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Comércio desperdiça potencial de shopping

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O mercado brasileiro de shopping centers está em plena expansão, ganhando cada vez mais espaço, inclusive em cidades do interior. Esta movimentação, por sua natureza, traz grande expectativa e tem forte impacto na economia local, modificando, muitas vezes de forma definitiva, a realidade das regiões onde os empreendimentos se instalam. Juiz de Fora está entre os municípios que sofreram mudanças deste tipo na última década, embora estas nem sempre ocorram da maneira esperada. Motivados pelas observações de como a abertura do Alameda Shopping alterou a estrutura do Bairro Alto dos Passos, pesquisadores da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizaram estudo sobre os impactos da inauguração do Independência Shopping, estabelecimento de maior porte instalado na cidade, no comércio de seu entorno. Contrariando as expectativas, os resultados mostraram que o crescimento esperado pelo empresariado local não foi confirmado. Com a instalação do Shopping Jardim Norte, prevista para junho de 2015, novas reestruturações no cenário econômico local podem acontecer, mas especialistas alertam que, para isso, é preciso agir.

O estudo da Faculdade de Economia foi feito em duas etapas, antes e após o início das atividades do Independência Shopping – em abril de 2008 -, com 157 empresas situadas nos bairros Dom Bosco, Cascatinha, Jardim Laranjeiras, Estrela Sul, São Mateus, Teixeiras e parte da Avenida Itamar Franco. Em 2007, na primeira etapa do projeto, 73,2% dos empresários afirmaram que esperavam aumento médio de 28% do faturamento e 31% do número de clientes. "A notícia da chegada do shopping gerou otimismo nas empresas. Não houve preocupação com concorrência", avalia a economista e integrante do grupo de pesquisadores, professora Gláucia de Paula Falco. Em 2011, porém, os pesquisadores retornaram a campo e constataram uma realidade diferente. Do total de 157 empresas entrevistadas, 81 faliram (52%). "Não podemos afirmar que estas falências foram decorrentes da presença do shopping, mas este resultado mostra que os empresários não tiveram melhora nos negócios", analisa a pesquisadora. O estudo mostrou, ainda, que cerca de 70% dos estabelecimentos que permaneceram ativos não atingiram a expectativa de faturamento. Quanto ao número de clientes, 60% informaram que não houve aumento da demanda.

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A segunda etapa da pesquisa verificou, também, que 73 empresas abriram as portas na região pesquisada após a instalação do Independência. Para 58% delas, a presença do shopping foi essencial para a escolha do local de instalação. Outro fator positivo apontado pelo estudo foi o aumento de 57,8% na arrecadação com o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) na região. "Como as lojas não arrecadam este tributo, isto mostra um dinamismo do serviço local", afirma a especialista.

Comparando os resultados com as observações sobre o Alameda Shopping, o economista e coordenador do estudo, professor Rogério Silva de Mattos, afirma que a diferença entre as realidades era esperada. "A região do Alto dos Passos se desenvolveu muito com a presença do Alameda. Bares, restaurantes, bancos e lojas se instalaram na região e passaram a complementar a economia do estabelecimento. Já o Independência Shopping é um empreendimento de maior porte, com estrutura mais completa no seu interior." O pesquisador reitera que embora os impactos no comércio do entorno não tenham sido positivos, aspectos que não estão descritos no estudo podem ser observados. "Muitos prédios estão sendo erguidos próximo ao shopping, o que mostra que o estabelecimento tem gerado aquecimento no setor da construção civil, por exemplo."

 

Erro foi falta de ação, dizem especialistas

Para a pesquisadora Gláucia de Paula Falco, o empresariado local não aproveitou as oportunidades proporcionadas pela instalação do Independência Shopping . "A presença de um empreendimento deste porte é um fator de desenvolvimento da região, desde que haja uma adequação para garantir melhorias." Ela destaca que na primeira fase da pesquisa, metade dos entrevistados disseram que tinham alguma estratégia para aumentar as vendas após a instalação do shopping. No entanto, o estudo mostrou que 74,2% dos empresários que continuaram atuando na região não tomaram nenhuma medida para isto acontecer.

