
Centro da cidade também ficou cheio por causa das compras de última hora
Três em cada dez juiz-foranos mantiveram a tradição e deixaram as compras de Natal para a última hora. O tempo ajudou, a chuva deu uma trégua durante a manhã, e os "atrasadinhos" foram às ruas liquidar a lista de presentes e garantir a ceia da noite. O movimento dos últimos quatro dias, especialmente nesta terça-feira (24), injetou ânimo nos lojistas, que se queixaram de procura fraca ao longo do mês. A expectativa do comércio é fechar a data com alta em torno de 6% nas vendas ante o mesmo período do ano passado. Só no Independência Shopping esperava-se 25 mil clientes hoje.
A técnica de análises clínicas Cristiane Moraes Ferreira, 36 anos, postergou todas as compras para hoje. Com uma lista de cinco pessoas a serem presenteadas, Cristiane enfrentou lojas cheias e fila nos caixas, mas não deixou de pesquisar preços. "Estou por conta", disse, aproveitando que a maioria das lojas fica aberta até as 18h na terça-feira. Apesar de ter iniciado a saga há cerca de um mês, a falta de dois presentes levou o fotógrafo Jurandi Gonçalves Simões, 69, às ruas hoje. Ele encontrou lojas cheias e reclamou da falta de alguns produtos mais disputados, especialmente brinquedos e chocolates.
No Independência Shopping, o movimento na véspera chegou a 40 mil pessoas. Oito mil veículos passaram pelo estacionamento. Segundo o superintendente Fábio Neto, a procura de última hora alavancou as vendas e deixou os lojistas mais otimistas em relação à data. "Percebemos que, mesmo adiantando as compras, muitos deixaram para adquirir os últimos presentes hoje." Para o superintendente, no entanto, o perfil das vendas do dia 24 se enquadra nas compras rápidas. "As pessoas chegam e compram, não ficam analisando, passeando ou utilizando a praça de alimentação. Muitos ainda vão viajar ou querem chegar mais cedo em casa." No Santa Cruz Shopping, o movimento também foi intenso durante toda a manhã.
A pedagoga Rafaela Savino, 39, recorreu ao shopping. "Por conta do trabalho e estudo, não tive tempo de ir às ruas e pesquisar. Até fui ao Centro, mas não achei o que gostaria." Também aproveitando a folga, o militar Vinícius Pereira, 32, reservou a manhã para levar para casa presentes para filho e sobrinho. "Achei melhor este horário para não enfrentar muita fila."
"Por mais que tentem se programar, não tem jeito. As pessoas deixam as compras para a última hora. Vai vender muito, com ou sem chuva", aposta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Vandir Domingos. Para Vandir, o crescimento pode superar a meta inicial de 6%, chegando a 8%. O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, identificou aquecimento entre sábado e segunda-feira. Para ele, o Natal deste ano deve apresentar crescimento de 4% a 6% ante o que passou.
Segundo a gerente da Ri Happy, Camila Santiago, na segunda-feira, as vendas cresceram 30% ante o ano anterior. Alguns brinquedos chegaram a faltar no estoque. "O movimento melhorou nos últimos dias." Na World Tennis, o gerente Guilherme Mendonça percebeu incremento desde o último fim de semana. "Começamos dezembro bem fraco. Temos esperanças de recuperar as vendas, inclusive depois do Natal."
Para o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, deixar as compras natalinas para a última hora não é uma boa opção para quem pretendia gastar menos. "Quanto mais perto do Natal, mais caros os presentes ficam. Se o consumidor deixa para comprar em cima da hora, acaba não tendo tempo para pesquisar preços e, consequentemente, desembolsa mais, sem mencionar o risco de não encontrar o produto desejado." Conforme avaliação do órgão, o juiz-forano não difere do consumidor no restante do país. A uma semana para a data, 16,5 milhões de brasileiros não haviam feito as compras para o Natal.

