Ícone do site Tribuna de Minas

Consumo de ilegais: estudo da USP mede propensão a comprar bebidas, cigarros e outros produtos ilícitos

bebida cerveja cigarro pixabay
PUBLICIDADE

Um levantamento inédito da Universidade de São Paulo (USP) indica que parte dos consumidores brasileiros está disposta a adquirir produtos ilegais em setores como bebidas alcoólicas, combustíveis, eletrônicos e vestuário. Segundo o 1.º Levantamento Nacional sobre a Demanda por Bens e Serviços Ilícitos, realizado pela Escola de Segurança Multidimensional (ESEM/USP) em parceria com o Instituto Ipsos, 24% dos consumidores de bebidas (11,7 milhões), 20% dos usuários de combustíveis (9,7 milhões), 20% dos compradores de eletrônicos (3,4 milhões) e 25% dos consumidores de vestuário (9,7 milhões) aceitariam adquirir itens ilícitos. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira (22), na USP.

No recorte de bebidas alcoólicas, o estudo registra que 48,7 milhões de brasileiros consomem mensalmente. Dentro dessa base, 11,7 milhões de consumidores frequentes estariam dispostos a comprar bebidas ilegais — equivalente a 20% desse grupo. O levantamento foi concluído antes do surto recente de contaminação por metanol, com mortes registradas em São Paulo, Pernambuco e Paraná.

PUBLICIDADE

Para Leandro Piquet, coordenador da ESEM, especialista em segurança pública e mercados ilícitos e professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, a propensão a adquirir produtos aparece em todas as faixas de renda. “Antes da pesquisa, nós imaginávamos que o consumidor recorria ao produto ilegal quando não tinha recursos para adquirir o produto legal. Mas essa propensão está presente em todas as classes socioeconômicas”, diz. Nos eletrônicos, por exemplo, 21% das compras ocorrem em locais de risco, como vendedores informais e perfis em redes sociais. Sobre esse recorte, o relatório afirma: “Não há distinções significativas em termos regionais ou socioeconômicos”.

O estudo ressalta que a cadeia de bens ilícitos mobiliza organizações criminosas com atividades de falsificação, adulteração, contrabando, sonegação e lavagem de dinheiro. Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal, afirma que muitas compras acontecem sem consciência dos impactos desse mercado. “Muitas vezes, o consumidor que adquire não quer se beneficiar. É desconhecimento sobre a cadeia criminosa. Nossa missão é expor que o crime organizado tomou dimensão assustadora”, afirmou.

Em cigarros e produtos de nicotina, os números apontam perdas relevantes. Dez milhões de brasileiros consomem cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, segmento que movimenta R$ 7,8 bilhões por ano sem recolhimento de tributos. Segundo a estimativa, uma eventual regulamentação poderia gerar R$ 13,7 bilhões em impostos federais e estaduais. Entre os fumantes de cigarros convencionais, 23,4 milhões declararam ter fumado no último trimestre, e 10% dos fumantes indicaram como primeira opção uma marca ilegal.

No vestuário, 38,9 milhões de pessoas compram mensalmente, e 9,7 milhões afirmaram que comprariam peças ilegais (25% dessa base de consumo). Em combustíveis, 9,7 milhões de usuários (20%) declararam propensão a adquirir produto irregular. Os pesquisadores destacam que as motivações variam — preço, acesso e conveniência —, mas o efeito final é o fortalecimento de mercados fora do controle regulatório e tributário.

PUBLICIDADE

Piquet avalia que proibições isoladas não eliminam a demanda e podem deslocá-la para redes criminosas. “O regime de proibição, em vez de eliminar os mercados de bens e serviços ilegais, acaba por transferi-los para o crime organizado”, analisa. Para os autores, políticas públicas de fiscalização, informação ao consumidor e eventuais regramentos setoriais são dimensões complementares ao combate às cadeias ilícitas.

*Texto com informação do Estadão Conteúdo, reescrito com o auxílio do Chat GPT, e revisado por nossa equipe

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile