Além dos gastos típicos de início de ano, como impostos (IPVA e IPTU), mensalidades e materiais escolar, as famílias juiz-foranas ainda têm pela frente outro desafio para equilibrar o orçamento em janeiro: a alta dos alimentos. As chuvas de janeiro afetaram diretamente a produção de hortifrutigranjeiros e fizeram os preços dispararem. Ontem, na Ceasa de Juiz de Fora, a caixa de tomate com 20 quilos era vendida por até R$ 80, quatro vezes mais em relação há três semanas, quando o produto era encontrado por R$ 20. O aumento também atingiu chuchu (200%), couve-flor (150%), inhame e quiabo (100%), batata inglesa (66%), cebola (65%) e abobrinha (50%).
De acordo com os produtores, a tendência é que os preços aumentem ainda mais no próximo mês, quando há maior incidência de chuvas. "O clima interfere diretamente nos valores porque a produção de alguns alimentos pode diminuir. Se chover mais, itens como tomate e quiabo ficarão mais caros", alerta o produtor Nélson Longatti, 54 anos.
"Com a chuva, perdemos muito da produção na lavoura. Diminuindo a quantidade de produtos, temos que encarecer os preços", explica o produtor Colimar Ferreira de Moraes, 38 anos. Ontem, ele vendeu 150 caixas de tomate pelo dobro do preço que cobrava há três semanas. O valor (R$ 70) era o mais barato praticado na Ceasa de Juiz de Fora.
A previsão do produtor de mangas, Márcio Pereira, 48 anos, é que a fruta tenha o valor reajustado em até 60% nas próximas duas semanas. " Já estamos no período de diminuição da safra, daqui a pouco vem a chuva e teremos dificuldades na hora da colheita. Como a demanda é sempre muito grande, pode haver falta no mercado, por isso, acredito no aumento de preços", analisa. Atualmente, a caixa de manga de 22 quilos é vendida por R$ 25, caso as previsões se confirmem ela irá para R$ 40.
As prateleiras dos supermercados já refletem o encarecimento, e os consumidores buscam alternativas para diminuírem o impacto no bolso. Na última quadrissemana, o preço da cesta básica pulou de R$ 245,22, cotado em 27 de dezembro, para R$ 266,93, cotado ontem. A alta de 8,85% foi puxada principalmente por tomate, que subiu 46%, banana prata, 19% mais cara e a batata inglesa, que teve alta de 11%. A pesquisa Guia do Consumidor, da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), também aponta alta de todos itens do grupo hortifrutigranjeiros no período (ver quadro).
Para a advogada Patrícia Eliazar Dias, 34 anos, a solução tem sido realizar pesquisa de preços e comprar em menor quantidade. "Desde o início do ano está tudo mais caro. Fico atenta às promoções, mas não tenho visto oferta de produtos como batata, tomate, laranja e mamão", diz. Já a doméstica Luciane de Almeida, 34 anos, preferiu cortar temporariamente alguns itens da lista. "Estou substituindo alguns legumes, mas aqueles que não tem como abrir mão, compro só de vez em quando", explica. O aposentado Getúlio da Rocha Pinto, 58 anos, conta que a estratégia para enfrentar a alta dos preços é ir com frequência ao supermercado. "Venho verificar os valores quase todos os dias e só compro quando eles estão mais baixos." Ele reclama que o encarecimento dos legumes está ocorrendo num período de alta de outros produtos, como feijão e carne. "Dessa forma, o orçamento fica apertado."
Vendas caem, e produtos ‘somem’
A elevação dos preços de hortifrutigranjeiros tem causado descontentamento dos consumidores e redução das vendas em alguns estabelecimentos. De acordo com o presidente dos concessionários do Mercado Municipal, Carlyle Lopes Barros, houve queda de até 15% da demanda desde que os valores subiram. "É uma situação complicada, pois como também pagamos mais caro, temos que repassar aos clientes." Ele diz que em três semanas, a couve-flor passou de R$ 2,90 para R$ 4,90 a unidade, o chuchu subiu de R$ 1,89 para R$ 3,99 o quilo, a cebola foi de R$ 1,89 para R$ 3,59 o quilo, e o inhame, de R$ 2,50 para R$ 3,89 o quilo.
De acordo com Barros, a redução das vendas também é ocasionada pela falta de produtos. "Com as chuvas, parte da produção é perdida. Os compradores têm dificuldades de encontrar itens. O quiabo, por exemplo, sumiu. A couve-flor tem sido encontrada em pequenas quantidades."
Inflação
Brasília (AE) – A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), mostra que os aumentos de preços não darão trégua neste início de 2013. O índice da saltou para 0,88% em janeiro, após uma alta de 0,69% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira.
O resultado surpreendeu o mercado financeiro e analistas revisaram para cima as previsões para a taxa fechada do mês. Em janeiro, os gastos com alimentos e bebidas subiram 1,45%, resultando no maior impacto na inflação, uma contribuição de 0,35 ponto percentual no índice total. Itens importantes no orçamento das famílias ficaram mais caros, como hortaliças, feijão carioca, tomate, cebola, frango, frutas, carnes e refeição fora de casa.
Mas também houve contribuição do aumento no grupo despesas pessoais, de 1,80%, com destaque para o encarecimento do cigarro, excursão, empregado doméstico, cabeleireiro e manicure. Juntos, os dois grupos foram responsáveis por 61% da taxa do IPCA-15 de janeiro, ressaltou o IBGE.
