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Pós-chuvas: comércio de Juiz de Fora enfrenta dificuldade de crédito; Ubá acumula perdas milionárias

Principal demanda do comércio de Juiz de Fora e Ubá após chuvas é crédito bancário
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O Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio JF) e a Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá) realizaram pesquisas com comerciantes para avaliar os impactos após as chuvas do fim de fevereiro. De acordo com os dados coletados, o comércio ubaense estima o prejuízo de R$ 409 milhões, contabilizando 140 estabelecimentos com perda total ou risco de desabamento. No setor juiz-forano, foi observada maior vulnerabilidade entre os pequenos negócios, que demandam urgência para obtenção de crédito bancário: 84% alugam imóveis, e 82% não possuem seguro.

A pesquisa do Sindicomércio recebeu 277 respostas. Deste total, aproximadamente, 75% são do varejo, 15% do setor de serviços e 10% de outros segmentos. Mais de 81% são de pequeno porte e cerca de 15%, de médio. Além de 3,6% dos negócios que são compostos apenas pelo dono e o filho, quase 62% têm menos de cinco funcionários. 

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A maioria (quase 73%) o crédito bancário como a necessidade mais urgente, seguido por orientação jurídica (11%) e segurança/policiamento (9%). Paralelamente, o principal desafio apontado é acesso a crédito, mencionado por 65%, seguido por gestão de equipe (18%) e regularização/documentação (11%).

A abertura de linhas de crédito emergenciais, realizada geralmente por bancos públicos, é considerada uma política benéfica no momento para que “haja recurso imediato fazendo a roda girar”, como explica o professor da Faculdade Economia da UFJF, Fernando Perobelli.

“É claro que essa é uma questão de curto prazo”, pondera, “a recuperação da renda desses indivíduos vai ser de médio e longo prazo. Mas o que você faz para minimizar isso? São essas ações que estão sendo feitas agora, de desoneração de imposto, de abertura de linhas de crédito com juros mais baixos. É o que geralmente se faz nesse momento de tragédia”, defende.

Mas há casos como o de Rafael Fazza, dono de uma papelaria na Rua Marechal Deodoro, no Centro, que emprega 13 funcionários. Ele afirma que não gosta de usar linha de crédito porque considera os juros altos. “Não busquei solução nenhuma, arquei com o prejuízo e bola pra frente”, diz.

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O imóvel é alugado, mas no caso dele, mesmo tendo seguro, o contrato não cobria. Ainda assim, considera que o maior desafio na recuperação do negócio foi fazer a limpeza do estabelecimento. Justamente por estar tão ocupado nessa função, diz que não conseguiu estimar o prejuízo.

“A água subiu uns 30 centímetros na loja inteira, no estoque e na frente de loja, aí tudo que estava embaixo eu perdi. E, como é papel, a umidade sobe, então eu não perdi só o que pegou água”, relembra. As perdas encheram dois caminhões.

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A pesquisa do Sindicomércio JF mostra que  em 60% dos estabelecimentos, a água atingiu estoque e móveis, mas a estrutura permaneceu segura. Apenas a limpeza foi necessária em quase 13%, enquanto cerca de 24% não foram atingidos diretamente. Houve perda total, com estrutura comprometida ou risco de desabamento em menos de 4% dos comércios.

Prejuízo milionário pode acarretar perda de empregos

Em Ubá, a 111 quilômetros de Juiz de Fora, 80% dos estabelecimentos tiveram danos graves, em estrutura, maquinário ou estoque, com a operação parcialmente ou totalmente paralisada, conforme a pesquisa realizada pela Aciubá, que coletou 948 respondentes. Outros 14,8% registraram perda total ou risco de desabamento, enquanto 5,7% sofreram danos leves. A situação “configura uma crise econômica de escala sistêmica, e não um evento isolado de perdas pontuais”, ressalta o levantamento.

Os prejuízos declarados variam de R$ 2 mil a R$ 9 milhões por estabelecimento. O prejuízo imediato total calculado pela associação foi de R$ 409 milhões. Em 12 meses, em um cenário conservador, projetam uma perda de faturamento de R$ 312 milhões, sendo R$ 520 milhões no moderado e até R$ 720 milhões no cenário crítico. No impacto indireto mais crítico, projetam até R$ 1,33 bilhão.

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Na cidade, crédito com carência mínima de 12 meses foi a segunda necessidade urgente mais relatada entre os comerciantes, citado por 78%. Na pesquisa, era possível responder mais de uma necessidade, então a primeira foi capital de giro emergencial, que somou 85%. As demais necessidades foram recursos para folha de pagamento (65%), reposição de estoque (60%) e aquisição de maquinário/equipamentos (55%).

O levantamento afirma, ainda, a possibilidade de demissão em massa até o início de maio. A estimativa é de redução de 2,7 mil postos de trabalho no setor.

Mesmo diante da situação adversa, foi possível identificar oportunidades, como a necessidade de reconstrução de imóveis e reposição de maquinário poder movimentar a indústria moveleira e de construção civil local. Além disso, a reconstrução pode ser aproveitada para adequação às normas de acessibilidade, eficiência energética e prevenção a enchentes. Por fim, microempreendedores que perderam pontos físicos podem ser apoiados na transição para canais digitais.

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