
O comportamento econômico de Juiz de Fora e de outros municípios da Zona da Mata poderá ser acompanhado, de perto, a partir de agora, com a criação do Indicador de Atividade Econômica Municipal (IAEM). Fruto do trabalho desenvolvido pelo projeto Conjuntura e Mercados Consultoria Júnior (CMC Jr.), da Faculdade de Economia da UFJF, o indicador, que considera quatro variáveis – movimentação do emprego, arrecadação municipal, abertura externa (balança comercial) e atividade bancária -, foi criado com o objetivo de monitorar, a cada mês, a evolução da economia nos 142 municípios da Mata mineira. Com ele, é possível ranquear as cidades a partir da intensidade de sua atividade econômica e iniciar uma série histórica regional.
Na análise das oito maiores economias da região, ordenadas de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013, percebe-se que Juiz de Fora lidera a região, com o maior IAEM. O município, aliás, manteve-se na liderança regional no período avaliado, entre janeiro e abril. Ubá, a segunda cidade da Mata com maior PIB, apresentou queda expressiva no ranking, de 12º lugar em janeiro para 21º em abril. Muriaé, Manhuaçu e Viçosa também apresentaram perda de posição na base avaliada, enquanto Cataguases e Ponte Nova mostraram reação. Visconde do Rio Branco permaneceu estável (ver quadro).
Segundo o coordenador do IAEM, Fernando Perobelli, a estabilidade de Juiz de Fora é atribuída ao fato de a cidade não depender de um único setor econômico, como acontece com a vizinha Ubá, especializada no setor moveleiro. O resultado negativo para o nível de atividade daquele município pode estar refletindo a crise na indústria de móveis e confecções, avalia.
Perobelli destaca, ainda, a importância da cultura cafeeira, em plena safra, na movimentação econômica de cidades como Manhuaçu, Espera Feliz e Carangola, que ganharam posições relativas no período. O comportamento dos municípios, mensurado pelo indicador, tem por base a comparação com a capital mineira. “O valor que o IAEM assume para cada município não retrata apenas o tamanho da economia local, mas indica o quanto a atividade econômica aumentou ou diminuiu em relação a Belo Horizonte”. Por ser considerada a cidade de maior pujança econômica, a intenção, explica, é convergir as economias para a capital.
O coordenador destaca que, ao contrário do PIB, o Indicador de Atividade Econômica Municipal não é estático, e a sua movimentação, mês a mês, pode contribuir para a definição de políticas públicas, em especial econômicas, para os municípios analisados. Perobelli explica, ainda, que não apenas a produção de riqueza (PIB) passa a ser considerada, mas outras quatro variáveis – e suas sazonalidades – capazes de contribuir para um melhor entendimento das características de cada município, como os volumes de exportação e de importação, a arrecadação de impostos (IPI, IPVA e ICMS), as operações bancárias e as características do mercado de trabalho por setor de atividade.
Para as próximas edições, há a possibilidade de ampliar a aplicação do indicador para além dos municípios da Zona da Mata. Se o papel coordenador de Juiz de Fora na região hoje é inquestionável, com a ampliação, será possível dimensionar a sua posição também em relação ao restante do estado. O indicador foi divulgado na nova edição do Boletim Trimestral CMC Jr., referente ao período de abril a junho deste ano, disponível no site www.ufjf.br/economia/projetos/cmc-jr.

