A dificuldade para conseguir carros e a recusa de atendimento por parte de alguns taxistas são as principais reclamações dos portadores de necessidades especiais que utilizam o serviço de táxis adaptados na cidade. Desde 2010, cinco veículos especiais, localizados em pontos centrais de Juiz de Fora, estão em circulação para atender preferencialmente este público. Mas, segundo os usuários, o serviço ainda deixa muito a desejar.
O professor universitário Franco Gróia, 38 anos, conta que nunca conseguiu atendimento através dos tele táxis. É praticamente impossível encontrar um carro adaptado via rádio. Nos pontos, ele diz que também teve dificuldades para utilizar o serviço. Da última vez em que tentei, desisti e voltei para casa de ônibus. Estava voltando de viagem e encontrei um carro disponível na rodoviária. Depois que entrei no veículo, aconteceu uma pane elétrica e tudo travou. Fiquei cerca de 30 minutos preso e percebi um despreparo do motorista sobre como agir diante daquela situação. Na ocasião, estava presente um fiscal da Settra que multou o veículo.
Para o aposentado Wellington Lima Mendes Cavalcante, 59 anos, é necessário investir mais na capacitação dos taxistas que atendem os cadeirantes. Não podemos generalizar, mas alguns ainda não sabem operar o veículo adaptado e transmitem insegurança ao passageiro. Quando fui levar minha mãe ao hospital, o motorista não conseguia dobrar o banco para colocar a cadeira, relata.
Funcionária do Núcleo de Atenção Especial à Pessoa com Deficiência (NAEPD), Maria Ângela Vasconcellos Fróes, 50 anos, diminuiu a frequência que usava o serviço pelas dificuldades que diz encontrar. Quando é possível, substituo o táxi pelo ônibus, pois as complicações são tantas que desmotivam. Segundo ela, mesmo agendando a corrida, os problemas acontecem. Já fiz o agendamento para um batizado em que meu noivo seria padrinho, e na hora o carro não apareceu. Em outra situação, o taxista se negou a nos buscar no Bairro Nova Era. Nós propusemos pagar o dobro, e aí ele aceitou. Paguei contra a minha vontade, pois já era domingo, valendo a bandeira 2.
De acordo com a secretária do Conselho Municipal das Pessoas Portadoras de Deficiência (CMPD), Valéria Andrade, o fato do serviço adaptado ser preferencial, e não exclusivo, acentua os problemas para os usuários. Há taxistas que preferem levar passageiros que não são cadeirantes, com isso, a capacidade de atendimento diminui. Ela informa que no dia 15 de maio será realizada uma reunião da CMPD, Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra), representantes dos taxistas e do NAEPD para discutir melhorias no serviço.
O presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, afirma que a entidade também tem recebido muitas reclamações sobre o serviço dos táxis adaptados. Ouvimos queixas sobre motoristas que negam atendimento, isso está errado. A Associação apoia negar corrida apenas nos casos em que o motorista desconfie do passageiro. Ele destaca que os veículos que não são adaptados, mas que por serem maiores comportam a cadeira de rodas, também têm levado cadeirantes.
Mais cinco carros
A Settra informou que, até o final de maio, a cidade deve ganhar cinco novos veículos adaptados. Acreditamos que a ampliação do serviço ajudará a minimizar os problemas enfrentados pelos portadores de necessidades especiais, afirma a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena Vieira. Ela destaca que a formalização das queixas também é uma forma de contribuir para melhorias. Até hoje, só registramos cinco reclamações. Temos dificuldades em fiscalizar o serviço, por isso, contamos com os usuários para nos dar este retorno.
Segundo Roberta, apesar do baixo número de registros, a Settra está ciente dos problemas. Entendemos que é um serviço novo, que precisa de adequações para que seja viável ao taxista e eficaz aos passageiros. As reclamações podem ser feitas através do Serviço de Orientação ao Usuário (SOU – 3690-8212) e do Procon Fone (3690-7610 e 3690-761).
