desconhecida por muitos juiz-foranos. O pastor Celso José da Silva, 56 anos, conta que gasta até 18 passagens de ônibus por dia para realizar seu trabalho em diferentes bairros, mas que não estava informado sobre o bilhete único. “Acabo de voltar do Bairro Filgueiras e estou indo para São Pedro, visito todas as regiões da cidade. Pagar mais barato pela passagem me ajudaria muito a economizar, mas não sei como funciona.”
A falta de informação atinge até mesmo os usuários frequentes das linhas que integram o sistema e deixam de se beneficiar com o serviço. Moradora do Bairro Filgueiras, a camareira Ercília da Costa, 48, diz que desconhece o projeto. “Não sabia que existia essa possibilidade de pagar mais barato por duas passagens.” Residente em Caeté e funcionária de um restaurante no Centro, Kelly Cristina, 20, visita a mãe duas vezes por semana no Bairro Sagrado Coração. “Já ouvi falar do bilhete único, mas não uso. Não sei se vale a pena.”
O secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, reconhece que o uso do sistema está “aquém do esperado”. “Nós fizemos a divulgação nos meios de comunicação e os ônibus que integram o projeto circulam identificados por um adesivo. Acredito que a adesão ainda seja pequena por ser uma medida nova e que ainda está restrita a poucas linhas.” Ele ressalta que em um ano de projeto não foi detectado nenhum tipo de transtorno operacional.
Expansão só ocorrerá após licitação
Para fazer uso do bilhete único, o usuário deve estar de posse de cartão eletrônico específico, adquirido mediante cadastro feito na Astransp, no Centro. O local é a única alternativa para retirada do cartão. A assessoria da órgão explica que foi acordado com a Settra que todo o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público em Juiz de Fora seja feito pela associação. “O bilhete único é uma das modalidades da bilhetagem eletrônica, por isso, é de competência da Astransp. A nossa central é responsável por esses atendimentos.” Tortoriello ressalta que, para emissão do documento é necessária capacidade técnica. “Essa infraestrutura é oferecida pela associação. Não acredito que o fato de termos um único local realizando cadastros seja problema. A adesão ao projeto será gradativa, a partir do momento em que realizarmos a expansão para as demais linhas.”
Sobre o prazo para expansão do bilhete único para todos os bairros, o secretário de Transporte reafirma que acontecerá junto com a conclusão da licitação do transporte público, ainda sem data definida para ocorrer. “O edital será lançado até junho e daremos andamento ao processo licitatório “,diz. “Acredito que a partir do momento em que mais linhas forem atendidas, o número de usuários do sistema também irá aumentar.” A tarifa única é uma promessa de campanha do prefeito Bruno Siqueira (PMDB).
Até então sem ter ouvido falar sobre o bilhete único, a estudante Tatiana de Souza, 19, se interessou pela iniciativa. “Moro no Bairro Santa Cândida e visito minha irmã com frequência no Parque Independência. Seria bom se o projeto chegasse a essas linhas.” A atendente de telemarketing Daniela Calasence, 25, também não estava informada, mas aprovou a ideia. “Moro no Nossa Senhora de Fátima e trabalho no Democrata, ajudaria a economizar.”
O bilhete único pode ser feito na Rua Espírito Santo 296, Centro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h.

