A ceia natalina ficará mais cara para os juiz-foranos este ano. Frente à alta do dólar e ao aumento dos combustíveis, que impactou diretamente o valor dos fretes, alguns produtos típicos desta época mais do que dobraram de preço no comércio local. Este é o caso do damasco, que saltou de R$ 19,90 para R$ 54,90 o quilo, uma variação de 175%, e da castanha-do-pará, que subiu de R$ 29,90 para R$ 75 o quilo, aumento de 150%. Os reajustes abrangem também peixes, aves e bebidas. A situação preocupa os comerciantes, que tiveram que reduzir os estoques para o Natal, data em que é esperada a chance de reverter as baixas vendas do ano.
No box Picante Temperos, no Mercado Municipal, as frutas secas estão entre os itens que mais encareceram. “O dólar e o frete são as principais justificativas dos fornecedores. Tentamos não repassar todo o custo para os consumidores até mesmo para não assustá-los”, explica o gerente Lucas de Almeida. Em comparação com o ano passado, as amêndoas aumentaram 45,5%, a castanha portuguesa, 30% e as nozes, 10%. Por conta da alta de custos da avelã, a loja preferiu não trabalhar com o produto no momento. “Vamos esperar para ver como será a saída dos outros itens para saber se vale a pena.” A intenção é equilibrar as vendas deste ano com as de 2014. “O ano está difícil, não apostamos em crescimento.”
O empresário da Cia da Terra, José Carlos Retondo, tem a mesma expectativa sobre as vendas. Segundo ele, produtos como castanha portuguesa, nozes, damasco, castanha-do-pará, bacalhau e vinho chegaram bem mais caros. “Alguns itens triplicaram de preço. A solução foi enxugar o estoque e repassar parte do custo para o consumidor.” Ele se preocupa com o impacto nas vendas. “A crise tem prejudicado bastante o movimento. Geralmente, os clientes antecipam as compras em novembro, mas até agora essa demanda não aconteceu.”
Carnes e bebidas
O bacalhau é outro produto que pode chegar bem mais salgado. Na peixaria Armazém do Porto, a opção foi atrasar a compra do produto enquanto ainda não há demanda. “Trabalhamos com o bacalhau na faixa entre R$ 49,90 e R$ 69,90 o quilo. Alguns fornecedores projetaram aumento de R$ 60, mas vai ser muito complicado repassar este valor”, avalia o peixeiro Márcio Antônio. Ele explica que a alternativa do comércio neste momento de crise tem sido reduzir a margem de lucro para não perder as vendas. Já a alternativa dos consumidores pode ser a substituição de produtos. “Acredito que os clientes podem dar preferência aos peixes mais em conta como namorado, badejo e robalo.”
O consumidor que optar pelas aves natalinas também sentirá no bolso. O reajuste destes itens foi de 10%, conforme explica o diretor comercial e de marketing do Mart Minas, Felipe Martins. “A alta não deve reduzir as vendas. Acredito que teremos uma migração para marcas de menor valor agregado”, analisa. Para ele, a mesma movimentação deve ocorrer com as bebidas, que chegam as gôndolas até 15% mais caras.

