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Bom ano para se investir

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Especialista mostra tablet que rastreia táxis via GPS
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O atual cenário econômico brasileiro traz bons ventos para aqueles que estão pensando em se tornar empreendedores este ano. A política econômica do Brasil, que resistiu às crises, aliada a incentivos, como ampliação do teto do Simples Nacional de R$ 36 mil para R$ 60 mil, e as ações de fomento aos micro e pequenos empresários têm feito com que analistas avaliem 2012 como um ambiente bastante favorável para aqueles que pretendem iniciar o negócio próprio. Para orientar esta decisão, a Tribuna ouviu consultores, analistas e professores, que apontaram sete principais tendências de negócios que estarão em alta neste e nos próximos anos (ver quadro).

Segundo o analista do Sebrae/MG, Paulo Veríssimo, o aquecimento do mercado interno e programas governamentais, como a segunda fase do "Minha Casa, Minha Vida" e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento estão entre os principais fatores que favorecerão o ambiente para novos empreendedores. Além disso, ele destaca uma mudança no perfil das pessoas. "Antes víamos com muita frequência a abertura de empresas por necessidade, em função de desemprego ou aposentadoria. Hoje, vemos pessoas se informando mais e se qualificando. O nível de informação é bem maior."

Para o coordenador da Endeavor em Minas Gerais (principal organização mundial que fomenta o empreendedorismo de lato impacto), Rodolfo Zhouri, e estado e o país estão presenciando um boom de novos empreendedores, propiciados pelo ambiente econômico e "formas mais estruturadas de estímulo".

"Há um capital empreendedor e várias pessoas apoiando novas iniciativas. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas têm linhas específicas de apoio à inovação. Há muito mais estímulo." A Caixa, por exemplo, vai destinar este ano R$ 345 milhões em crédito para empreendedores individuais.

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Ele também destaca o interesse dos jovens na abertura de empresas próprias. "Fizemos uma pesquisa junto a universitários que comprovou que 50% deles têm interesse em investir em projetos próprios."

As reduções consecutivas na taxa de juros (Selic), que poderá chegar a 9,5% este ano, e a posição de destaque do Brasil em relação a outros países emergentes são os fatores apontados pelo consultor empresarial Márcio Andrade Borges para avaliar o bom momento para novos negócios. "O cenário do Brasil vai de vento em popa, e estamos servindo de vitrine para o mundo. Fatores como o aumento do salário mínimo e do nível de emprego irão afetar principalmente o varejo. Tudo indica que teremos um ano de alto consumo, o que irá impactar o mercado positivamente como um todo." De acordo com o professor de administração financeira das Faculdades Integradas Vianna Júnior, Pablo Stephan, há um esforço por parte do Governo, nos âmbitos regional e nacional, em se estimular novos negócios. "Novos empreendedores são beneficiados nesse processo. O efeito multiplicador, com arrecadação de impostos, criação de empregos é algo que é muito bem visto por parte do Governo."

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Segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o número de novos negócios em Juiz de Fora no último ano cresceu 22,1% na comparação com 2010. Foram 4.572 novos empreendimentos, contra 3.744 em 2010, considerando empresas e empreendedores individuais.

O número de novas empresas teve um crescimento de 2,8% (1.942 contra 1.888 no ano anterior), enquanto o total de empreendedores individuais (EI) teve uma ampliação de 41,7% no mesmo período (2.630 ante 1.856 em 2010). Na área de serviços houve alta 9,4%. Entre os EIs, o setor também liderou a abertura de novos negócios, com um crescimento de 52,3%.

O número de empresas e EIs extintos na cidade também cresceu. Foram 723 negócios fechados em 2011, contra 645 no ano anterior, alta de 12,09%. No estado, o total de empresas também cresceu: 23,88%. Já a quantidade de negócios extintos sofreu elevação de 28,3% em 2011.

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A falta de capital de giro e a dificuldade em calcular o tempo de retorno de um investimento são os principais erros cometidos por empreendedores nos negócios que fecham as portas, na avaliação do analista do Sebrae/MG, Paulo Veríssimo. "A gente sempre repete isso: o planejamento é fundamental para qualquer tipo de negócio."

Para o coordenador da Endeavor, a falta de capital de giro é um dos principais problemas. "Muitos quebram, pois acabam pegando dinheiro a juros altos. Além disso, as pessoas devem ter atenção na retenção de seus talentos, e procurar formas de remunerar o funcionário para estimular a produtividade e o crescimento da empresa." Para quem quer começar, ele adianta que somente uma boa ideia não é o suficiente. "É preciso ter conhecimento técnico, um bom produto, conhecimento de como gerir um negócio educação e também dinheiro." Já o professor Pablo Stephan aponta que os maiores problemas são "inexperiência, má assessoria, espírito aventureiro e inabilidade em ‘tocar’ o negócio".

 

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Novos negócios crescem 22%

 Setor de tecnologia lidera apostas

Entre todos os especialistas ouvidos, o setor de tecnologia foi o que mais se destacou entre as principais tendências. Desenvolvedores de aplicativos para smartphones e tablets estarão com um ambiente bastante propício para crescimento. "Programas voltados para segurança e mobilidade urbana, além de tecnologias móveis, estão entre as principais apostas para os próximos anos", destaca o coordenador da Endeavor, Rodolfo Zhouri. Por conta do consumo aquecido, o varejo também estará em posição de destaque. "Vai vender mais quem souber identificar as novas demandas da população, que estará com mais dinheiro e mais disposta a experimentar novos produtos", avalia Borges.

De acordo com a responsável pelo setor de incubação de empresas do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt), Socorro Rocha, o Governo nos últimos anos "abriu as portas para a inovação e o empreendedorismo" com o lançamento de diversos editais como o da Primeira Empresa Inovadora (Prime), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). No último edital, 12 novas empresas locais receberam R$ 120 mil para a contratação de empresas de gestão e consultoria para estruturação de seus negócios. Ela também observa um crescimento da procura por editais de incubação. "A incubadora oferece espaço físico para a instalação das empresas, ambientes como sala de reuniões, sala de auditório com multimídia, laboratório de informática e fazemos todo o apoio gerencial dos incubados." Segundo ela, 92% das 23 empreendimentos que se graduaram no Critt estão consolidados no mercado.

Uma delas foi a Aprimorar, que hoje já possui outros dois "braços" – a Monitorar e a Mídia T. De acordo com um dos sócios da Aprimorar, Petherson Lacerda, a empresa já desenvolveu um programa para rastreamento de táxis via GPS para garantir mais segurança aos taxistas da cidade. Por meio de um tablet, os táxis também poderão exibir publicidades. O sócio também adianta que está em desenvolvimento uma ferramenta para controlar a frota de ônibus e informar ao usuário de Juiz de Fora em quanto tempo o ônibus irá chegar ao ponto, também por meio de monitoramento via satélite. "Além disso, o agente de trânsito (Settra) terá condições de monitorar a qualidade do serviço" adianta.

Outra empresa de tecnologia é a Proveu, que produz registradores de dados usados para controle de ponto de trabalhadores. Segundo o diretor de tecnologia, Adriano de Almeida Pereira, a empresa já produziu, desde 2005, mais de oito mil unidades de relógios de ponto. Por conta do adiamento pela quinta vez, da obrigatoriedade do ponto nas empresas, a companhia iniciou o desenvolvimento de outros produtos, como catracas e relógios de ponto cartográfico (que imprime a hora em cartão do funcionário), informa o gerente de relacionamento, Marcos Paulo De Martin.

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