
Agenda utilizada para armazenamento e envio de dinheiro para o exterior
Instituições bancárias e financeiras de Juiz de Fora podem ter sofrido prejuízos de aproximadamente R$ 10 milhões por fraudes praticadas por um casal que realizava abertura de contas e contratava financiamentos com nomes falsos. O casal teve a prisão preventiva decretada pela 3ª Vara Federal e foi detido ontem pela Polícia federal (PF) durante a operação "Beirute". A ação foi deflagrada a partir das 5h30 da manhã em parceria com a Receita Estadual. O homem, um libanês que vive há 16 anos no Brasil, foi ouvido e encaminhado ao Ceresp. A mulher, após prestar depoimento, seguiu para a penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Os nomes não foram divulgados pela PF.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco lojas de acessórios, enxoval e vestuário na região central de Juiz de Fora e na casa do casal, localizada em um condomínio de luxo na Cidade Alta. Na casa, foram recolhidos mais de cem documentos, entre cartões de crédito e talões de cheques com nomes falsos, além de R$ 156 mil em dinheiro que estavam enterrados em um vaso de plantas na área de lazer da residência.
O casal investigado, de acordo com o delegado-chefe da PF, Cláudio Dornelas, abria empresas a partir da utilização de documentos falsos e é suspeito de praticar diversas fraudes no comércio e no sistema bancário. "Eles abriam as lojas, não pagavam os fornecedores, quebravam e abriam outro estabelecimento com outro nome e outra razão social", explicou Dornelas. Apesar de ainda não ter uma noção do valor real do rombo em relação aos fornecedores, a estimativa da PF é de que o faturamento mensal de apenas duas das lojas do casal gire em torno de R$ 100 mil.
A denúncia que originou a investigação, iniciada há um mês, foi feita pela Caixa Econômica Federal, que suspeitou de falsidade ideológica no momento da abertura de conta corrente e encaminhou representação à PF. De acordo com Dornelas, há indícios de que os crimes venham sendo praticados há pelo menos oito anos na cidade. Um terceiro comerciante, também de origem libanesa, será ouvido hoje. A previsão é de que a investigação seja concluída em 30 dias. A PF já solicitou a quebra de sigilo bancário dos correntistas o que, segundo Dornelas, irá mostrar o valor real da fraude juntos aos bancos.
De acordo com o delegado da PF Humberto Brandão, há também suspeitas de remessa de dinheiro para o Oriente Médio, por meio de agendas com miolo falso, utilizadas para camuflar o volume das notas enviadas, em dólar. "Ele falou que mandava dinheiro para a mãe." Também foram apreendidos celulares, notebook, dois veículos (um Honda Civic e um Freemont) e ainda escritura da casa e carnês de IPTU com nomes falsos. Segundo a PF, o casal deverá responder por estelionato, uso de documentação falsa, crime contra o sistema financeiro nacional, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ameaça e crime eleitoral (títulos falsos).

