Após seis meses da conclusão das obras de retirada do morro situado na cabeceira sul da pista do Aeroporto Presidente Itamar Franco, localizado entre Rio Novo e Goianá, obstáculo que impedia o uso do espaço em sua totalidade (2.530m), o terminal segue sem previsão de quando estará apto para receber aeronaves de grande porte. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou, ontem, que ainda não recebeu pedido oficial de homologação da pista completa. Já a secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) garantiu, por meio de sua assessoria, que o processo para a liberação está em andamento.
Em nota, a Anac afirmou que não houve pedido, por parte do operador, de alteração cadastral relativo ao comprimento de pista do aeródromo. A informação foi negada pela assessoria da Setop, que declarou que o pedido de homologação para voo por instrumento já foi feito no órgão regulador. A secretaria destacou, porém, que a responsabilidade sobre o processo é da Multiterminais, administradora do aeroporto. Procurada pela Tribuna, a empresa explicou que o processo de homologação está em andamento, mas ainda não chegou à Anac, pois, antes disso, precisa ser liberado por outros órgãos.
A homologação é fundamental para que operações com aeronaves de grande porte, comuns em voos comerciais e transporte de cargas, sejam realizadas no Itamar Franco. O aeroporto está há quase quatro meses sem atividades comerciais. No início de junho, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras, única companhia que atuava no terminal, transferiu os voos para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Serrinha), em Juiz de Fora. As expectativas são de que com o uso total da pista do aeródromo, segunda maior em extensão de Minas Gerais, as chances de atração de novas empresas para o aeroporto aumentem.
Idealizado em 1999, o Aeroporto Itamar Franco recebeu mais de R$ 100 milhões em investimentos e levou quase uma década para sair do papel. Inaugurado em 2011, transportou quase 120 mil passageiros durante o período em que manteve operações comerciais. Há duas semanas, o Governo de Minas iniciou o período de consulta pública do edital de licitação do terminal. O documento, ainda sem previsão de lançamento, estabelece um novo modelo de gestão baseado na concessão patrocinada – uma parceria público-privada, através da qual o Estado irá complementar a remuneração da concessionária e estabelecer cronograma de ações que deverá ser seguido durante o período de contrato. O valor estimado da licitação é de quase R$ 189 milhões, e o prazo de vigência da concessão é de 25 anos, podendo ser prorrogado por mais cinco.
Fórum
O Aeroporto Itamar Franco será um dos temas abordados durante o V Fórum de Desenvolvimento de Juiz de Fora, Zona da Mata e Vertentes, que acontece hoje na cidade. Na ocasião, o diretor da Multiterminais, Ricardo Vega, falará sobre a logística regional do terminal. Já o Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP) da Universidade Federal de Juiz de Fora irá apresentar plano diretor para as cidades no entorno do aeroporto. Realizamos um mapeamento social, econômico e ambiental sobre as demandas e potencialidades da região. O terminal é um dos instrumentos utilizados para alavancar o desenvolvimento dos municípios, explica a gerente estratégica de projetos do EGP, Kahan Monteiro de Carvalho. No evento também estará presente o representante do Sindicato Nacional das Empresas de Administração Aeroportuária (SINEAA), Pedro Azambuja, que irá ministrar painel com o tema Administração de Sítio Aeroportuário. O evento será realizado no Victory Hotel e tem organização da Agência de Desenvolvimento de Juiz de Fora e Região. Além do aeroporto, serão apresentados casos de sucesso de empresas da região e debatidos temas como agronegócio e políticas de atração de novas indústrias.
