A arrecadação de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços de Juiz de Fora caiu 15,4% em setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, conforme dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/MG). No acumulado de janeiro a setembro de 2012, foram recolhidos R$ 411 milhões, contra R$ 428 milhões em relação aos nove primeiros meses de 2011 (queda de 3,8%). Com o resultado, a participação do município na arrecadação da Zona da Mata no período caiu para 45,2%. Em 2011, o percentual era de 49,5%. Na região, Ubá e Muriaé também tiveram redução da receita. Já entre as dez maiores economias do estado, apenas Juiz de Fora e Ipatinga registraram diminuição de arrecadação (ver quadro).
Apesar da queda, a cidade permanece em sexto lugar no ranking de principais arrecadadores do estado, atrás de Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Contagem e Ipatinga. Ao contrário do movimento vivido em Juiz de Fora, a Zona da Mata elevou as receitas de ICMS de janeiro a setembro em 5,2% na comparação com igual período do ano passado.
Na análise do economista Antônio Flávio Luca do Nascimento, a redução na arrecadação de Juiz de Fora tem influências com a crise externa. "O setor industrial, principal arrecadador no município, vive um momento de retração. O resultado também é reflexo da transição vivida pela Mercedes-Benz, que parou de montar carros para adaptar a nova planta de caminhões", explica. A empresa, segundo ele, contribuía com 75% do total de ICMS do setor na cidade. "Com a retomada da produção de veículos pesados da montadora, a situação tende a melhorar", afirma Antônio Flávio. No entanto, as projeções do economista são de que a arrecadação do imposto do ano de 2012 será inferior à do ano passado.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística disponibilizados pela Fundação João Pinheiro referentes a 2011, o setor industrial é responsável por 54,69% da receita de ICMS em Juiz de Fora, seguido do serviços (23,93%) e comércio (20,71%).
Para o economista, o fato de Juiz de Fora estar na contramão do crescimento da Zona da Mata reflete as diferenças nas atividades econômicas. "Enquanto a cidade visa o mercado externo, que é o grande afetado pela crise, e tem suas indústrias com o pé no freio, os outros municípios crescem com a força do mercado doméstico", avalia. Este seria o motivo de Ubá, que é polo moveleiro, e Muriaé, com forte setor têxtil, também terem registrado queda de arrecadação, enquanto Matias Barbosa e Carandaí cresceram 66% e 51%, respectivamente.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento e Planejamento Econômico, André Zuchi, não há motivos para se preocupar com a diminuição da receita de ICMS. "Precisaríamos de um estudo mais elaborado para entender os motivos da queda, mas sabemos que a economia da cidade vai bem." Ele destaca, porém, que é de extrema importância aumentar a base econômica da cidade por meio da atração de empresas do ramo industrial. "É com o aumento do ICMS que se pode diminuir valores de outros impostos. Esta receita permite atender demandas sociais e fazer a composição dos tributos que são cobrados no município."