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A analista de mercado Joyce Altaf destaca que, para aproveitar as oportunidades, os empresários que já atuam na região precisariam ter se antecipado às mudanças que aconteceriam com a chegada do estabelecimento. "O primeiro passo é realizar uma pesquisa de mercado para conhecer como o ambiente será afetado e, posteriormente, realizar ações que garantam que os negócios serão bem sucedidos." O gerente regional do Sebrae-MG, João Roberto Marques Lobo, concorda. "A instalação de um shopping center irá atrair um grande público consumidor que busca por qualidade de serviço e atendimento, o que pode causar impactos muito positivos." Segundo ele, os clientes podem se interessar em consumir no comércio do entorno. "Para isso, é preciso ter mão de obra qualificada, melhorar o layout da loja e da vitrine, oferecer tranquilidade e segurança, de forma que os estabelecimentos se mostrem como uma continuidade do shopping."

O superintendente do Independência Shopping, Fábio Oliveira Neto, diz que há o interesse de contribuir e participar no desenvolvimento da região. "No entanto, o shopping possui autonomia e condição de atuar de forma direta apenas em relação aos comerciantes instalados no seu interior", explica. "Para efetivar a participação no processo de desenvolvimento do comércio da cidade, acompanhamos as iniciativas das instituições que agregam os comerciantes." O Independência Shopping está construído em uma área de 85 mil m², sendo 24.493 m² de área bruta locável (ABL), e gera dois mil empregos. O local tem 170 lojas e cinco salas de cinema. Em 2012, o resultado das vendas no empreendimento somou R$ 254,5 milhões.

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Associação destaca poder multiplicador

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) garante que a instalação de um centro comercial provoca crescimento econômico nos municípios. "Os impactos causados vão muito além dos empregos diretos ou indiretos gerados. Os reflexos aparecem nos impostos arrecadados, nos fornecedores que se instalam ao redor do empreendimento, no comércio e serviços em geral, enfim, produz um efeito multiplicador com benefícios para toda economia local", afirma a entidade, por meio de sua assessoria.

Um estudo divulgado este mês pela associação analisou o desenvolvimento de cidades que possuem shopping center. Dentre os resultados, foi verificado que a região onde os empreendimentos estão localizados teve valorização imobiliária 46% superior ao restante do município. A arrecadação de tributos também cresceu consideravelmente: 82% no caso do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), 168% no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), 130% no ISS e 79% no ICMS. "O estudo revela ainda que a chegada dos centros de compras também provoca uma reativação de estabelecimentos de comércio e serviços no entorno, derrubando o estigma de que shopping acaba com o comércio de rua."

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Para o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), a competição entre o setor é saudável. "A presença de um shopping estimula os empresários que estão fora daquele empreendimento a melhorarem a qualidade de atendimento e a oferta de produtos, por exemplo. É bom para o consumidor que passa a ter mais opções e para o setor, que se mantém vivo com esta concorrência." O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda da PJF, André Zuchi, também defende a importância de shopping centers para a cidade. "É um empreendimento que atrai público, gera mais negócio e traz uma competitividade maior para o setor." Ele destaca que o Independência Shopping tem contribuído muito para a economia da cidade. "Basta perceber o quanto a região do Cascatinha, São Mateus e Estrela Sul cresceu."

 

Jardim Norte

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Com relação a inauguração do Shopping Jardim Norte, Zuchi afirma que as expectativas são muito boas. "Pelo tamanho e localização do empreendimento, acredito que os impactos positivos serão ainda maiores para a cidade." O empresário da AMX Antônio Arbex, um dos responsáveis pelo empreendimento, diz que a escolha da Zona Norte para a construção do shopping foi estratégica. "É uma região que merece este tipo de empreendimento. A população está crescendo e não possui nenhum grande centro comercial e de lazer. Com certeza a presença do shopping irá contribuir para o desenvolvimento local, pois trata-se de um indutor de crescimento." Ele destaca as experiências de cidades como Caxias do Sul e Campo Grande, que conseguiram grande desenvolvimento econômico a partir da instalação de centros comerciais.

O Shopping Jardim Norte será erguido ao lado do terminal rodoviário Miguel Mansur, na área onde hoje está o Exposhop. O estabelecimento será construído em um espaço de 86 mil m² e terá seis lojas âncoras com mil m² cada uma, incluindo o Hiper Bretas, que já opera na região. O local terá seis megalojas, 160 lojas satélites, praça de alimentação com 19 estabelecimentos e mil assentos, além de seis salas de cinema.

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