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Se tornar hub logístico é desafio para o Regional

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Em novembro de 1999, o então governador Itamar Franco iniciou estudos para a criação do Aeroporto Regional da Zona da Mata (ARZM). Em setembro do ano seguinte, decidiu pela sua construção, com a perspectiva de inauguração em 2002. Nesta segunda-feira, quase dez anos depois, o ARZM começa a operar de fato. Para os que desejavam há quase uma década o pouso em Goianá, é o fim de uma longa espera. Mas para quem pretende fazer do aeródromo alavanca para o desenvolvimento da região, é só o começo. Dois projetos são apontados como fundamentais para isso: torná-lo um hub logístico (ponto central de coleta e distribuição de mercadorias), fazendo valer a vocação para atividade cargueira, e a ambiciosa internacionalização.

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O aeroporto, a 36km de Juiz de Fora, entre os municípios de Goianá e Rio Novo, inicia as atividades amanhã com a opção de voo doméstico para o Viracopos, em Campinas, o segundo aeródromo com maior crescimento de passageiros e tráfego aéreo no mundo, conforme relatório do Airports Council International (ACI) referente a 2010, divulgado este mês. O início da atividade cargueira é esperado para o primeiro semestre de 2012, e a internacionalização desejada para o final deste ano, conforme a Multiterminais Alfandegados do Brasil, administradora do aeródromo.

De acordo com o diretor adjunto da empresa, Denilson Duarte, há demanda para que o ARZM se torne o novo concentrador de carga aérea do Sudeste. Pelas suas contas, cerca de 500 mil toneladas de cargas direcionadas a Minas Gerais e Rio de Janeiro são descarregadas e/ou carregadas em Viracopos e Guarulhos. Ele cita o transporte de produtos que vão de farmacêuticos a eletrônicos, passando por automobilísticos, alimentos e bebidas. Denilson destaca a proximidade com os aeroportos e a possibilidade de o ARZM se beneficiar também com a realização de Olimpíadas e Copa do Mundo no Brasil. Ele ressalta que, desde abril, o ARZM só não teve condições de voo em dois dias de baixa visibilidade, por cerca de 40 minutos.

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A Multiterminais inicia posicionamento como o mais completo operador privado aeroportuário do Brasil. Nossa experiência em portos marítimos, portos secos e logística integrada nos permite afirmar que seremos um operador de ponta, de excelência. Faz parte da nossa estratégia de longo prazo participarmos no processo de privatização da infraestrutura aeroportuária, afirmou o diretor da Multiterminais, Ricardo Vega.

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O aeródromo começa utilizando 72% da pista, 1.800 dos 2.530 metros, em função do morro localizado próximo à cabeceira Sul. A remoção foi iniciada em outubro do ano passado. A Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) garante, via assessoria, que o serviço contratado foi concluído, permitindo a operação da linha comercial. Segundo a Multiterminais, ainda é necessária a continuidade da obra de retirada do morro para que se possa utilizar a pista em sua totalidade (2.530 metros), o que permitirá o pouso de aeronaves maiores – exigidas no transporte de cargas.

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ARZM será agente de transformação

Eu tenho certeza que já deu certo. É irreversível, considera o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina. Segundo ele, a luta da entidade pela concretização do projeto data de 2002. Na sua opinião, à medida em que o usuário adquirir confiança na regularidade das operações, o aeródromo crescerá. Para Campolina, o aeródromo será um agente de transformação da Zona da Mata.

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O coordenador do Centro Industrial, Antônio Flávio Luca do Nascimento, externa a expectativa positiva do empresariado pela viabilização do Regional, considerado vetor de desenvolvimento. Para ele, a operação de cargas poderá otimizar a pauta de exportações, aumentando a participação da região na balança mineira. O coordenador destaca, ainda, a atração de indústrias e a possível geração de empregos e aposta que a internacionalização possa revolucionar a Zona da Mata.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, o início das operações é um forte indutor de desenvolvimento regional. Na sua opinião, o Aeroporto Municipal Francisco Alvares de Assis, o Serrinha, e o Regional podem coexistir, embora reconheça que, ao longo do tempo, um deles tende a dominar o mercado. Para Zuchi, os dois aeroportos podem se ajudar, na medida em que um permitirá o pouso e a decolagem em caso problemas de teto do outro. Segundo o secretário, as empresas que chegam à cidade têm apontado o início das operações do ARZM como ganho logístico. Após dez anos, é um bom começo.

Municípios não têm infraestrutura, diz Ampar

Para o presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paraibuna (Ampar), Marcílio Vieira Pacheco, está sendo dado o primeiro grande passo para o desenvolvimento da Zona da Mata. Na sua opinião, os municípios do entorno ainda não estão preparados em termos de infraestrutura e logística para comportar o empreendimento. Sou amigo da maioria dos prefeitos da região, e as cidades não têm estrutura, inclusive financeira, para absorver um aeroporto que dê resultado.

Nossa preocupação é garantir o desenvolvimento de forma sustentável, sem comprometer a qualidade de vida do cidadão, afirma o diretor de Indústria, Comércio e Meio Ambiente da Prefeitura de Goianá, Wesley Daniel Silva. Para ele, presenciar o início das atividades é satisfatório para o município, que tem sido prospectado por empresas especializadas em logística e prestação de serviço aeroportuário. As propostas estão em análise. Temos que ter garantia que os empreendimentos não vão provocar impactos ambientais, nem no presente, nem no futuro.

