Depois de cinco anos de reforma, sete anos de inoperância comercial e R$ 3,3 milhões em investimentos, a fábrica do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) continua sem data definida para retomar a produção ao varejo em Juiz de Fora. Passados mais de cinco anos do prazo inicialmente previsto para inauguração – setembro de 2010 – e quatro meses da última perspectiva divulgada pela Epamig (agosto de 2015), a unidade fabril estaria pronta para retomar a fabricação de queijos, requeijão, doce de leite e iogurte para o consumidor da cidade e da região, mas não o faz na prática.
O presidente da Epamig, Rui da Silva Verneque, assegura que o projeto não está engavetado, nem existe o risco de a produção ao varejo não ser retomada. “Estamos envidando todos os esforços para colocar a parte do varejo em operação o mais rápido possível.” A limitação, segundo a empresa, restringe-se à obtenção do registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF), necessário para retomar a linha comercial. Verneque explica que, apesar de contar com o número do SIF, foi exigida uma série de adequações para liberação de novos rótulos. O presidente preferiu não listar as exigências, mas afirmou que elas são “pequenas” e estão sendo atendidas. Ele destacou, ainda, a contratação de um responsável técnico para conduzir o processo. “Assim que houver a liberação, a fábrica entrará em pleno vapor.”
Em julho, durante a abertura do Minas Láctea, o presidente havia divulgado a perspectiva de retomar as operações comerciais em agosto. Ele diz que tem cobrado para que a inauguração aconteça ainda este ano. “É um processo que independe diretamente da Epamig, mas estou otimista que, em pouco tempo, o varejo será retomado.” Verneque definiu como um “compromisso” a reabertura da tradicional lojinha anexa do instituto, com comercialização direcionada a Juiz de Fora e região. O presidente destacou que a fábrica-escola, com enfoque no ensino e na pesquisa, está em funcionamento regular, com salas de aula, onde é ministrado o curso técnico em leite e derivados, e produção de lácteos exclusiva para fins acadêmicos.
Inauguração foi adiada por seis vezes
A fabricação em escala industrial foi interrompida em 2008, ano de início da reforma milionária. Em 2013, logo após a conclusão dos trabalhos, o então governador Antonio Anastasia (PSDB), em visita à Juiz de Fora, chegou a realizar a entrega da obra e anunciar a data de retomada da produção, que aconteceria em novembro daquele ano. A expectativa era que, na primeira fase, fossem fabricados dois mil litros por dia. A capacidade é de oito mil litros/dia e seria atingida no período de seis meses a, no máximo, um ano, conforme a resposta do mercado.
Com 2.200 metros quadrados, a unidade, erguida em 1935, foi totalmente reestruturada com recursos públicos, do telhado ao piso, recebendo novos equipamentos, tubulações e rede elétrica. A meta inicial era produzir queijos minas frescal, minas padrão, prato e Edam, requeijão cremoso, doce de leite e iogurte. Na segunda fase, a previsão era disponibilizar ao mercado queijos finos, bebidas lácteas e ricota.
Com o início da reforma em fevereiro de 2008, a inauguração da fábrica estava inicialmente prevista para setembro de 2010. Ao longo dos últimos cinco anos, foi postergada para outubro de 2011 e maio de 2012. Em 2013, a perspectiva era de conclusão das obras até maio. O prazo foi postergado para novembro de 2013 e, por último, julho de 2015.
