Os consumidores estão sentindo no bolso a alta dos preços das roupas de inverno. Segundo dados do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sincovest), as peças sofreram aumento de até 10% em relação ao ano passado, realidade que se reflete também em Juiz de Fora. A alta do dólar e o uso de matéria-prima importada na confecção de alguns produtos são os principais fatores apontados pela entidade para o encarecimento do vestuário. Apesar do aumento dos custos, os lojistas da cidade apostam em crescimento de até 50% das vendas no período.
Com relação a variação entre produtos que encareceram e os que continuam com o mesmo valor, o presidente do Sincovest, Michel Abourachid, explica que o fato está diretamente ligado ao uso de matéria-prima importada. Quanto maior for o uso deste material, mais cara será a peça. Ele ressalta que as roupas confeccionadas com matéria-prima nacional podem, inclusive, apresentar uma redução de preços mesmo no inverno. O aumento do dólar tem gerado impacto direto em nosso setor.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a participação dos produtos importados no mercado brasileiro de bens industriais atingiu 22,2%, o maior percentual desde 1996, na comparação de 12 meses encerrada em março deste ano. No setor de vestuário, os números chegam a 12%. A estimativa da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) é ainda maior. De acordo com a entidade, a participação dos importados alcançou 20% do setor este ano.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora, Vandir Domingos, os agasalhos possuem maior valor agregado e, por isso, são mais caros. Já é esperado que a coleção de inverno apresente preços mais altos do que a de verão.
Sem excessos
A dona de casa Vera Valle, 68 anos, conta que percebeu o encarecimento das roupas e, por isso, tem procurado aproveitar os períodos de promoção. No inverno, isto sempre acontece, mas, mesmo assim, achei que os valores estão bem acima do esperado. Para driblar a alta dos preços, a vendedora Eliene Delgado, 34 anos, evita os excessos. Compro somente o necessário. Hoje vim para comprar um casaco, que é o que estou precisando no momento.
Já o estudante Paulo César Balbino, 21 anos, não tem se planejado. Percebi que o preço aumentou, mas não deixo de comprar. Quando me agrada, eu levo. O mesmo acontece com a advogada Adelaide Rodrigues, 53 anos. Priorizo a qualidade do produto e compro as roupas que me fazem sentir bem.
Lojistas estão otimistas
Os lojistas apostam na força do poder de compra dos consumidores nesta época e têm boas expectativas para o período que conta, ainda, com o Dia dos Namorados como importante data para alavancar as vendas. O aumento chega a 50% em relação as outras estações porque as peças são mais caras, e a procura é maior, explica a gerente da Sandpiper, Renata Cristina de Souza. Nas lojas da Armadda, a expectativa de crescimento está entre 10% e 15% para os setores feminino e masculino. É uma época muito boa, pois ainda temos o Dia dos Namorados, que por si só já chama o consumidor, afirma uma das gerentes, Magda Alvim. Com relação aos preços, as lojistas garantem que as peças não sofreram aumento em comparação com o inverno do ano passado.
No segmento infantil, o proprietário da Baby Center, Nício Fortes Garcia, explica que a demanda não permite que os valores aumentem demais. As roupas infantis estão com preços mantidos. As peças não têm sofrido mais o impacto da reposição da inflação como acontecia antigamente, pelo contrário, algumas lojas estão antecipando promoções. Isto mudou por conta do mercado. Se aumentamos demais os preços, não vendemos. Hoje, o setor enfrenta, ainda, a concorrência com os produtos importados, sobretudo, os chineses.
