
Passado o período de estímulo ao consumo e gastos, muitos deles acima do previsto, os consumidores voltam-se a suas planilhas e extratos bancários para organizar as contas a serem pagas no início de ano. Entre os compromissos a serem quitados estão tributos como IPVA, IPTU, seguro obrigatório, além da taxa de licenciamento, do material e matrícula escolar (no caso de famílias com filhos).
Todos os economistas ouvidos pela Tribuna foram enfáticos ao destacar que, em todas as contas, deve ser priorizado o pagamento à vista (ver quadro). Mesmo no caso do IPTU em Juiz de Fora, cujo desconto caiu de 10% para 8%, o economista Guilherme Ventura orienta o pagamento em parcela única. "Para quem vai parcelar, é como se estivesse fazendo uma operação de crédito. Embora a taxa possa parecer baixa para quem já possui outras dívidas, ainda é alta para quem é aplicador." Em relação ao parcelamento do IPVA, ele afirma que costuma representar uma taxa superior à do IPTU, em virtude do parcelamento máximo ser em três vezes.
A professora de economia do Instituto IOB, Luiza Sampaio, alerta para a necessidade de o consumidor ter se programado para arcar com essas dívidas. "Em um investimento como a poupança, o rendimento médio é de 0,6% ao mês, sendo preferível quitar os impostos à vista." De acordo com o presidente do conselho e diretor de economia da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, é necessário atenção especial ao tributos, já que qualquer atraso pode acarretar em nome "negativado" e multas, algumas delas com percentual de até 20% sobre o valor do imposto ou taxa.
Segundo Vertamatti, caso o contribuinte tenha necessidade de realizar um empréstimo para quitar esses gastos, o recomendado é a modalidade de consignado, que tem juros de 30% ao ano. Já para aqueles que não conseguiram sair do rotativo do cartão de crédito, ele orienta alternativas como a negociação de pagamento junto à operadora e também a solicitação de cancelamento do valor da anuidade.
Organização para sair do vermelho
Para não chegar nesse período sem condições de arcar com os gastos que vêm pela frente, o economista Guilherme Ventura recomenda, no planejamento financeiro, a programação de uma reserva mensal ou uma parte do 13º para cumprir estas necessidades de gastos. "Devemos lembrar que eles não são imprevistos que acontecem, mas sim possuem regularidade em todos os anos."
O presidente do conselho da Anefac, Roberto Vertamatti, recomenda que os consumidores coloquem no papel o quanto recebem e quais os gastos mensais a serem pagos. "E sempre que for comprar alguma coisa fazer a pergunta: ‘Eu preciso deste bem?’. ‘Preciso comprá-lo agora ou posso deixar para depois?’." Segundo ele, é necessário organizar a vida financeira, elaborando um orçamento doméstico como forma de definir quais são as reais necessidades e planejar todos os gastos considerando sempre a renda disponível, "e não a renda disponível mais crédito, ou seja, os gastos têm que caber dentro do salário".
A recomendação da Anefac é que a população sempre faça uma reserva para quitar essas dívidas de início do ano e tome cuidado com o crédito ao consumidor. "Esses empréstimos sempre têm juros e, os juros no Brasil continuam altíssimos, mesmo nas modalidades mais baratas." Vertamatti também recomenda cautela, em uma época de facilidade de crédito. "Com o crescimento do crédito é preciso que as pessoas saibam como usá-lo para melhorar a sua vida sem gerar problemas."

