
Assembleia reuniu funcionários da montadora
Mais de mil trabalhadores, entre efetivos e terceirizados da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, seguem de braços cruzados, por tempo indeterminado, em função do impasse nas negociações salariais. A paralisação teve início ontem de manhã, estendeu-se por todo o dia e promete continuar hoje, conforme o Sindicato dos Metalúrgicos. Em adesão à causa juiz-forana, funcionários da cidade em treinamento na planta de São Bernardo do Campo realizaram ato no interior da fábrica em São Paulo.
A montadora, por meio de sua assessoria, informa que o Sindicato dos Metalúrgicos teria impedido a entrada dos funcionários. Garantiu que as negociações permanecem e que as atividades na unidade paulista não foram comprometidas. A empresa não comenta detalhes sobre as negociações, para não atrapalhar o andamento das discussões.
Apesar das rodadas realizadas ontem, o dia terminou sem acordo. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Henrique Almeida, a categoria reivindica aumento de 10% mais abono de R$ 2.500, além de manutenção de benefícios conquistados. De acordo com ele, a exigência é por paridade em relação ao reajuste concedido aos funcionários de São Bernardo do Campo. A montadora teria oferecido 9%, sem abono. A Mercedes não se posicionou sobre valores propostos.
De acordo com Almeida, a data base da categoria é 1º de setembro e, desde então, o percentual de aumento teria avançado de 8,3% para 9%, sem acordo. "As fábricas são iguais, uma não pode ter tratamento diferenciado." Segundo ele, em Campinas, foi concedido aumento de 10,5% e abono de R$ 2.700.
Segundo o vice-presidente, todos os setores da fábrica juiz-forana foram paralisados, incluindo treinamento e funções de asseio, conservação, construção civil, metalurgia e instalação. Atualmente, a fábrica está em processo de adaptação para produção de caminhões a partir de 2012. "Vamos cruzar os braços enquanto não avançar." Hoje será realizada nova assembleia na porta da montadora, a partir das 6h.
O ato em São Bernardo do Campo contou com a participação dos cerca de 300 funcionários juiz-foranos que estão em treinamento em São Paulo. Conforme o coordenador da Comissão de Fábrica do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, durante o dia, os trabalhadores fizeram protestos, como passeata interna na fábrica. Segundo ele, dois turnos ficaram parados, concentrados na unidade. "A movimentação dos trabalhadores de Juiz de Fora tem a solidariedade dos demais", afirmou. De acordo com Aroaldo, pelo fato de os juiz-foranos atuarem na linha final de montagem dos caminhões, a produção teria reduzido "bastante".

