A demanda de pessoas que frequentam o Restaurante Popular aumentou em 35%, conforme balanço divulgado pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA). De janeiro a abril deste ano, foram contabilizados 195.820 usuários. Em igual período do ano passado, o número foi de 145.079. Em relação ao primeiro quadrimestre de 2013, a alta chega a 80,8%. Na época, foram contabilizados 108.308 pessoas. Para a SAA, o salto revelado pelo índice pode estar relacionado à alta de preços registrada na alimentação fora do lar, que tem pesado no bolso do trabalhador.
O chefe de Departamento de Abastecimento da SAA, Paulo Lincoln, compara que o preço do “prato feito” praticado por restaurantes do Centro não sai por menos de R$ 9,50. Em contrapartida, no Restaurante Popular, uma refeição custa R$ 2. “O aumento no custo impactou na procura pelo espaço. Ele acabou virando uma opção a mais para as pessoas”. Por outro lado, Lincoln pontua que a alta dos preços nos hortifrutis foi um fator indireto.
Outro dado constatado pelo titular da pasta foi a mudança do perfil dos usuários que utilizam o local. A Tribuna acompanhou a movimentação na entrada do Restaurante Popular e percebeu que as mesas, que antes abrigavam pessoas carentes e a população de rua, também recebem hoje estudantes e trabalhadores. “Percebemos que o espaço tem hoje maior aceitação entre as pessoas. Quando ele foi lançado, havia muito preconceito, pois muitos achavam que, pelo nome ser “popular”, o local era frequentado pelas camadas menos favorecidas. Hoje vemos que há maior entrosamento dos públicos. Almoçar aqui tornou um hábito”, destacou Fernando Antônio da Silva Santos, supervisor do local.
Aberto em agosto de 2012, o Restaurante Popular registrou 751.539 usuários em 2013. O número apresentou uma ligeira queda em 2014, passando para 694.240 frequentadores. Com a alta no primeiro quadrimestre deste ano, é esperado um aumento do público alvo em 2015. O cardápio do estabelecimento é elaborado por nutricionista e, em geral, inclui, arroz, feijão, carne, verduras, legumes, sobremesa e suco.
‘Não compensa cozinhar. Vindo aqui, gasto R$ 40 por mês’
Diferente dos estabelecimentos convencionais, no Restaurante Popular, as pessoas precisam se aglomerar em fila para aguardar a vez para serem servidas. As pessoas ouvidas pela reportagem se mostraram satisfeitas com o serviço, e nenhuma delas criticou a qualidade do alimento e o tempo de espera. “Parece que estou comendo a comida de casa. É tudo muito fresco e gostoso”, comentou a aposentada Sueli Campos, 60 anos, que utiliza o local de duas a três vezes por semana.
Quem também vê vantagem em frequentar o restaurante é o planfetista Cleber da Silva Santos, 38. Para ele, que trabalha no Centro, não compensa ir em casa para almoçar. “É mais barato que a passagem e, além de tudo, a comida é ótima.” Divorciado, o aposentado Veloso Pablo Dutra do Carmo, 65, vê no Restaurante Popular uma alternativa para comer bem e gastar pouco. “Moro sozinho e às vezes não compensa cozinhar. Vindo aqui, gasto R$ 40 por mês. É mais em conta do que fazer comida em casa”.
Portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), o aposentado Geraldo de Oliveira, 69, vai ao Restaurante uma vez por semana, dia em que precisa comparecer à fisioterapia. Para ele, que mora na Zona Norte, utilizar a unidade consiste em uma economia de tempo. “Facilita muito a minha vida e a acessibilidade é ótima, uma vez que sou usuário de cadeira de rodas.”
Nova unidade da Zona Norte sai em 2016
Nova unidade da Zona Norte sai em 2016
As obras para o novo Restaurante Popular, que será erguido na Zona Norte, estão em fase de fundação. Conforme explicou ex-secretário de Agropecuária e Abastecimento e atual diretor-presidente do Demlurb, Marlon Martins, os trabalhos no terreno que pertencia à antiga delegacia de Benfica, na Rua Diogo Álvares, começaram há 40 dias. “Os recursos para esta etapa já estão garantidos. Dentro de 30 dias, iremos sentar com o Ministério do Desenvolvimento Social para esquematizar a viabilização dos equipamentos, como mesas, cadeiras, gôndolas, objetos de cozinha”. A previsão é que as obras da parte física terminem no final deste ano. A expectativa é inaugurar a unidade até o primeiro trimestre de 2016.
Com o funcionamento Restaurante Popular da Zona Norte, a capacidade de refeições será ampliada. “A unidade do Centro produz por dia de 1.800 a duas mil refeições. Com o Restaurante da Zona Norte em atividade, poderemos chegar a até 3.500 refeições diárias inicialmente, pois o planejamento é servir de mil a 1.500 refeições nesta unidade”, explicou o chefe de Departamento de Abastecimento da SAA, Paulo Lincoln. No entanto, esse número pode aumentar ainda mais, pois a produção na área central pode chegar a três mil pratos por dia.
Marlon Martins destaca que haverá a produção dos pratos será dividida. “Em Benfica, serão preparadas a carne e as guarnições, enquanto na unidade do Centro, o volume maior de alimentos, como arroz e feijão.” O custeio do Restaurante Popular é dividido entre a Prefeitura e o usuário. A refeição custa R$ 4,50, sendo que a Administração Municipal arca com a maior parte: R$ 2,50.
Ecossustentável
O Restaurante Popular da Zona Norte será o primeiro equipamento público de Juiz de Fora com sistema ecossustentável com reutilização da água da chuva para a higienização de banheiros e nos serviços de limpeza. A construção compreende 4.100 metros quadrados e será erguida em dois pavimentos, com 196 lugares e acessibilidade para pessoas com deficiência. A dinâmica de funcionamento será a mesma: de segunda a sexta-feira, das 10h às 14h.
*colaborou Fabíola Costa

