
Índice de reajuste do alho também é elevado, chegando a 54% (LEONARDO COSTA/28-10-15)
A sensação de que o dinheiro na carteira pode não ser suficiente para fazer a compra de mês – que aflige a maioria de consumidores no país – também preocupa o juiz-forano. De um ano para o outro, a maioria dos alimentos que compõe a cesta básica regional aumentou, muitos deles acima da inflação. Houve produto, como o macarrão espaguete, cujo preço do quilo mais do que dobrou na comparação com 2014 (114,65%). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro foi de 9,49% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. Considerando a alimentação dentro do lar, a pressão inflacionária ganha dois dígitos e chega a 10% no mesmo período avaliado.
A Tribuna analisou o comportamento de preço de cada um dos 22 itens que integram a cesta regional e constatou que 68% apresentaram alta de 2014 para 2015. Dentre os 15 alimentos que estão mais caros este ano, oito subiram acima da inflação (ver quadro). Os itens mais salgados na mesa do juiz-forano são, além do espaguete, alho (54%), batata inglesa (41,9%), cebola (31,28%), açúcar cristal (30,83%), pão de sal francês (22,31%), ovos brancos (17,39%) e óleo de soja (15,80%). A comparação teve por base os preços médios apurados pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) em pesquisas divulgadas nos dias 22 de outubro de 2015 e 23 de outubro de 2014.
O que o consumidor não esperava é que os alimentos deveriam estar ainda mais caros este ano. Segundo o gerente da Unidade Juiz de Fora da CeasaMinas, Vinícius Dias Barros, em função da crise hídrica e da redução de plantio, a expectativa do mercado era que, teoricamente, os preços ficassem ainda mais altos. Por conta do momento econômico, no entanto, tem havido cautela na majoração. “Se aumenta demais, ninguém compra.”
Segundo Vinícius, o tomate, que apresentou queda de 9,16% na comparação de preços feita pela Tribuna, é o carro-chefe dos hortifrutis e tende a subir, em função da retração da produção na região e da escassez de oferta em São Paulo. A disparada do alho, que apresentou a segunda maior alta da cesta, é atribuída à escalada do dólar, já que a maior parte do produto consumido no país é importada. Apesar da alta da batata (41,90%) e da cebola (31,28%), a avaliação é de que estes produtos tendem a apresentar trajetória de queda. Apesar de a frutas muito consumidas no verão não constarem na cesta, como laranja, melancia e coco, elas podem ficar um pouco mais caras em função do efeito sazonal.
Alternativas
O assistente de administração da SAA, Paulo Marcos Barbosa Guedes, destacou que a cesta como um todo subiu 8,6%, de R$ 263,78 para R$ 286,54 de um ano para o outro, um pouco abaixo da inflação oficial (9,49%). A oscilação é considerada por ele “relativamente pequena”. Na sua opinião, os alimentos que superaram o IPCA sofrem os efeitos de câmbio, sazonalidade e clima, além do comportamento do mercado. Na listagem, Paulo destaca macarrão e pão francês, alimentos diretamente influenciados pela majoração do trigo, importado. “Como consumidor, tenho notado que as mercadorias vêm subindo bastante, especialmente de um mês para cá. Eu acho que essa evolução vai persistir até o final do ano.” Na sua opinião, a saída do juiz-forano tem sido buscar alternativas, como a substituição de produtos, para manter o alimento na mesa, sem estrangular o orçamento doméstico.
Amis aponta cautela de consumidor
O consumidor está mais cauteloso. Embora a maioria (56,5%) afirme que manteve o consumo, 35% diminuíram as compras nos últimos três meses. Este é o resultado de pesquisa da Associação Mineira de Supermercados (Amis), realizada em parceria como o Instituto Gênese. Os preços mais altos e a necessidade de economia foram determinantes para esta decisão. A pesquisa também identificou que valor é fator decisivo na escolha do supermercado para 36,3% dos clientes mineiros.
“Os alimentos estão cada dia mais caros. De uma semana para a outra já existe alteração”, reclama a dona de casa Fátima Dias, 62 anos. Segundo ela, as promoções, na maioria das vezes, não apresentam queda expressiva de valores. “É quase o mesmo preço praticado anteriormente.” Para Fátima, a elevação está “agressiva”, principalmente nos itens básicos na mesa do consumidor, como arroz, feijão, carne, batata, legumes e leite. Dentre os alimentos citados pela dona de casa, a carne apresentou alta de 8,46% e o leite, 3,68% na cidade. A saída, afirma, tem sido trocar marcas mais caras por mais baratas, abolir as compras de mês e aderir à aquisição fracionada em promoções. “Ainda assim, está difícil.”
O superintendente da Amis, Adilson Rodrigues, acredita que a pressão inflacionária no setor é uma recomposição de custos, que não deve continuar em alta. Hoje a entidade divulga o Termômetro de Vendas de setembro. Em dados de agosto, o acumulado do ano ficou em 0,60%. Mediante este resultado, a entidade refez as contas e reduziu de 2,5% para 1% a perspectiva de crescimento este ano. Para Adilson, o quadro “ainda é tranquilo”. Na sua opinião, com exceção de alguns setores mais afetados pelo cenário econômico, como o automobilístico e a construção civil, o emprego ainda não foi afetado a ponto de impactar o consumo nos supermercados. Na Zona da Mata, houve queda de 0,14% nas vendas em agosto ante julho, conforme a Amis.

