
Cultura cafeeira é forte especialmente em Manhuaçu
O café de qualidade produzido na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce ganhará uma marca própria, “Região das matas de Minas”, apresentada quarta-feira na Semana Internacional do Café. Nesta extensão de terra, cercada pela Mata Atlântica e com altitudes de até 1.200 metros, a cafeicultura reúne mais de 36 mil produtores em 63 municípios, que fabricam cinco milhões de sacas por ano, o equivalente a 24% da produção mineira. O setor responde por cerca de 75 mil empregos diretos e 156 mil indiretos, distribuídos por pequenas propriedades – 80% das fazendas têm menos de 20 hectares, conforme dados do Sebrae Minas.
O projeto nasceu em 2010, por meio de parceria entre o Sebrae Minas e a Federação da Agricultura/MG (Faemg), resultando na criação do Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas, tutor da marca. Segundo a analista do Sebrae da Regional Manhuaçu, Ereni Constantino, um dos critérios para o café ser certificado é apresentar pontuação acima de 80 na tabela SCAA, da Associação Internacional de Café, que atesta a qualidade do produto. “O desafio do trabalho é sair de um café convencional para uma bebida de melhor qualidade.” Conforme Ereni, o café da região já é consumido no exterior, sem a chancela regional. Por isso, a identidade é um dos quatro pilares da iniciativa, formados, ainda, por qualidade, governança e mercado.
Na avaliação da gerente de Agronegócio do Sebrae Minas, Priscilla Lins, a marca vai contribuir para a organização da cultura, em termos de produção e logística de comercialização. Para ela, no entanto, é preciso ir além, buscando novos mercados, com estratégias adequadas para escoamento da produção. Priscilla avalia que o café da região é encorpado, com sabor adocicado variando entre o cítrico, o caramelado e o achocolatado. O aroma é considerado intenso, e a acidez, delicada e equilibrada, resultando em uma bebida fina e apreciada.
O presidente do Sindicato Rural de Juiz de Fora, Domingos Frederico Netto, comenta que o município e a região já tiveram tradição na cultura cafeeira, principalmente na década de 1950. Com o passar dos anos, em função do preço do produto e da dificuldade de mão de obra, a atividade foi erradicada na cidade e região.
