
Só no último dezembro, cidade perdeu 1.254 postos com carteira assinada (Fernando Priamo/21-01-16)
Juiz de Fora apresentou o pior resultado da história do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com 3.804 empregos com carteira assinada extintos em 2015. É o pior cenário verificado em toda a série histórica, iniciada em 2002. Em 2014, também houve retração, mas em percentual muito inferior (-53). Ao longo do ano passado, as demissões (63.647) superaram as contratações (59.843), resultando no desempenho negativo mapeado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Dezembro contribuiu para este cenário, com a extinção de 1.254 postos formais. Foi o pior mês do ano, que contabilizou apenas três meses com resultado positivo. Em dezembro de 2014, o saldo também foi negativo (-1.092), mas em menor percentual. No ranking estadual de evolução do emprego formal, o município ficou em 104º lugar. Só melhor do que Uberaba, Contagem, Uberlândia, Betim, Nova Serrana e Belo Horizonte. Dentre os setores produtivos mapeados pelo Caged, serviços apresentou o pior resultado (-1.197), seguido por comércio (-879), indústria (-857) e construção civil (-683) no ano (ver quadro).
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, considera o momento “muito difícil”. Ele reforça que é a primeira vez que presencia uma destruição tão forte de postos de trabalho, em todos os níveis e setores. Na sua opinião, de 80% a 85% deste quadro são fruto de uma “desorganização econômica e política” a que o país está exposto. Zuchi destaca o cenário recessivo verificado desde 2014, aprofundado em 2015 e que, segundo ele, continua forte em 2016. Diante deste quadro, diz, é preciso olhar para o futuro e buscar alternativas para recuperar os empregos perdidos e criar novos. O caminho, avalia, é continuar o trabalho de atração de investimentos.
Para o professor da Faculdade de Economia da UFJF, Wilson Rotatori, em um cenário recessivo, cortar empregos talvez seja a primeira opção para redução de custos em setores que não exigem muita qualificação. Nos demais, porém, o alto custo para recontratação pode desestimular a dispensa, colocando-a como última alternativa na redefinição do fluxo de caixa. Rotatori observa que o fechamento de postos formais pressiona o trabalhador a buscar uma recolocação com carteira assinada, mesmo com salário inferior, ou a migração para a informalidade. Em ambos os casos, avalia, a redução da massa salarial afeta a cadeia produtiva e a economia de toda a cidade.
No país
O país fechou, em 2015, com perda de 1,542 milhão de postos de trabalho com carteira assinada. O dado é o pior da série histórica iniciada em 1992, segundo o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto. Em 2014, foram geradas 420,7 mil vagas formais, pela série com ajuste. Em Minas, foram menos 196.086 postos. No país, a indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de vagas fechadas (-608.878). A construção civil foi responsável pelo segundo maior corte (-416.9). Nos serviços, foram menos 276.054 empregos formais. Para o ministro, 2015 foi um ano difícil, mas “as conquistas dos últimos anos estão preservadas, pois o estoque de empregos continua alto.”
Cortes acompanham queda no faturamento
O presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, afirma que o fato de Juiz de Fora apresentar o pior nível de empregabilidade reflete a expectativa de queda no faturamento da indústria em mais de 10% em 2015 ante 2014. O consolidado do ano passado ainda não está pronto, mas caminha nesta direção. Conforme Campolina, os principais cortes foram verificados nos setores metalmecânico, têxtil e de malhas. “O consumo e a venda não foram compatíveis com o que foi produzido”, argumenta.
De posse dos dados do Caged, o presidente da Fiemg pontua que os setores de comércio, indústria e construção civil estão mais ou menos no mesmo nível, mostrando, segundo ele, a “decadência dos setores produtivos da cidade”. Campolina preocupa-se com os reflexos do arrefecimento na receita municipal, reduzindo, por consequência, a capacidade de investimento e prestação de serviços em setores essenciais pelo Município. Na sua opinião, os problemas enfrentados não estão relacionados apenas ao cenário macroeconômico, mas também à elevada carga tributária praticada no estado. A necessidade de redução do ICMS em Minas é considerada urgente, para possibilitar ganho de competitividade e atração de novos investimentos.
Comércio
O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, destaca o papel do comércio como principal agente empregador do município. Na sua opinião, a retração verificada no Caged representa o ajuste das empresas às despesas cada vez mais altas, enquanto vendas e lucratividade apresentam queda. Beloti cita o peso dos encargos trabalhistas – cobrando reforma do setor – e o temor pelo aumento da informalidade. Na sua opinião, o cenário, pelo menos no primeiro semestre de 2016, não deve ser muito diferente do ano que passou, exigindo do empresariado inovação e criatividade para continuar vendendo e ações concretas para “enxugar a máquina”. O presidente lembra que, quando desempregadas, as pessoas deixam de consumir, o que não é bom para o comércio, para a indústria e nem para a cidade.

