
Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (Semaur) autuaram duas lojas no Centro da cidade por abrir antes das 9h, em função da Black Friday, que ocorreu ao longo de toda essa sexta-feira (27). Conforme o titular da pasta municipal e superintendente do Procon/JF, Eduardo Schröder, também foram registradas reclamações esporádicas, como a falta de preços em vitrines, falta de informações, produtos que não condiziam com a descrição e valor errado. Ele salientou, no entanto, que não ocorreram grandes problemas.
O Procon manteve uma unidade móvel estacionada no Calçadão da Rua Halfeld ao longo da manhã e de boa parte da tarde, mas precisou retirar o veículo, porque o motorista passou mal. A ação de fiscalização da Prefeitura também esteve presente tanto no Centro, quanto nos bairros. Além das duas lojas autuadas pelo horário, os agentes multaram outro estabelecimento pelo descumprimento dos protocolos de segurança estabelecidos pelo Programa Minas Consciente.
Embora as ruas da região central da cidade tenham ficado cheias na maior parte do tempo ao longo dessa sexta-feira, não havia grande movimento de consumidores atraídos por promoções da Black Friday. “Eu acho que a movimentação foi abaixo da expectativa do lojista, mas dentro do que a gente queria, do ponto de vista da pandemia, foi cumprido”, pontua Schröder.
“Mesmo sem um levantamento que identifique o comportamento dos preços, o que se pode notar é que eles não caíram tanto quanto é esperado ver nessa promoção. Seja no comércio físico, quanto na própria internet, os descontos estão moderados, até porque estamos saindo de uma inércia de praticamente seis meses da atividade econômica, e a oscilação de preço para baixo não foi tão grande assim”, avaliou.
Preços normais
Em suas compras, os consumidores atestaram a percepção de que os preços não estavam tão atrativos. A estudante Liege Castro, de 25 anos, comentou que as ofertas criadas pelos produtos que ela faz e vende tiveram variação que pode ser constatada pela tabela encaminhada às suas clientes. Mas, no comércio geral, ela percebeu aumento nos preços no início da semana, para dar a impressão de que os valores caíram nesta sexta-feira. “Acaba que a gente não sabe se o valor aumentou de verdade por conta da pandemia, ou por essa questão de querer ganhar mais em cima da gente.”
Ela conta que, ao longo dos meses de isolamento social, por um lado, por conta do trabalho, precisou fazer mais compras, em função do aumento da demanda. Porém, o consumo de bens diminuiu. “Antes, comprava roupa para sair, agora, como não estamos podendo sair, evitamos gastar.”
O estudante Leandro Batista Stephan, 21 anos, comprou uma calça e um par de sapatos, porém, não chegou a pegar nenhuma promoção da data. “Eu estava planejando comprar, mas não estava planejando por causa da Black Friday. Os preços estavam iguais. Durante a quarentena, segurei o bolso, não só para comprar, mas também para não ter que sair para a rua.”
Para Leandro, o que causou preocupação, de fato, foi a concentração de pessoas no Centro. “No meio de uma pandemia essa quantidade de gente na rua. As lojas que eu fui estão seguindo o número restrito de pessoas, nenhuma mediu a temperatura. Mas nas duas tinha álcool gel, em uma, me pediram para higienizar as mãos, na outra, não.”
A possibilidade de causar aglomerações foi uma preocupação para o Procon e para a Prefeitura. Segundo Eduardo Schröder, que participou da reunião do Comitê de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19, havia a possibilidade de que a movimentação pudesse causar algum impacto, mas ele considera que os impactos foram minimizados. “Não tivemos invasão ou confusão em portas de loja. Talvez, não tenha tanto reflexo na mudança de onda ou em número de contaminações.”
