Juiz de Fora tem o segundo Gás Natural Veicular (GNV) mais caro (R$ 1,937) entre as seis cidades mineiras acompanhadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor praticado nas bombas da cidade só perde para o de Ubá (R$ 1,980), conforme a mais recente pesquisa da ANP, que tem por base a semana de 14 a 20 deste mês.
A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), distribuidora exclusiva de gás natural canalizado no estado, afirma, via assessoria, que o mercado é livre para praticar preços, mas esclarece que o valor de venda do metro cúbico é o mesmo em todos os municípios mineiros: R$ 1,1763, conforme o site da companhia. A avaliação é que o preço do GNV é menor se comparado aos demais combustíveis. O valor médio do etanol em JF é R$ 2,134. Já o da gasolina é R$ 2,681, conforme a ANP.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Paulo Miranda Soares, considera que a diferença de valores deve-se a fatores como investimento de cada empresário para a criação e a adaptação do posto. O presidente destaca, ainda, a importância da concorrência. É um princípio econômico. Se há poucos postos competindo, a tendência é de preços mais altos.
Com o objetivo de incentivar as conversões, a Gasmig lançou, esta semana, a campanha Vou no Gás. Os proprietários que instalarem kit para consumo de GNV poderão receber até 600 metros cúbicos (m³) de gás natural. A promoção teve início na segunda-feira e vale até 22 de agosto de 2012. Também tem direito ao bônus quem comprou carro zero movido a gás de fábrica após 1º de maio deste ano.
A meta do Governo estadual é, em um ano, ampliar em dez mil veículos a frota, recuperando o mercado de GNV. Para os proprietários de veículos pessoas físicas, jurídicas ou produtores rurais o bônus de consumo é de 300 m³. Os taxistas serão contemplados com 600 m³. Também foi assinado acordo com a Caixa Econômica Federal para financiar kits de conversão em até 48 meses.
Segundo o presidente da Minaspetro, o incentivo é uma reivindicação antiga da revenda de GNV, que passou por uma crise absurda. Na sua opinião, a ação ainda é tímida. Soares explica que o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) mineiro é de 18% enquanto em outros estados é 12% para o combustível. A redução da alíquota, pare ele, poderia tornar o preço mais competitivo e o combustível, mais atrativo.
Para o presidente da Associação dos Taxistas de Juiz de Fora, Luiz Gonzaga Nunes, a campanha não deve conquistar a categoria. Ele lembra que a frota juiz-forana era convertida. No entanto, em função da escalada do preço, diz, a opção tornou-se menos vantajosa. Se houver 1% usando o GNV nas ruas é muito. Na sua opinião, o combustível teria que estar na faixa de R$ 1,30 para ser competitivo.
Para o taxista Fabiano Mendes, o uso do GNV no trabalho é vantajoso. Ao final de cada dia, ele contabiliza economia de R$ 40 na comparação com a gasolina. Para ele, no entanto, era preciso abaixar os preços.
O publicitário Rodrigo da Silva abastece com gás o Monza 84 utilizado para trabalhar. Ontem, ele abasteceu R$ 15. Com este valor, comenta, roda até 75 quilômetros com GNV, 55 quilômetros com gasolina e 30 quilômetros com álcool. Apesar do ganho em rodagem, não pretende converter o Gol novo, que mantém na garagem. Por ano, são, pelo menos, R$ 350 de manutenção.
