
Modelo do Actros 2012, que será prpduzido exclusivamente em JF, foi um dos veículos apresentados
Campinas (SP) – A Mercedes-Benz pode dobrar o número de funcionários da planta juiz-forana em 2013, atualmente em torno de 800, a partir do comportamento do mercado aos produtos da marca. A intenção foi anunciada ontem pelo presidente da montadora no Brasil, Jürgen Ziegler, durante o lançamento da linha 2012 dos veículos comerciais. O executivo também afirmou que os projetos na cidade estão garantidos, mesmo com a decisão do Governo federal de elevar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados(IPI) das montadoras que importam veículos, visando a aumentar a utilização de componentes nacionais. "O aumento do IPI não vai mudar os planos para Juiz de Fora", garantiu.
De acordo com Ziegler, estão sendo investidos R$ 450 milhões para adaptação da planta juiz-forana, considerada uma das fábricas de produção de caminhões mais modernas do mundo. A informação é que a conversão está avançada, "com ensaios de produção da nova linha". O início da produção efetiva está confirmado para janeiro de 2012. A meta é que sejam produzidos 15 mil veículos por ano na cidade, exclusivamente os modelos Actros e Accelo. O aumento da utilização da capacidade instalada também depende do comportamento do mercado.
O programa de nacionalização em Juiz de Fora prevê início da produção com 25% a 30% de peças nacionais, passando para 40% em 2013 e chegando a 60% no final de 2014. Segundo o presidente, esta é uma medida importante para redução de custos e ganho para os clientes. O Actros será produzido exclusivamente em Juiz de Fora. A produção do Accelo será dividida com a unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Ziegler afirmou que 50 trabalhadores que estavam em treinando na Alemanha estão voltando a Juiz de Fora para atuarem como agentes multiplicadores. O presidente destacou a manutenção da força produtiva, mesmo durante o período de adaptação da planta. Destacou a adoção de um novo modelo em que os fornecedores estarão sediados próximos da montadora e da área de produção, unindo a cadeia produtiva e agregando valor à montagem no fornecimento de subprodutos. Pelas contas de Ziegler, cada fornecedor pode multiplicar em 2,5 o número de funcionários diretos da planta.
O investimento na fábrica juiz-forana está entre as medidas adotadas para que a montadora, que é a maior fabricante de veículos comerciais do mundo, recupere a liderança de vendas no segmento de caminhões em 2012. Outra ação foi a ampliação da capacidade na unidade de São Bernardo do Campo, elevando de 65 mil para 75 mil unidades fabricadas por ano. Lá, também foram contratados mil profissionais para a criação de um terceiro turno de trabalho.
Impactos do IPI
De acordo com o vice-presidente de vendas da Mercedes, Joachim Maier, o Actros deve chegar ao mercado com valor médio entre R$ 310 mil e R$ 340 mil. O impacto do acréscimo do IPI será repassado aos veículos importados da Alemanha e deve ser da ordem de R$ 100 mil. Em função da elevação, é esperada queda de 20% nas vendas nos primeiros seis meses de 2012, com perspectiva de recuperação ao longo do ano. O atendimento às novas regras de controle de emissão de poluentes no Brasil e na Europa, respectivamente Proconve P7 e Euro 5, também deve impactar o custo dos produtos, entre 6% e 10%, disse.
A Mercedes-Benz esclareceu, ainda, que a linha produzida em Juiz de Fora não será impactada pelo aumento do imposto, já que os 65% mínimos de nacionalização exigidos pelo Governo federal referem-se à atuação da montadora no Brasil e não ao percentual de um produto específico. Por isso, a nacionalização do Actros, a médio prazo, segue abaixo de 65%. Segundo Maier, a média de nacionalização da Mercedes passa de 70%. Ziegler, no entanto, reconheceu que a medida afeta a montadora, mas garantiu a manutenção de investimentos, operações e pesquisas no país. "Nada vai mudar a médio e longo prazos."
*A repórter viajou a convite da montadora

