O Procon de Juiz de Fora pedirá que o Ministério Público estadual investigue suspeitas de irregularidades na atuação de uma empresa que vende colchonetes massageadores na cidade. Só este ano, 29 reclamações contra a mesma companhia foram protocoladas no órgão, quase três vezes mais que as 11 queixas referentes à firma registradas em igual período do ano passado. De acordo com o setor de distribuição do Fórum Benjamin Colucci, existem duas ações judiciais contra a empresa na comarca local, porém, por meio de busca no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) – www.tjmg.jus.br – é possível identificar consumidores insatisfeitos com o sistema de operação da companhia em todo o estado. O superintendente do Procon JF, Carlos Alberto Gasparete, também questiona a venda do produto, de porta em porta, por R$ 1.800. "Diante da informação de que o colchão custa cerca de R$ 200 na internet, podemos dizer que se configura um estelionato claro."
Uma idosa, 62 anos, e sua filha, 27, se dizem vítimas da empresa. Segundo a jovem, dois vendedores, com crachás de identificação, abordaram sua mãe em casa, na Zona Sudeste da cidade, na última sexta-feira, apresentando-se como trabalhadores da saúde. Depois de uma série de perguntas, ofereceram uma "esteira massageadora", uma espécie de colchonete que, quando ligado à rede elétrica, oferece uma série de opções de massagem. O produto custaria R$ 1.800, podendo ser pago de diversas maneiras. "Nos convenceram falando que seria bom para a saúde, que acabariam as dores que minha mãe sente, e pagamos R$ 150 à vista, R$ 900 no cartão de crédito e R$ 750 em dez vezes no carnê", conta a jovem, acrescentando que não recebeu nota fiscal ou mesmo o manual de instruções da esteira, conforme constava no contrato assinado.
Após a saída dos vendedores, ela descobriu, por meio de consulta pela internet, que o colchão custa, em média, R$ 200 em sites de venda on-line. "Fiquei desconfiada e, quando joguei o nome da empresa, encontrei várias reclamações de golpe em cidades de Minas e até no Espírito Santo. A partir disso, observei que o CNPJ que consta no carnê é diferente do que consta no recibo do cartão de crédito. Tentei entrar em contato com a companhia por telefone, mas cai em uma gravação." A jovem chegou a registrar ocorrência na polícia, mas foi informada que o caso não configura crime, já que o produto comprado foi recebido. Ela foi orientada a procurar o Procon e a Justiça, medidas que já tomou.
Segundo Carlos Albert Gasparete, o produto era vendido, em 2011, por dez parcelas de R$ 180 – totalizando os mesmos R$ 1.800 cobrados agora -, muitas vezes, por meio de empréstimo consignado. "Depois que houve questionamento do Procon quanto a esta prática, eles passaram a utilizar o carnê, fazendo a venda por doze prestações de R$ 150", conta. "Observamos que eles sempre agem de forma sorrateira, dando preferência a idosos que estejam sozinhos em casa, se aproveitando da boa fé dessas pessoas. Diante da informação que a esteira custa cerca de R$ 200, vamos encaminhar relatório ao Ministério Público, para que a responsabilidade da empresa seja apurada." O superintendente do Procon orienta os consumidores a pesquisar o produto e a empresa antes da compra, verificando se há certificação do Inmetro e se o preço é condizente com o mercado.
Reclamações em jornais on-line, blogs e fóruns de discussão na internet, assim como as ações pesquisadas no site do TJMG, apontam que o grupo já passou por cidades como Carangola, Caxambu, Uberlândia, Uberaba, Abaeté, Paranaíba, Belo Vale, Corinto e Chapada Gaúcha, além de Mimoso do Sul (ES). A Tribuna tentou contato por telefone com a empresa, baseada em Contagem, mas o número fornecido no carnê de pagamento é atendido por uma gravação. O celular de um vendedor também foi contatado, mas encontrava-se fora de área ou desligado no final da tarde de ontem
