A Federação dos Motoristas Por Aplicativo do Brasil (Fembrapp) manifestou-se, nesta quinta-feira (26), contra as empresas de aplicativo que, neste momento crítico pelo qual o Brasil e o mundo enfrentam a pandemia provocada pelo coronavírus, estariam deixando motoristas de aplicativos sem assistência. A Tribuna tentou ouvir as empresas que atuam na cidade, mas não obteve êxito.
Em Juiz de Fora, a Associação dos Motoristas de Aplicativos (AmoAplic/JF), que é vinculada à federação, também se posicionou contra as operadoras, uma vez que os cerca de cinco mil motoristas que atuam na cidade já sentem os efeitos da crise gerada pelo Covid-19. O vice-presidente da AmoAplic/JF, Sóstenes Josué, afirmou que, no município, os trabalhadores do setor já estão há mais de três anos sem reajuste da tarifa, o que colabora mais ainda com a perda do poder aquisitivo da categoria.
“Tudo aumentou no país, menos nos nossos ganhos, e isso já muito preocupante. Agora, chega o momento dessa crise, e não nos é oferecido nada”, afirma Josué, acrescentando que os motoristas de aplicativos estão pedindo o mínimo possível. “Nossa solicitação é uma tarifa zero, para que não nos seja cobrado uma tarifa por 90 dias; antecipação de prêmio de produção anual, que já nos deram no ano passado, e liberação de um linha de crédito para pagamento após a pandemia de forma gradativa.”
De acordo com a Fembrapp, em nota encaminhada à imprensa, os motoristas estão nas ruas, pois foram considerados serviço essencial, uma vez que também são responsáveis pelo transporte de profissionais de saúde e até mesmo de doentes que precisam de atendimento, bem como idosos e outras pessoas que têm necessidade de ir às ruas em busca de farmácias e supermercados, por exemplo.
Dessa forma, a federação destaca que “a importância dos serviços prestados por esses trabalhadores é inquestionável para sanar os efeitos do isolamento”. Porém, como pontua a nota, é significativa a queda no número de viagens realizadas pelos profissionais, a precariedade relação de trabalho entre trabalhadores e operadores e a falta de respeito pelos motoristas por parte das empresas.
Segundo a Fembrapp, foi encaminhado ofício às operadoras, solicitando a reivindicação dos motoristas. Todavia, conforme a entidade, as empresas ignoraram os pedidos e ofereceram pagamento de R$ 300 (R$ 28,57 por dia) para o motorista que passar 14 dias em casa, somente se comprovadamente estiver contaminado; plano de saúde em que o motorista arca com as despesas, excluindo a família; e ressarcimento do valor do álcool em gel e produtos de limpeza.
“O sujeito trabalha para a operadora, e ela oferece R$ 28,57 por dia. Que valor é esse para um pai de família, e esse plano de saúde não nos atende. Além disso, nos oferecer R$ 20 para comprar álcool em gel e produtos de limpeza, sendo que tem lugar que álcool está custando R$ 25. Assim, nem o álcool todo a operadora paga”, ressalta Sóstenes Josué.
Segundo ele, a categoria cobra uma postura mais decente por parte das empresas de aplicativos. “Não temos clientes na rua, tem gente rodando de 12 horas a 14 horas para ganhar R$ 120, enquanto nos dias normais ganhava de R$ 250 a R$ 300. Com a gasolina que precisa para abastecer o veículo, não sobra nada. Por isso, cobramos uma postura digna para com os motoristas”.

