Os produtores da cidade e região fabricam cerca de 40 toneladas de mel por ano. A demanda pelo produto, no entanto, chegaria a 300 toneladas por ano para abastecer o mercado interno e externo, especialmente Estados Unidos e China. Os dados são da Associação dos Apicultores de Juiz de Fora e Região (Apijur), que mantém projeto de montar caixas de madeira para produção de mel de abelha na Penitenciária José Edson Cavalieri, no Bairro Linhares.
Um projeto piloto foi implementado em maio deste ano, quando oito presos fabricaram 50 caixas. A intenção, conforme o vice-presidente da Apijur, Antônio Neves de Campos, é que, em 2012, a montagem seja feita em escala. A expectativa é fechar o ano com 2.400 caixas produzidas. Cada unidade contém duas melgueiras (cortiço com favos de mel) e poderia elevar a produção entre 20 e 30 quilos de mel ao ano. O projeto está orçado em R$ 20 mil por mês e sua implementação depende de patrocínio.
Segundo Antônio Neves, um dos entraves para a expansão da atividade é o alto custo de produção. Pelas suas contas, uma caixa custa R$ 130. Se a produção fosse realizada na penitenciária, sairia a R$ 90 para o produtor. Os sentenciados receberiam pelo trabalho realizado e contariam com redução da pena. Outro projeto da Apijur é incentivar a produção da acácia mangium na região, árvore que produz madeira e produtos apícolas. Na Penitenciária deu tudo certo. Só não temos recurso.
A diretora de atendimento da Penitenciária, Sueli Ferraz, considerou a experiência interessante para os detentos, abrindo perspectiva como fonte de trabalho, além da contribuição para aumento da produção local. Participamos do projeto-piloto para ver se tínhamos condições de fazer as caixas no modelo pedido e se haveria interesse dos penitenciários no projeto.
De acordo com o extensionista de Bem Estar Social da Emater em Juiz de Fora, Cândido Antônio Rocha da Silva, há 19 produtores de mel em Juiz de Fora. Eles mantêm 1.026 colméias e produzem 25,3 toneladas do produto ao ano. Na sua opinião, há mercado para expansão da atividade. O crescimento está muito atrelado à existência em número suficiente de infraestrutura para processamento de mel ou seja, casas de mel. Para ser comercializado, o mel precisa de inspeção sanitária. O extensionista destaca, ainda, a venda para a alimentação escolar como um mercado em crescimento.
5.600 kg de mel foram para escolas
Em Juiz de Fora, a Lei Municipal 12059/2010 tornou obrigatória a inclusão de mel de abelha na complementação da merenda nas escolas municipais. Segundo a Apijur, foram adquiridos pelo poder público 4.500 quilos de mel no ano passado e 5.600 este ano. A partir de 2012, a expectativa é que as escolas estaduais também comecem a comprar o mel dos associados para a alimentação dos alunos. Diante da demanda e de acordo com a entidade, a fabricação dos cerca de 35 produtores da região (que exercem a atividade de forma complementar ou vivem da prática) não será suficiente. A Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) foi procurada, mas não se posicionou sobre o assunto.
Para Cândido da Silva, extensionista da Emater, os níveis de produtividade ainda são baixos ( 24 quilos de mel por colméia por ano), uma das dificuldades para desenvolver a atividade na cidade. O extensionista também destaca a necessidade de organização dos produtores e investimento para atender as normas sanitárias. Os caminhos para estimular a produção, avalia, são fortalecer o associativismo com a participação efetiva do agricultor familiar e capacitar tecnicamente os apicultores, de olho na inovação tecnológica do setor. Também é muito importante a conscientização dos consumidores sobre a importância nutricional do mel na alimentação humana. De acordo com a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), o brasileiro consome, em média, 128 gramas de mel por ano. Nos países desenvolvidos, a média supera um quilo de mel por habitante/ano.
