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Serviços miram consumidor sem tempo

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Seguindo a tendência de grandes centros, Juiz de Fora abre espaço para modelos de negócio cada vez mais personalizados. As oportunidades criadas incrementam, sobretudo, o setor de serviços e atendem à demanda de consumidores que, com ritmo de vida apressado e maior potencial de consumo, priorizam o conforto e o atendimento individualizado. De olho neste filão, os empreendedores abusam da criatividade para ganhar dinheiro.

Ângela Leite, 33 anos, deixou o trabalho de balconista para ser cozinheira a domicílio. A profissão, conhecida como personal cooker e comum em algumas capitais, atende pessoas que não têm tempo para cozinhar e não desejam contratar os serviços de uma empregada doméstica. "Sou chamada para ajudar tanto em dias comuns como em ocasiões especiais. Faço desde as compras no supermercado até a composição da mesa", diz.

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Segundo ela, a ideia do negócio surgiu por incentivo de amigos e foi consolidada este ano. "Já morei em vários estados e sei fazer pratos bem diferentes. As pessoas me sugeriram abrir um restaurante, mas isto me demandaria um investimento bem maior." Ela conta que o modelo de trabalho tem sido bem aceito. Dentre as vantagens destacadas pela cozinheira estão a lucratividade e o horário flexível. O preço médio praticado é de R$ 50 para uma refeição para até cinco pessoas.

Na avaliação do analista do Sebrae-MG, Paulo Veríssimo, o crescimento do segmento de alimentação fora de casa contribui para que ações desse tipo sejam bem sucedidas. "Verificamos que o juiz-forano tem frequentado mais restaurantes, e aqueles que se alimentam em casa buscam praticidade. Mais do que ser criativo, o empreendedor tem que identificar a necessidade do consumidor."

Quem também buscou atender as novas demandas dos juiz-foranos foi a ex-secretária Helenice Ferreira, 43 anos. Atualmente, ela trabalha como personal organizer: é responsável pela organização de ambientes, closets, armários e despensas. "É um serviço que atende as pessoas que têm uma rotina mais atribulada, o que é comum a muita gente, independente da classe social. Trabalhei muitos anos em Viçosa em repúblicas de estudantes", conta.

Ela relata que a profissão tem sido mais conhecida na cidade e a procura pelo serviço aumentou nos últimos meses. "Faço cerca de quatro atendimentos por semana. Os próprios clientes indicam para outras pessoas." Helenice ressalta que o custo-benefício é uma vantagem para o consumidor. "O preço médio do serviço é de R$ 100, e a organização dos ambientes dura muito tempo."

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Filão

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De olho no filão cada vez mais lucrativo do mercado de animais de estimação, a bióloga e especialista em comportamento animal, Cláudia Mara Pelagagi, 49 anos, abriu a Odi Momento Animal. A empresa oferece atendimentos de hotel em domicílio e cuidados de dogwalker (passeador de cães). "O trabalho do dogwalker é diferenciado em relação aos acompanhantes de animais. Além do passeio, o profissional realiza uma orientação comportamental a fim de oferecer limites de disciplina", esclarece. Já o hotel em domicílio, afirma Cláudia, garante que o animal seja cuidado em sua própria casa. "É uma forma de não alterar a rotina do bicho enquanto os donos viajam, por exemplo. Ele recebe os cuidados de alimentação, escovação e medicamento, se for preciso, diariamente, quantas vezes for necessário."

 

Mercado exige qualidade

De acordo com pesquisa divulgada pelo IPC Marketing Editora, o potencial de consumo dos juiz-foranos até o final do ano deve atingir R$ 10,2 bilhões. Boa parte deste montante deve ser absorvida pelo setor de serviços que, atualmente, conta com 3.500 estabelecimentos e quatro mil empreendedores individuais, conforme dados do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora, entidade representativa do segmento.

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Na avaliação do coaching empresarial e conferencista Narciso Machado, a criação de modelos personalizados pode ser um diferencial na atração da clientela. "Quando você inova, sai na frente da concorrência e atende com qualidade, sua capacidade de gerar negócio é maior."

Para ele, há uma tendência mundial da personalização dos negócios e a demanda é proveniente, sobretudo, das classes mais altas. "As necessidades dos consumidores evoluem. Empreendedores inteligentes, pró-ativos e que enxerguem estas mudanças podem se beneficiar dessa demanda. Notamos um crescimento da procura por atendimento individualizado por parte das camadas A e B, e um movimento da classe C na criação de oportunidades para atender este filão."

Ele destaca, no entanto, que a atividade requer, além de criatividade e inovação, planejamento e atenção contínua. "No mercado, não há consolidação permanente. É preciso se preparar para atender o cliente e, principalmente, se reciclar sempre. Os hábitos dos consumidores mudam com o tempo, e é necessário estar atento para adaptar-se às novas demandas."

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