
(Felipe Couri/ Arquivo/ TM)
Na contramão do cenário nacional, que teve queda de 5,7% da demanda aérea por voos domésticos em 2016 ante 2015, o Aeroporto Presidente Itamar Franco, localizado entre Goianá e Rio Novo, apresentou aumento de 5,6% do número de passageiros, conforme estudo feito pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O perfil dos viajantes e o crescimento das exportações da Zona da Mata são fatores que justificam o movimento positivo. O ano também foi melhor do que o anterior para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Serrinha), em Juiz de Fora, com a implantação do Projeto de Integração Regional – Modal Aéreo (Pirma), serviço de táxi aéreo que liga a cidade à capital Belo Horizonte, criado pelo Governo Estadual.
Ao longo do ano passado, 144.484 pessoas passaram pelo Aeroporto Itamar Franco, totalizando 72.694 embarques e 71.790 desembarques. O número de passageiros é 5,6% maior do que o verificado em 2015, quando o total de viajantes foi de 136.798. No terminal foram operados quatro voos diários, sendo três pela Azul Linhas Aéreas com destino a Campinas (SP), e um pela Gol, para Congonhas (SP). A taxa de ocupação das aeronaves, que têm capacidade para 70 e 139 lugares, respectivamente, chegou a 80%. Os dados foram fornecidos pela assessoria da Socicam, administradora do terminal.
O crescimento da demanda ocorreu mesmo com a retirada do voo que era realizado pela Azul com destino a Guarulhos (SP). “No início de 2016, para se adequar ao cenário econômico desafiador, a empresa realizou alguns ajustes em sua malha aérea. No aeroporto da Zona da Mata, houve uma ligeira redução na oferta de voos. A média de operações diminuiu de três para duas frequências diárias”, explicou a assessoria da companhia aérea. “A empresa deixou de atender o aeroporto de Guarulhos a partir da Zona da Mata, mas continuamos com operações para São Paulo por meio do aeroporto de Viracopos, em Campinas.” A Gol também foi procurada para falar sobre as operações feitas no aeroporto, mas informou que não comenta números locais das atividades.
Na avaliação do superintendente do terminal, Flávio de Oliveira dos Santos, o aumento da demanda em meio ao cenário de crise econômica se deu pelo perfil dos viajantes. “A nossa região tem a vocação do turismo de negócios, e a movimentação de passageiros que viajam a trabalho foi grande”, explica. Ele destaca também outros aspectos que contribuíram para o registro. “Atendemos toda a região, que está mais habituada e confiante em usar nosso aeroporto. Temos duas companhias aéreas trabalhando simultaneamente, oferecendo preços competitivos. A partir dos voos para São Paulo, os usuários têm acesso para diferentes destinos nacionais e internacionais.”
No país
Cerca de 89 milhões de brasileiros foram transportados em voos domésticos em 2016. O número é 5,7% menor do que o registrado em 2015, quando a demanda foi de 94,4 milhões, conforme estudo da Anac. A queda do número de viajantes reflete o cenário de crise econômica, com redução do poder de consumo e aumento do nível de desemprego, que impactaram, sobretudo, as viagens de lazer.
Mais de 90% das obras estão prontas
A expectativa é que a demanda de passageiros possa aumentar com a conclusão das obras da estrada que liga a rodovia BR-040, na altura do Bairro Barreira do Triunfo, na Zona Norte de Juiz de Fora, à MG-353, em João Ferreira, distrito de Coronel Pacheco.
Prometida para 2016, a conclusão da construção da estrada deve acontecer este ano, conforme informações do Departamento de Estradas e Rodagens de Minas Gerais (DER/MG). Segundo a assessoria do órgão, 92% das obras do trecho, que compreende 13,9 quilômetros, foram realizadas. “Faltam finalizar os trabalhos nos trevos, a pavimentação, a drenagem e alguns serviços complementares”, informou à Tribuna.
