O trabalhador juiz-forano com carteira assinada recebeu, em média, R$ 1.769,07 no ano passado, menos de três salários mínimos. O valor refere-se a remuneração, que considera salário e benefícios, é 8,4% menor do que a média mineira (R$ 1.931,43) e quase 22% inferior à média brasileira (R$ 2.265,71). No mercado local, a exemplo do restante do país, o ganho médio do homem é superior ao da mulher: R$ 1.893,02 contra R$ 1.610,61. A diferença chega a quase 15%, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) referentes a 2013.
De posse dos dados, o professor da Faculdade de Economia da UFJF, Fernando Perobelli, um dos coordenadores do projeto Conjuntura e Mercados Consultoria Jr, avalia que Juiz de Fora pode continuar perdendo importância relativa nos contextos estadual e nacional, caso o cenário persista, já que a renda é um dos determinantes do consumo e de variações positivas na demanda por bens na economia. "A renda gerada no município pelos trabalhadores com carteira assinada pode indicar um desaquecimento das atividades produtivas." Sobre a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, Perobelli avalia que, neste quesito, a cidade segue tendência nacional.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda (Sdeer) da Prefeitura de Juiz de Fora, André Zuchi, apesar de o ganho médio na cidade ser inferior às médias mineira e nacional, vem melhorando nos últimos anos. Ele comenta que o vencimento médio juiz-forano subiu de 2,5 mínimos em 2011 (R$ 1.362,50) para 2,6 em 2013 (R$ 1.769,07). Na época, os mínimos eram de, respectivamente, R$ 545 e R$ 678. Para o cálculo, Zuchi considerou valores nominais do IBGE e da Rais. Sobre o fato de a média nacional ser muito superior à juiz-forana, o secretário pondera que a inclusão das cifras dos grandes centros eleva a média nacional.
Setores
Dentre os oito setores produtivos mapeados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na cidade, quatro apresentam vencimentos superiores à média municipal: serviços industriais de utilidade pública (R$ 3.597,62), administração pública (R$ 2.885,82), extrativo mineral (R$ 2.239,36) e serviços (R$ 1.893,68). Encontram-se abaixo da remuneração média juiz-forana: indústria da transformação (R$ 1.682,61), construção civil (R$ 1.367,93), comércio (R$ 1.211,77) e agropecuária (R$ 949,53). Uma particularidade é que as duas ocupações com maior estoque de empregos na cidade – vendedor de comércio varejista e auxiliar de escritório – também oferecem vencimentos abaixo da média, R$ 1.185,39 e R$ 1.254,41, nesta ordem e também considerando o ano passado.
Sobre o resultado setorial, Perobelli identifica a importância relativa do setor público na formação da renda no município. "Se este cenário permanecer no futuro, haverá um aumento da dependência da formação de renda do município em relação ao setor público." Na opinião do economista, mudanças na condução da política macroeconômica que exijam ajustes nos gastos deste segmento podem impactar fortemente o município.
Zuchi destaca que Juiz de Fora é polo em serviços públicos e pondera que haveria risco para a economia caso houvesse demissão em massa, o que não está previsto no regime estatutário prevalente no setor público. O secretário destaca as ações visando a atrair indústrias e serviços intensivos em tecnologia, que permitam a elevação salarial. "É uma realidade que precisamos fazer avançar, por meio de empregos de qualidade." Para Zuchi, há muito a percorrer, e o caminho mais plausível, diz, é criar empregos de maior valor agregado. Daí o esforço pela captação de empresas e efetiva instalação do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região.
Experiência
Ainda conforme os dados do MTE, os vencimentos aumentam com o ganho de idade do juiz-forano. O trabalhador entre 18 e 24 anos recebe, em média, R$ 1.033,58. O valor sobe para R$ 1.775,32 na faixa entre 30 e 39 anos, chegando a R$ 2.126,36 entre 40 e 49 anos. As maiores remunerações são identificadas entre os que têm de 50 a 64 anos – R$ 2.497,43. "Este resultado também segue uma tendência nacional e mostra a importância relativa da educação e da experiência para os ganhos dos indivíduos", avalia Fernando Perobelli.
A chefe do Setor de Trabalho, Emprego e Renda da Gerência Regional do Trabalho e Emprego, Paula da Costa Maia Freguglia, avalia que, ao reunir dados referentes a emprego e remuneração média, a Rais oferece um panorama mais completo do mercado de trabalho ante o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que contabiliza o saldo de empregos formais. O recurso é considerado importante para mapear o emprego e verificar como está a economia do país e de cada município em especial, avalia.
