
Karolina Vargas, Polyana Matozinhos, Mônica Veiga e Marcelo Nogueira são sócios da Magenta Studio
Ele não tinha completado 20 anos quando criou a maior rede social do mundo e, hoje, aos 28, já é o 35° homem mais rico do planeta, segundo a revista Forbes. É provável que o nome de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, fosse exaustivamente repetido ontem, caso os cerca de 130 participantes da primeira edição juiz-forana do Youth to Business tivessem sido questionados sobre um ícone do empreendedorismo jovem, tema que os levou ao forum de debates na tarde da última sexta-feira, em Juiz de Fora.
Embora acumular uma fortuna estimada em U$ 17,5 bilhões (cerca de R$ 35,3 bilhões) e estar entre as nove pessoas mais influentes da Terra possa parecer muito distante da realidade de um jovem brasileiro, exemplos bem sucedidos de empresas locais mostram que a chamada Geração Y está sim buscando seu próprio espaço no mercado.
As novas caras do empreendedorismo em Juiz de Fora confirmam a tendência apontada no último relatório GEM (Global Entrepreneurship Monitor), divulgado este ano pelo Sebrae: do total de empresas brasileiras abertas em 2011, mais de 30% têm à frente pessoas de até 34 anos. Desde 2008, a faixa de 18 a 24 anos vem ampliando a sua participação neste universo, chegando a taxas superiores à dos brasileiros a partir de 35 anos.
Assim como para Zuckerberg, a internet também foi terreno fértil para Felipe Gazolla, 27. Formado em comunicação social pela UFJF, ele abriu a agência digital Ato Interativo ainda na faculdade, aos 19 anos. Oito anos mais tarde, divide-se entre a primeira empresa e a YouCa.st, agência colaborativa de notícias criada há pouco mais de um ano. A previsão é que mais seis meses sejam suficientes para converter o investimento inicial de R$ 800 mil, captados com a ajuda de um investidor "anjo" – pessoas que injetam capital em empresas nascentes para dar início ao projeto – e de aceleradoras – que investem no desenvolvimento da companhia. O quadro de funcionários, que tinha apenas um nome em julho de 2011, hoje tem quatro.
Pelo YouCa.st, qualquer pessoa pode ganhar dinheiro enviando, via internet, fotos e vídeos aos veículos de comunicação. Segundo Gazolla, o modelo do negócio é inédito no mundo, e os planos futuros para a agência são ambiciosos. "Hoje, o YouCa.st já é usado por dois veículos de cobertura nacional. Nossa ideia é consolidar a marca no mercado, associando-a aos principais grupos de comunicação do país. Paralelo a isso, em outubro iniciamos nosso processo de internacionalização, primeiro na América Latina, e, posteriormente, nos Estados Unidos e Europa", conta.
"Queremos dominar o mundo", brinca um dos sócios da Chico Rei, André Pereira, 28. "Vamos abrir o site para compras internacionais", explica, acrescentando que abrir lojas físicas pelo país também está nos planos dele e de Bruno Imbrizi, 25. Há quatro anos no mercado, eles apostaram nas camisetas como suporte para a arte e o design chegaram a ficar aflitos com demora para a primeira venda: mais de uma semana após o lançamento do site, em 2008, colocado no ar com o investimento dos pais. Hoje, com 15 funcionários, são parceiros do site de humor "kibe loco" e estampam as criações divertidas e cheias de referência da Chico Rei em pôsteres e canecas, além de, frequentemente, no peito de apresentadores da MTV.
Os quatro sócios do Magenta Studio de Criação, fundado há três anos, também trabalham para fazer com que a assinatura do grupo ultrapasse fronteiras. "Nosso desejo agora é vender mais online e ter um nome conhecido nacionalmente, e até fora do país, podendo trabalhar em qualquer lugar", sonha a sócia-fundadora do Magenta, Karolina Vargas, 26. Desde que convenceu Polyana Matozinhos, 26, a abrir o estúdio de fotografia, recém-formadas e com 23 anos, Karolina "planta sementinhas de empreendedorismo" na cabeça da parceira de negócios. Foi assim que a companhia ganhou, no ano passado, novas ideias – passando a trabalhar também com vídeos – e dois novos sócios – Mônica Veiga, 26, e Marcelo Nogueira, 30 -, além de uma nova sede, há quase dois meses.
"Uma das nossas principais dificuldades foi a falta de conhecimento técnico nas áreas administrativas. O caminho da Chico Rei foi repleto de erros e acertos, e, assim, conseguimos aprender", conta André Pereira, sócio da empresa juiz-forana de moda e design. O entendimento de que os problemas fazem parte do caminho e que, começando cedo, há "tempo extra" para fazer dar certo é típico da nova geração de empresários. "A soma da juventude com o caráter empreendedor resulta em menos medo do fracasso. Os jovens se lançam mais ao erro, ousam mais, porque sabem que se não der certo agora, podem dar outro passo. Eles estão calcados na experimentação, que é fundamental para empreender", comenta o presidente do Conselho Jovem da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, Alexandre Silveira. "Hoje não há mais aquela ideia de que o emprego tem que ser para a vida toda. Se a empresa aberta aos 25 anos não deu certo, rapidamente o jovem empreendedor passa para outra, e tem alguns anos para conseguir se recuperar", completa o analista técnico do Sebrae regional Marcelo Rother.
Segundo ele, embora não haja pesquisa que comprove tendência de aproximação dos jovens com o empreendedorismo, é possível perceber esse movimento, principalmente, nos segmentos de tecnologia da informação e comércio virtual. "Mas hoje temos a presença de empresários de pouca idade em todos os segmentos." O analista explica que, escolhendo um negócio virtual ou físico, de vanguarda ou mais tradicional, o importante é buscar qualificação para reduzir os riscos. "E muitos jovens têm sim nos procurado para se capacitar." Lídia Maria da Silva, 25 anos, faz parte desse grupo. Antes de abrir a lanchonete Lanche Mania, há seis meses, a pedagoga procurou no Sebrae suporte qualificado para "minimizar a possibilidade de erros".
"Decidir local e público alvo, por exemplo, são de extrema importância para que o negócio dê certo. Abrir um negócio sem nenhuma familiaridade com o assunto com o qual deseja trabalhar e sem pesquisa anterior sobre as possibilidades da região onde deseja estabelecer sua empresa é, praticamente, jogar para perder", acredita a nova empresária.

