
Manifestação começou às 16h no Centro
Atualizada às 20h28
Cerca de 200 pessoas participaram do ato realizado nesta quarta-feira (25) pelo Sindicato dos Bancários da Zona da Mata e Sul de Minas (Sintraf JF) e Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sitentect/JFA) no Centro de Juiz de Fora, conforme informações dos organizadores. Com cartazes e faixas, os profissionais que estão em greve se reuniram em frente ao Banco do Brasil, na Rua Halfeld, onde distribuíram cachorro-quente para a população. "Estamos fazendo menção à cachorrada que os patrões fazem com os profissionais e os clientes", explicou o presidente do Sintraf JF, Robson Marques. No local também foi colocada uma barraca em forma de sapo para que os trabalhadores inserissem suas críticas ao sistema patronal. "Assédio, demissões e metas abusivas vão para a boca do sapo", declarou Robson. Em seguida, os manifestantes subiram em direção à Avenida Rio Branco, ocupando apenas uma das pistas de tráfego, e seguiram para a sede dos Correios na Rua Marechal Deodoro, onde convocaram os funcionários que estão trabalhando para participarem do movimento.
A greve dos bancários completou sete dias nesta quarta-feira. Segundo dados do Sintraf JF, 1.050 profissionais da cidade aderiram ao movimento, o que corresponde a mais de 80% da categoria local, que soma 1.300 trabalhadores. O movimento atingiu 39 agências bancárias. A informação da entidade é que há adesão de 100% dos bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Procuradas pela Tribuna, as duas instituições não confirmaram os índices. A Caixa informou que "não faz balanço de greve", e o Banco do Brasil disse que "a informação não procede, visto que há funcionários trabalhando em todas as agências."
Os trabalhadores dos Correios completaram oito dias de greve nesta quarta-feira. Na cidade, 30 profissionais participam do movimento, conforme informações do Sitentect/JFA. "A empresa não quer negociar, por isso, mantemos o movimento", explicou o presidente da entidade, João Ricardo Guedes. Nesta quarta-feira, os Correios emitiram comunicado informando que os grevistas terão descontos no salário. "Em respeito aos mais de 90% dos trabalhadores que continuam em atividade normalmente e à sociedade brasileira, prejudicada pela paralisação parcial nos Correios, a empresa irá descontar dos salários dos grevistas os dias parados, já que, de acordo com a legislação, a greve implica na suspensão do contrato de trabalho", afirmou em nota. Segundo Guedes, o setor jurídico do sindicato já foi acionado e irá mover ação contra a determinação. "É uma medida terrorista para impedir que o trabalhador exerça seu direito de greve."
Reivindicações
Na pauta de reivindicações dos bancários estão reajuste de 11,93%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários do bancário mais R$ 5.553 fixos, ampliação do horário de funcionamento dos bancos, das 9h às 17h, com a criação de dois turnos de trabalho, além de melhorias nas condições trabalhistas e fim do assédio moral e das metas abusivas. De acordo com Robson Marques, as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) estão paradas. "O Comando Nacional dos Bancários irá se reunir para decidir os rumos do movimento." Em nota, a Fenaban declarou que "continua aberta a negociações e aguarda posição do sindicato sobre a proposta global contendo reajuste salarial de 6,1%, que corrigirá salários, pisos e benefícios."
Os trabalhadores dos Correios reivindicam 15% de ganho real, reposição da inflação entre agosto de 2012 e julho deste ano (7,13%), reposição das perdas salariais desde o Plano Real (em torno de 20%), além de reajuste linear de R$ 200.
Terceirizados
Durante ato realizado nesta quarta-feira, bancários e funcionários dos Correios se mostraram contrários ao Projeto de Lei 4330/2004, que prevê a contratação de serviços terceirizados para qualquer atividade de uma empresa. Com cartazes que afirmavam que "país de primeira não pode ter empregados de terceira", os manifestantes receberam apoio de outras categorias na causa. Estiveram presentes representantes do sindicato dos professores, metalúrgicos e têxteis.

