
Flávio Checker cobrou uma definição do modelo de gestão do restaurante
O Restaurante Popular de Juiz de Fora será inaugurado no final de julho ou início de agosto. Este foi a cronograma divulgado ontem pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, em audiência pública sobre o tema, na Câmara Municipal. Segundo ele, a Prefeitura realizará pesquisa sobre os impactos sociais e econômicos da implantação do negócio. As preocupações, de acordo com o secretário, são com os prejuízos para pequenos estabelecimentos que comercializam refeições no Centro e o possível risco de corte de mão de obra e fechamento de empresas.
A proposta não foi bem recebida pelo vereador Flávio Checker (PT), que solicitou a audiência. Segundo ele, nas cidades em que há o empreendimento não teria havido impacto negativo no comércio. Checker concentrou a cobrança na definição do modelo de gestão do Restaurante Popular. O vereador chegou a propor a criação de uma comissão para discutir o tema, formada por membros do Executivo e do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), mas a audiência foi encerrada sem essa definição.
Zuchi considerou o debate sobre a gestão "um pouco atrasado", mas destacou a preocupação e a importância com a sustentabilidade do negócio após a sua inauguração. Ele informou que os equipamentos já estão licitados. A presidente do Comsea Juiz de Fora, Bettina Koyro, lembrou a luta antiga pela implantação do restaurante, que perdura por sete anos, o fato de 166 mil pessoas estarem em situação de insegurança alimentar na cidade e a meta de comercializar três mil refeições por dia, a partir da produção dos agricultores familiares da região.
Banco de Alimentos
A criação de um banco de alimentos no município também foi discutida. Conforme Zuchi, no dia 5 de maio, será encaminhada proposta ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), visando a conseguir recursos da ordem de R$ 450 mil para implementar o projeto na cidade. A intenção é que o núcleo receba doações de alimentos impróprios para comercialização, mas adequados ao consumo. Os itens deverão ser repassados a instituições da sociedade civil sem fins lucrativos que produzem e distribuem refeições gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar. O secretário comentou que o núcleo deverá ser instalado na Ceasa Juiz de Fora e viria "a reboque" do Restaurante Popular. "As duas propostas estão bem encaminhadas, mas é preciso ter um pouco de paciência", disse, referindo-se ao trâmite burocrático das iniciativas. Checker contra-argumentou com o chavão "quem tem fome, tem pressa". A princípio será oferecido no Restaurante Popular apenas almoço. O valor das refeições, que deverão ser subsidiadas pela Prefeitura, e a quantidade ofertada seguem indefinidos.
Uma preocupação destacada pelo secretário de Agropecuária e Abastecimento, Airdem Assis, é em relação à quantidade de alimentos produzida pelos agricultores familiares da região. Segundo ele, na primeira chamada para o Programa Nacional de Alimentação Escolar, os produtores conseguiram arcar com apenas 45% das quantias acordadas. Com isso, R$ 72 mil dos R$ 160 mil destinados ao programa não foram utilizados. Na segunda chamada pública, o percentual aumentou para 80% dos R$ 246 mil destinados. No entanto, disse Airdem, das cinco toneladas de queijo minas frescal que seriam disponibilizadas pelos produtores, nenhuma foi fornecida para as refeições nas escolas contempladas.

