A entressafra mal começou, e o consumidor já está pagando 8,2% a mais pelo litro do leite C em Juiz de Fora. Conforme pesquisa mais recente da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), o valor médio praticado na cidade era de R$ 1,811 ontem. No mesmo período do ano passado (19 de maio), o litro era encontrado a R$ 1,673 na cidade. Para especialistas, o preço pode atingir a marca de R$ 2 para o consumidor final no auge da entressafra, esperado para final de junho e início de julho.
Os derivados acompanham a escalada. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), o custo médio subiu até 16,10% no mercado mineiro, como foi o caso da manteiga. Também houve aumento no queijo prato (10,5%) e no leite pasteurizado (9,4%). Dentre os seis produtos analisados pelo núcleo, o leite UHT apresentou a menor diferença: 1,2%, considerando os valores médios praticados em março deste ano ante o mesmo mês de 2011.
O coordenador de pesquisas da SAA, Júlio Alvarenga, explica que, nos anos anteriores, a variação do preço do leite chegava a 30% durante o intervalo entre as safras. "Nessa época do ano, havia uma alta muito elevada, fazendo com que o custo despencasse por volta de setembro", explica. Desde 2011, afirma, o cenário mudou. O alimento recuperou o preço de mercado, apresentando custo linear e fazendo com que os aumentos não fossem excessivos, nem a redução de custo ao longo do ano. "Para o produtor é muito bom, porque, agora, ele pode se programar."
Por este motivo, as variações no ano são pequenas, comprova Alvarenga. Em relação ao início de 2012, por exemplo, o aumento foi de apenas 0,6%. Na primeira sondagem da SAA, divulgada em 4 de janeiro, o valor do litro era R$ 1,796. Em relação à semana anterior (dia 16), a alta é de 0,22%. Na época, o valor pago pelo consumidor era R$ 1,807. A entressafra, segundo o coordenador, deve se estender até agosto e início de setembro, coincidindo com o início do período de chuvas. Neste período, avalia, o litro não deve superar R$ 2, "porque o consumidor final não suporta mais do que isso", aposta.
O presidente do Sindicato Rural, Domingos Frederico, também considera que o preço médio pode chegar a R$ 2 na cidade. Ele não acredita em risco de desabastecimento, mas considera a possibilidade de redução no consumo. Para Domingos, com o aumento do dólar, pode haver diminuição da importação do alimento, especialmente da Argentina e do Uruguai, beneficiando o mercado interno. Entretanto, a alta das commodities deve impactar diretamente o preço da ração, contribuindo também para a majoração do leite, além do fator sazonal. Na sua opinião, o valor pago ao produtor hoje, em torno de R$ 0,90, não cobre os custos da produção, principalmente neste momento, em que se gasta mais com a complementação alimentar do gado. No estado, o produtor recebeu, em média, R$ 0,8828 pelo litro de leite em abril.
