Ícone do site Tribuna de Minas

Dólar já encarece viagens e eletrônicos

PUBLICIDADE

O dólar subiu 1,69% e fechou, nesta quinta-feira (22) em R$ 2,258, o maior valor registrado desde abril de 2009, quando alcançou o patamar de R$ 2,281. Em 2013, a moeda já acumula alta de 10,25%, o que já causa impactos diretos no bolso dos brasileiros. Viajar para o exterior está até 7% mais caro, conforme informações da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV). Em Juiz de Fora, artigos de informática sofreram aumento de até 30% nos preços, segundo lojistas do setor. E os efeitos não param por aí. Com o encarecimento de matérias-primas importadas, a indústria, especialmente a da alimentação e do vestuário, pode repassar, em breve, os valores para o consumidor.

O analista de negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional da Zona da Mata, Matheus Sávio Sant’Ana, explica que a atual cotação do dólar eleva o preço das mercadorias e, com isso, pressiona os custos de produção. "No curto prazo, em alguns setores, as indústrias não chegam a repassar este aumento aos clientes. Entretanto, se esse movimento de alta persiste, é inerente que o setor altere os valores para cima, chegando até o consumidor final."

PUBLICIDADE

Mas se os reflexos no setor industrial devem ser sentidos em médio e longo prazo, o economista destaca que o consumidor já percebe impactos imediatos em setores como o de turismo e de eletroeletrônicos. A análise é confirmada pelo vice- presidente de Relações Internacionais da ABAV, Leonel Rossi Júnior. "Viajar para o exterior já custa 7% mais caro", diz, ponderando que os efeitos da diferença ainda são leves. "Em geral, os pacotes de viagem para julho já foram comercializados há mais tempo." Em Juiz de Fora, as agências de viagem perceberam mais cautela por parte dos clientes. "Não houve retração na demanda, mas alguns adiamentos. Quem quer comprar pacote para Natal e Reveillon preferiu aguardar", relata a proprietária da Fama Viagens, Fabiana Mendes. A proprietária da Passadena Turismo, Karina Boa Sorte Costa, teve a mesma percepção. "Quem pode aguardar está fazendo isto. Mas quem já tem as férias planejadas percebeu que esperar é pior, pois o dólar só aumenta." As empresárias destacam que o setor está diretamente ligado ao câmbio da moeda, e uma boa dica para os viajantes que já adquiriram os pacotes é compensar com serviços mais baratos para poderem gastar o que haviam planejado.

Os artigos de informática também sofrem interferência direta da variação do dólar, segundo informações do Sindicato das Empresas de Informática de Minas Gerais (Sindinfor). A assessoria da entidade explica que tanto hardwares quanto softwares encareceram. Nas lojas de Juiz de Fora, peças como memória, HD, placa mãe e cartuchos tiveram aumento de até 30% dos preços. "Infelizmente, o valor é repassado ao consumidor. O nosso setor trabalha com peças importadas, então, o efeito é sentido primeiramente por nós e, depois, pelo cliente", esclarece o gerente da Datafor, Samuel Soares. "As peças de informática evoluem muito rapidamente, não temos como trabalhar com estoque. Assim, estamos suscetíveis à alta do dólar", avalia o gerente comercial da Microtools, Hélio Zanini.

Para o economista Luís Carlos Ewald, o consumidor pode se resguardar diante da variação do dólar. "A solução é pesquisar preços e economizar, não tem dica melhor. Até porque não temos certeza de por quanto tempo este cenário irá permanecer."

 

PUBLICIDADE

Exportação

Apesar das muitas preocupações em torno da alta do dólar, o movimento da moeda favorece as exportações. O cenário é favorável, portanto, para os empresários que abastecem o mercado externo, mas isso também pode contribuir para o aumento de preços, de acordo com a avaliação de Sant’Ana. "O aumento das vendas para o exterior pode acarretar em falta de produto no mercado interno, refletindo em elevação de preços das mercadorias."

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile