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Alta do diesel chega a 24% e pressiona custo de vida do juiz-forano

Mesmo com a alta de até 24%, cenário não indica falta de diesel, segundo análise econômica, mas pressiona o custo de vida
Mesmo com a alta de até 24%, cenário não indica falta de diesel, segundo análise econômica, mas pressiona o custo de vida
Mesmo com a alta de até 24%, cenário não indica falta de diesel, segundo análise econômica, mas pressiona o custo de vida (Foto: Felipe Couri)
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Abastecer com diesel S10 – combustível menos poluente – está mais caro em Juiz de Fora. A alta já aparece na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o preço médio do litro avançou 18,2%, mas também se revela no comportamento do combustível ao longo de 2026. Depois de um início de ano com poucas oscilações, o valor passou a subir com mais intensidade nas últimas semanas.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, na última semana, o preço médio do diesel S10 chegou a R$ 7,48 no município. No mesmo intervalo de 2025, o valor era de R$ 6,33. O avanço também foi registrado em Minas Gerais e no Brasil, com altas de 18,9% e 18%, respectivamente.

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A série semanal da ANP reforça esse movimento. Em Juiz de Fora, o diesel S10 abriu janeiro em R$ 6,03 e se manteve próximo desse patamar até o início de março. A partir daí, passou a acumular altas seguidas, até atingir, em abril, o maior nível do ano até agora. No acumulado de 2026, a alta chega a 24% no município, 23,9% em Minas Gerais e 23,2% no país.

Para o professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Weslem Rodrigues Faria, a alta é resultado do cenário político e econômico internacional e pesa no dia a dia do consumidor de diferentes formas.

Conflito no Oriente Médio pressiona preço 

Segundo o professor, a alta do diesel está ligada principalmente ao cenário internacional, com destaque para os conflitos no Oriente Médio. Ele explica que guerras, recessões e outras instabilidades elevam as incertezas no mercado e pressionam o preço do barril de petróleo, referência para os combustíveis em todo o mundo.

De acordo com o economista, o problema não está, necessariamente, na produção de petróleo, mas nas dificuldades de escoamento e na instabilidade gerada por esse contexto. Como o Brasil também depende da importação de petróleo e derivados, os reflexos chegam ao mercado interno. 

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Weslem destaca ainda que o impacto vai além do abastecimento. Como o transporte rodoviário é o principal meio de circulação de cargas no Brasil e depende do diesel, o aumento do combustível pressiona os custos da economia como um todo. Na prática, isso encarece o frete e contribui para a alta de preços de produtos e serviços no dia a dia.

Impacto em toda a cadeia até o consumidor final

Além de pesar no transporte de cargas, a alta do diesel também chega a despesas mais simples do dia a dia. Segundo Weslem, serviços como entregas locais, circulação de insumos e etapas da produção já sentem esse impacto. Com o aumento do custo do transporte, diferentes setores passam a gastar mais para manter a operação.

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Esse repasse, porém, não costuma ser imediato. O economista explica que as empresas levam um tempo para recalcular custos e atualizar tabelas de preços. Primeiro, o aumento atinge quem produz ou fornece insumos. Depois, ele vai sendo repassado ao longo da cadeia até chegar ao consumidor final. Na prática, isso significa que a alta do diesel tende, sim, a aparecer nas prateleiras.

Weslem ressalta que esse efeito é inflacionário, já que a elevação dos custos em uma etapa da cadeia afeta as demais. Em momentos de instabilidade, o mercado também reage às incertezas, o que contribui para a oscilação dos preços. Ainda assim, ele avalia que o risco de desabastecimento é baixo, porque o país combina importação de petróleo e derivados com produção nacional.

O professor observa que alguns segmentos podem enfrentar dificuldades pontuais de oferta, como já ocorreu em determinados produtos derivados do petróleo, mas afirma que esse tipo de impacto tende a ser temporário. No cenário atual, segundo ele, o efeito mais imediato para o consumidor é a inflação, e não a falta generalizada de mercadorias.

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Governo tenta frear efeitos da alta do diesel

Diante da pressão provocada pela alta do diesel, o Governo federal anunciou uma série de medidas para tentar reduzir os impactos no mercado interno e evitar que a disparada dos custos se espalhe ainda mais pela economia. Entre as principais ações está a proposta de um subsídio temporário para o diesel importado, apresentada pelo Ministério da Fazenda e já aceita por mais de 80% dos estados, incluindo Minas Gerais, segundo nota divulgada em conjunto com o Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

A medida tem caráter excepcional e prevê subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado durante dois meses. Desse total, R$ 0,60 serão pagos pela União e os outros R$ 0,60 pelos estados que aderirem ao programa. A participação estadual será proporcional ao volume de diesel consumido em cada região, embora os critérios finais de divisão ainda estejam em definição. Como a adesão é voluntária, o Governo segue em negociação para tentar ampliar o apoio entre as unidades da federação.

Em tempos de volatilidade, fiscalização ampliada

Outra frente anunciada pelo Governo federal é o reforço da fiscalização sobre a cadeia de distribuição. As distribuidoras de combustíveis terão de informar semanalmente a evolução de suas margens brutas de lucro na revenda aos postos. A exigência busca garantir que o benefício concedido com recursos públicos não fique retido no meio da cadeia e seja efetivamente repassado ao consumidor. Os dados deverão ser enviados à ANP, que ficará responsável por torná-los públicos.

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Segundo o Governo, a medida também tem o objetivo de ampliar a transparência e dificultar práticas abusivas em um momento de forte volatilidade. A intenção é impedir que a crise internacional abra espaço para aumentos injustificados ou retenção dos descontos concedidos por meio da subvenção. Distribuidoras que não prestarem as informações exigidas, por exemplo, poderão ficar impedidas de comprar combustível subsidiado.

Para Weslem, esse movimento do Governo está diretamente ligado à necessidade de conter perdas no orçamento das famílias. Segundo ele, quando o preço dos combustíveis sobe, o efeito não se restringe ao abastecimento, mas se espalha por diferentes setores da economia e pressiona o custo de vida. “O Governo tem que se preocupar com isso, porque, quando se mexe com os preços, se mexe com o poder de compra da população”, observa.

O economista avalia que, apesar da forte pressão no presente, não há sinais de uma ruptura estrutural no mercado de combustíveis. Para ele, a tendência é que, com o avanço de negociações e uma eventual redução das tensões internacionais, o preço do barril volte gradualmente a patamares mais próximos dos registrados antes da escalada do conflito. Isso não significa queda imediata, mas uma possível acomodação nos próximos meses, caso o cenário externo se estabilize.

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa

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