Aviação executiva movimenta Serrinha
O ano passado também foi positivo para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Serrinha), em Juiz de Fora, que passou a ofertar o serviço de táxi aéreo com destino a Belo Horizonte por meio do Projeto de Integração Regional – Modal Aéreo (Pirma), criado pelo Governo do estado e operado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Desde abril de 2014, quando houve a suspensão dos voos regulares, o terminal tem atuado apenas com a aviação executiva.
A implantação do projeto criou uma oferta de voos com horários fixos que atraiu demanda de passageiros para o Serrinha. O Pirma faz a ligação entre o terminal e o Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com escalas em Ubá e São João Del Rei. Em quatro meses de funcionamento, de agosto a dezembro, foram realizados 50 voos com ocupação média de 16%. A capacidade das aeronaves é de nove lugares. Os números foram repassados pela assessoria da Codemig, que ressaltou, em nota, que “o projeto é uma iniciativa com foco no atendimento das necessidades do interior, alinhada à criação de uma cultura de transporte aéreo em aeronaves de pequeno porte.” O serviço tem como principal público-alvo os empresários da cidade e região.
Vocação
Na avaliação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), responsável pela administração do aeroporto, as operações permitiram o trabalho de uma vocação diferenciada para o Serrinha. “É um aeroporto que tem uma importância histórica no desenvolvimento da cidade e que tem tido, na aviação executiva, uma oportunidade de descobrir um novo negócio”, analisa o secretário de Desenvolvimento Econômico, João de Matos. “Os voos são direcionados para quem tem urgência nessa ligação entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, principalmente, quem viaja a trabalho, pretende fechar um negócio. Este é um perfil do viajante da região e do turista que nós recebemos.”
Flutuação da demanda reflete oscilação na economia
O crescimento da demanda por voos domésticos no Aeroporto Presidente Itamar Franco e da aviação executiva no Serrinha em período de retração econômica é justificado pelo perfil dos viajantes e o aumento das exportações na região, conforme analisa o doutor em Economia e integrante do projeto de extensão Conjunturas e Mercados da UFJF, Admir Betarelli. “As flutuações na demanda de transporte são um reflexo das oscilações nas atividades econômicas e exportadoras dos municípios”, explica. “Se há um crescimento da demanda de outras regiões brasileiras por bens e serviços produzidos na Zona da Mata, tanto o transporte aéreo de carga e o de passageiro serão demandados. Mais viagens de negócios serão realizadas.”
A balança comercial de Juiz de Fora em 2016 apontou crescimento de 56,11% das exportações, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Para muitos setores produtivos, vender para o exterior foi a possibilidade encontrada para se sobressair à crise do mercado interno, como foi o caso do setor automotivo. Zinco em forma bruta, veículos automotores para o transporte de mercadorias e fio-máquina foram os principais produtos exportados pela cidade.
Betarelli explica que outros aspectos também interferem no aumento ou queda da demanda aérea.”As características técnicas do transporte, a tarifa, o preço do modal concorrente, as preferências e renda das famílias estão entre principais fatores.” Ele destaca também a diferença entre os perfis dos passageiros. “Temos dois tipos de usuários: os viajantes de negócios e aqueles que viajam por outros motivos, como turismo e visita aos familiares, que podemos chamar de ‘viajantes de não negócios’. A queda da renda e o desemprego promovem e intensificam a substituição das viagens aéreas por rodoviárias na cesta de consumo das famílias, o que está presente nas decisões deste segundo perfil”, avalia.
Ele destaca que as viagens de negócios, muitas vezes, precisam ser realizadas no curto prazo. “Mesmo com oscilações das tarifas áreas, a sensibilidade de demanda dos viajantes de negócios é relativamente menor, pois não se pode deixar de atender cliente em outras regiões brasileiras, seja para prestar um serviço, atender reuniões ou entregar suas mercadorias. Isso ocorre quando não é viável em tempo hábil na utilização de um transporte concorrente, como é o caso do rodoviário.”
