Depois de mais de dois meses com preços estáveis no município, a gasolina poderá ter uma nova alta nas bombas nas próximas semanas. O motivo é a manutenção da Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, que tem feito com que vários postos do estado busquem o combustível na refinaria de Duque de Caxias (Reduc- RJ). As atividades de manutenção e inspeção na Regap iniciaram-se em 31 de julho. De acordo com a Petrobras, a previsão é de as obras sejam concluídas até o final de setembro.
Segundo o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Alberto Jacometti, vários postos da cidade buscavam o combustível em Betim e a alta demanda na Reduc já está causando aumento de preços e possibilidade de desabastecimento. De acordo com ele, houve inclusive falta de gasolina em alguns estabelecimentos da cidade na última semana.
"Ainda não sabemos quando os preços vão subir e em que percentual, mas é certo que eles não devem permanecer estáveis", diz Jacometti. Ainda conforme o presidente regional do Minaspetro, os aumentos devem incidir apenas no preço da gasolina. Nos postos de Belo Horizonte, conforme pesquisa semanal divulgada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio é de R$ 2,75. No entanto, já há postos praticando o valor de R$ 2,999. Em Juiz de Fora, a média na última semana era de R$ 2,67, de acordo com o levantamento da ANP. O valor máximo encontrados nos postos do município é de R$ 2,799.
Ainda de acordo com Jacometti, que possui postos na cidade (Girassol e Xodó), houve falta de gasolina entre o meio-dia e 1h na última sexta-feira em seus postos. "Saímos para buscar na refinaria de Betim, mas não havia gasolina disponível e precisamos seguir para a de Duque de Caxias, que estava muito cheia." Segundo ele, o custo de transporte para Betim, mesmo mais distante de Juiz de Fora, é menor, devido aos pedágios na BR-04
Audiência
A Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa realiza hoje audiência pública para discutir a alta dos preços dos combustíveis e os reflexos, para o consumidor, com a manutenção da Regap. De acordo com o deputado Délio Malheiros (PV), que solicitou a audiência, há dois aspectos que podem afetar o consumidor. "Como parte do combustível tem sido trazida de outros estados, há o risco de aumento do custo do produto, o que certamente refletirá no preço final. Outra preocupação é que o desabastecimento provoque um movimento especulativo no varejo, devido à lei da oferta e da procura. Com menos produto disponível, alguns postos podem aumentar os preços na bomba", explica o deputado.