Sobre infraestrutura, o diretor de Goianá destaca a disponibilidade de restaurantes, bares, pensões e hotéis na região e a proximidade com Juiz de Fora, facilitando o atendimento aos passageiros do ARZM. Wesley destacou, ainda, a captação de recursos para qualificação de mão de obra.

Pelas suas contas, mais de cem profissionais foram qualificados para atuarem como prestadores de serviço. Queremos utilizar esse desenvolvimento à nosso favor. Na avaliação de Wesley, o início das atividades com voos domésticos demonstra a potencialidade do aeródromo. Em um primeiro momento, assusta pensar em um empreendimento deste porte. Segundo o diretor, cumprir a legislação de desenvolvimento e ocupação da área urbana tem sido uma preocupação, para que a situação não fuja ao controle. Goianá possui hoje 3.659 habitantes, segundo o Censo 2010.

Gol pede à Fiemg estudo de potencial

Segundo o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes solicitou à Fiemg Regional Zona da Mata estudo estatístico sobre a potencialidade da região. Procurada, a companhia aérea afirmou que sempre avalia oportunidades de agregar benefícios a clientes e resultados ao negócio. Mantém, inclusive, um departamento que estuda a viabilidade de novas rotas e mercados. Contudo, no momento, não tem planos de operar no Aeroporto Regional da Zona da Mata até porque este aeródromo, hoje, não comporta operações com os modelos de aeronaves utilizados pela Gol – Boeing 737-700 e 737-800. A Azul Linhas Aéreas Brasileiras, a primeira a realizar voos comerciais no ARZM, vai utilizar turboélices ATR 72-200, com 66 assentos.

Para a Azul, o Regional dispõe de excelente infraestrutura operacional e de atendimento, além de contar com um tempo estável praticamente o ano todo, o que aumenta a regularidade e pontualidade das operações. A inauguração oficial das atividades da empresa acontece na próxima quarta-feira, dois dias depois do primeiro voo, a ser realizado amanhã.

A princípio, serão dois voos diários. O passageiro poderá partir às 14h35 de Juiz de Fora – Zona da Mata (XJF) e chegar às 16h08 em São Paulo – Campinas (VCP). No sentido contrário, a opção é embarque às 12h42 e desembarque às 14h05 no Regional. Aos sábados e domingos, os passageiros têm apenas a opção de ida para Viracopos. A Multiterminais oferece transporte gratuito aos passageiros partindo do Terminal Rodoviário Miguel Mansur em Juiz de Fora. Já a Azul disponibiliza ônibus executivo para destinos em São Paulo, como o Aeroporto de Congonhas, sem custo.

Demanda

Em entrevista à Tribuna, o especialista em infraestrutura aeroportuária Anderson Ribeiro Correia, ex-superintendente de infraestrutura aeroportuária da Anac, considera que a falta de aeródromos regionais no país é um dos aspectos mais críticos da infraestrutura brasileira, sendo um desafio em níveis federal, estadual e municipal.

Os aeroportos regionais representam uma oportunidade de oferecer voos com qualidade e conveniência aos passageiros, sem a necessidade de deslocamento para os grandes centros. Ribeiro não tem conhecimento sobre demanda internacional para Juiz de Fora. Todavia, considera que a demanda regional é significativa, principalmente para movimento de passageiros. Há estudos que apontam um potencial estimado de um milhão de passageiros por ano entre cinco e dez anos para aeroportos regionais.

Mesma categoria que o da Pampulha

Conforme a Multiterminais, o Aeroporto Regional da Zona da Mata conquistou a segunda categoria, a mesma dos aeroportos da Pampulha, em Belo Horizonte, e de Uberlândia. A Anac, por meio de sua assessoria, esclarece que a classificação, para fins de cobrança de tarifa, baseia-se na Portaria 1592/GM5. A norma considera 56 tipos de serviços e facilidades oferecidos aos usuários, pontuados em escala de um a dez. A soma classifica o aeroporto em uma das quatro categorias existentes e, a partir daí, são estabelecidos os valores das tarifas, inclusive a de embarque. A do ARZM será de R$ 16,23. Os aeroportos classificados na segunda categoria são aqueles que se enquadraram no intervalo entre 70 e 139 pontos. Segundo a Multiterminais, os investimentos em facilidades, como áreas climatizadas, internet, adequação para atendimento a pessoas com necessidades especiais e UTI móvel, foram feitos para alcançar esta categoria.

Já a internacionalização, diz a Anac, depende de ampliação a ser feita pelo administrador e de outras regras a serem cumpridas, como instalação de Polícia Federal, Anvisa, Receita Federal e Raio X adequado para embarques internacionais. Segundo a Multiterminais, as adequações para o cumprimento da normas internacionais e a implantação dos órgãos intervenientes já foram iniciadas.

A homologação do ARZM para voos noturnos, de acordo com a Anac, ainda depende de verificação dos requisitos de infraestrutura e segurança da navegação aérea para este tipo de operação. Neste momento, aguardamos alguns documentos comprobatórios do atendimento das condições supracitadas, permitindo, então, a emissão de portaria específica que altera a condição operacional e o respectivo cadastro junto à esta agência, informou a assessoria do órgão.

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